Roberto Schmidt de Almeida

INTRODUÇÃO

Uma reflexão correta sobre o conjunto das atividades levadas a efeito por uma comunidade de pesquisadores geográficos no Brasil deve acompanhar as atuações de dois grandes grupos de profissionais: os que se dedicaram ao ensino universitário e à pesquisa acadêmica e os que se orientaram para as atividades de planejamento, com ênfase nos que trabalharam na maior agência de planejamento territorial do governo brasileiro, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) – atividades essas classificadas por temas que abarcarão as duas principais vertentes da Geografia: a Física e a Humana.

No contexto espacial, o quesito “onde” compreenderá o espaço territorial brasileiro, objeto de trabalho e atribuição legal da Geografia brasileira tanto do segmento pesquisa e ensino universitário quanto do IBGE.

No contexto temporal, o quesito “quando” abrangerá o tratamento de um período longo – do século XVI ao final do XX –, dividido em duas partes: a fase inicial, que será contada em termos gerais, e uma visão pormenorizada de 60 anos do século XX (1938-1998), os mais importantes para a consolidação dos estudos geográficos brasileiros, tendo como pano de fundo os diversos contextos pelos quais o país passou, sejam eles políticos, econômicos ou científicos, em suas diversas acepções.

É importante ressaltar, por exemplo, o alcance desse período do ponto de vista político: quatro constituições – 1938, 1946, 1969 e 1988 (além das inúmeras alterações que esta última sofreu, e continua sofrendo) –, 22 mandatos presidenciais (21 presidentes e uma junta militar) e uma sucessão de crises políticas mais ou menos graves, que geram alguns períodos excepcionais, como o Estado Novo (1937 a 1945); a crise da renúncia de Jânio Quadros, até a queda do governo de João Goulart (1961 a 1964); o período dos governos militares (1964 a 1985); um governo híbrido, planejado por Tancredo Neves, falecido antes de assumir a Presidência e levado adiante por seu vice, José Sarney (1985 a 1990); dois governos em um, com dois anos de Fernando Collor, seu impeachment e mais dois anos de seu vice, Itamar Franco (1992 a 1994); e o primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso (1994 a 1998).

Igualmente importante será a avaliação do IBGE, instituição heterogênea que opera desde áreas como a Geodésia e a Cartografia até a elaboração de indicadores econômicos, passando por todas as etapas da pesquisa estatística e geográfica, e sempre se situou em níveis elevados na estrutura burocrática do Estado brasileiro. Neste sentido, os trabalhos de Gonçalves (1995), Penha (1993) e a Cronologia organizada por Costa e equipe (1998) oferecem grande contribuição à análise da legislação pertinente ao órgão.

Na área da Geografia, em particular, serão mostradas suas vinculações com outros estratos burocráticos do poder na área de planejamento, além de suas ligações com o sistema universitário.

No campo do Pensamento Geográfico, serão rastreadas as inúmeras mudanças de orientação metodológica e técnica pelas quais passaram as matrizes de pensamento científico, influenciadas ora pela escola francesa e alemã, ora pela escola anglo-saxônica, com repercussão nos trabalhos geográficos da comunidade universitária e ibegeana.

Finalmente, será traçada a trajetória do prestígio da Geografia, desde o período em que se aliavam as necessidades de conhecimento do território à determinação de integração, através do processo de unificação administrativa levado a efeito por Getúlio Vargas durante o Estado Novo, até os governos pós-militares da década de 1990, quando, tendo a palavra transição como o principal mote, as questões científicas e tecnológicas e a noção de crise, tanto financeira quanto gerencial, figuraram na ordem do dia das preocupações dos legisladores e dos executores do aparelho estatal. Portanto, a certeza e a opulência dos anos 1940 confrontaram-se com a dúvida e a escassez dos anos 1980-1990.

O trabalho está dividido em cinco seções. A primeira explana o contexto do conhecimento geográfico brasileiro do século XVI ao início dos anos 1930 do século XX, priorizando o trabalho dos exploradores pioneiros do território. A segunda apresenta a estruturação das instituições geográficas nos anos 1930 e 1940, através das universidades e do sistema de planejamento territorial do governo federal, tendo como referência o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A terceira traça um perfil evolutivo das correntes do pensamento geográfico no século XX que orientaram a pesquisa e o ensino universitário brasileiros. A quarta relata o papel de um grupo seleto de geógrafos estrangeiros que influenciou os rumos da Geografia em algumas instituições brasileiras e formou as primeiras gerações de profissionais e, posteriormente, se tornou líder em suas organizações. A quinta explana os principais vetores metodológicos de pesquisa geográfica desenvolvidos no Brasil, ao longo do século XX.

1 VISÕES DO CONTEXTO GEOGRÁFICO BRASILEIRO ANTERIOR A 1930

Para uma avaliação da Geografia brasileira, desenvolvida no período anterior a 1930, é necessário ler o trabalho de José Veríssimo da Costa Pereira, A Geografia no Brasil (PEREIRA, 1955), parte da coletânea As Ciências no Brasil, e o de Lia Osório Machado, “Origens do pensamento geográfico no Brasil: meio tropical, espaços vazios e a ideia de ordem, 1870-1930” (MACHADO, 1995).

A pesquisa de José Veríssimo da Costa Pereira foi encomendada por Fernando de Azevedo em 1954, para integrar uma obra de referência sobre a história das ciências brasileiras patrocinada pela Instituição Larragoiti (finanças e seguros), que já havia montado outra de grande significado sobre literatura brasileira, com organização de Afrânio Coutinho. No prefácio de Antônio Cândido lê-se: Ambas correspondem a um momento significativo da nossa cultura: o do amadurecimento das ciências e do estudo das letras no Brasil.”

José Veríssimo da Costa Pereira (1904-1955) foi o geógrafo de seu tempo mais preocupado com a memória da ciência geográfica brasileira. Pesquisador do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Instituto Nacional de Imigração e Colonização (INIC), foi também professor da Universidade do Brasil (atual Federal do Rio de Janeiro) e da Faculdade Fluminense de Filosofia (atual Federal Fluminense). Fez pós-graduação nos Estados Unidos nas universidades de Wisconsin e Northwestern.

Faleceu em consequência de um problema coronariano, num voo entre Benjamin Constant e Manaus, em agosto de 1955, a serviço do Instituto Nacional de Imigração e Colonização (INIC). Seus campos de interesse cobriam três linhas distintas: a Geografia Agrária e os processos de colonização, a Geografia geral para a educação, tendo produzido compêndios gerais para o ensino superior, e a organização da memória dos estudos geográficos no Brasil, tendo compilado informações e bibliografia sobre os primórdios da ciência no país. Daí o convite de Fernando de Azevedo para que ele elaborasse o capítulo “Geografia”.

Foi também um estudioso da obra de Euclides da Cunha (1868-1909), levantando uma tese interessante sobre o pioneirismo das análises desse autor, apresentadas em Os sertões, de 1902, sobre a terra e os seres humanos da área de Canudos:

À luz da geografia moderna, o trecho referente ao exemplo destacado (diferença entre gaúcho e jagunço) demonstra que, em sua orientação básica, Euclides precedeu ao conceito lablacheano de gêneros de vida, aparecido em 1911. Tal conceito lablacheano é, aliás, persistente em Euclides da Cunha. Os princípios metodológicos de geografia humana formulados por Demangeon em 1947 foram espontaneamente aplicados por Euclides em Os sertões, conforme já ficou demonstrado. (PEREIRA, 1955, p. 424)

Sem sombra de dúvida, a leitura do intrigante capítulo V de Os sertões, de Euclides da Cunha (1902, 1982, p. 112-143), produz num geógrafo a sensação impressionante de que o autor, efetivamente, conhecia o método de avaliação de uma forma de habitat, conforme Albert Demangeon e Max Sorre ensinariam no final da década de 1940.

A pesquisa de José Veríssimo inicia-se com a panorâmica dos estudos geográficos na Europa e no Brasil, desde o século XVI até o início do XIX, analisando os trabalhos de levantamento dos navegadores, exploradores e cartógrafos demarcadores do território para vários demandantes (de Portugal a outros reinos que também cobiçavam a terra). E prossegue com as memórias de alguns colonizadores brasileiros que ocuparam boa parte do litoral e do interior, além dos exploradores científicos europeus que, durante os séculos XVIII e XIX, desenvolveram muitas pesquisas nas áreas da Ciência da Natureza e da Antropologia. Para cada explorador foi feita uma análise do contexto de sua estada e de seu respectivo trabalho, tanto escrito quanto cartografado.

Seu estudo se estende dos primeiros 40 anos do século XX até a criação do Conselho Nacional de Geografia e dos cursos superiores nas universidades do Rio de Janeiro e de São Paulo. Para fins de entendimento da importância dessa obra, será feita uma síntese desses períodos, enfocando-se os principais personagens dessa saga geográfica.

No contexto das explorações portuguesas, dois especialistas descreveram os mais importantes fatos geográficos logo na primeira viagem de descoberta: Pero Vaz de Caminha (1450-1500) e mestre João de Faras (1448-1513). O primeiro, escrivão oficial da frota comandada por Pedro Álvares Cabral, tomou posse das terras descobertas no litoral da Bahia e inaugurou, com sua carta ao rei de Portugal, uma série de crônicas geográficas sobre o Brasil, ao descrever em minúcias o quadro físico (forma do litoral, solo, clima, vegetação, fauna) e o quadro humano (os índios que habitavam o litoral), tentando explicar traços fisionômicos e atitudes desse povo estranho que os portugueses passariam a conhecer a partir daquela data. O segundo, na qualidade de astrônomo e cartógrafo da frota, também informa D. Manuel I (1469-1521), em carta escrita entre 28 de abril e 1º de maio de 1500, acerca das principais determinações astronômicas do Hemisfério Sul, bem como das novas modificações cartográficas a serem impostas nos próximos mapas de navegação (portulanos) de Portugal.

Na segunda metade do século XVI, com o processo de colonização consolidado, inicia-se uma série de trabalhos descritivos de cunho geográfico feitos por portugueses que se fixaram na terra. Colonizadores como Pedro Magalhães Gandavo (História da Província de Santa Cruz de 1576) e Gabriel Soares de Souza (Tratado Descritivo do Brasil de 1587) e padres jesuítas como José de Anchieta (Tratado Descritivo do Brasil de 1799) são os mais importantes. Digno de nota também é o relevante trabalho do alemão Hans Staden (Viagem ao Brasil de 1557), fruto de sua estada forçada junto aos índios Tupinambás, no litoral da capitania de São Vicente (atual São Paulo), em virtude de naufrágio ocorrido por volta de 1550.

Também na segunda metade do século XVI a França tenta conquistar uma parcela do novo território português na América do Sul, ocupando em 1557 a atual Baía de Guanabara. Assim, força Portugal a criar o novo polo de defesa e ocupação, iniciado em 1560 com o ataque naval que destruiu o forte de Coligny; depois, a fundar a cidade do Rio de Janeiro em 1565; e a expulsar definitivamente os franceses em 1567. No contexto da ocupação francesa, dois missionários religiosos realizaram importantes trabalhos geográficos e cartográficos sobre o Brasil: o padre franciscano André Thévet escreveu os tratados Cosmografia (1575) e Singularidades da França Antártica (1557) e o protestante calvinista Jean de Léry, o livro Viagem à Terra do Brasil (1578), além de desenhar a carta do litoral do Rio de Janeiro chamada França Antártica — o Rio de Janeiro (1580).

No início do século XVII, dois padres capuchinhos franceses, que percorreram a província do Maranhão, marcaram com seus trabalhos os estudos geográficos na porção norte do país: Claude d’Abberville, com a sua História dos Padres Capuchinhos na Ilha do Maranhão e Terras Circunvizinhas (1614) e Yves d’Evreux, com a continuação do trabalho de d’Abberville, Suíte da História das Memoráveis Aventuras no Maranhão entre 1613-1614 (1615). Além dos franceses, portugueses radicados na terra e padres missionários deram continuidade às produções geográficas sobre o Brasil. Ambrósio F. Brandão, fazendeiro pernambucano, escreveu o Diálogo das Grandezas do Brasil (1618); o padre visitador Fernão Cardim escreveu um tratado sobre o clima, Do Clima e Terra do Brasil (1625); e o padre espanhol Cristóvan de Acuña descreveu o Amazonas em seu Novo Descobrimento do Rio das Amazonas (1641), ao acompanhar o navegador português Pedro Teixeira em sua viagem do Peru até a foz do Amazonas, em 1637-1639.

No contexto histórico da ocupação holandesa em Pernambuco, comandada por Maurício de Nassau, a partir de 1638, os trabalhos de Astronomia, Geografia e Botânica organizados pelo alemão George Marcgrave (1610-1644), a serviço da Holanda, foram considerados os melhores até então executados: sua História das Coisas Naturais do Brasil (1648) e a Proginástica Matemática Americana, obra de astronomia que ficou inconclusa em razão do falecimento do autor em 1655, aos 34 anos. Marcgrave também construiu em Pernambuco, em 1639, o primeiro observatório astronômico do Hemisfério Sul.

O século XVIII inaugura a fase dos levantamentos sistemáticos sobre as características físicas do território, consoante os mais recentes estudos geodésicos levados a efeito pelos cientistas europeus que haviam iniciado campanhas sistemáticas de medições em várias partes do mundo. O matemático francês Charles Marie de La Condamine (1701-1774) foi um dos europeus que participaram dessas expedições – no seu caso, uma medida de um arco de meridiano em terras da Amazônia Peruana. Seu retorno à Europa deu-se atravessando a Amazônia Brasileira, descendo o grande rio até Belém. Seus estudos e observações geraram a Carta do Curso do Maranhão ou do Grande Rio das Amazonas em 1743 e 1744 conforme as observações astronômicas por M. de La Condamine (1745). Seus escritos sobre a natureza e a organização social das populações ribeirinhas o enquadraram como um dos melhores geógrafos do século XVIII.

É desse período também (1758-1775) a obra Tesouro Descoberto no Máximo Rio Amazonas, do padre jesuíta João Daniel, preso e expulso do Brasil em 1757, encarcerado em Lisboa por 18 anos, até sua morte, em 1775. Durante essa fase, ele escreveu uma verdadeira enciclopédia de 766 páginas sobre a natureza, os seres humanos e a cultura da Amazônia, dividida em seis partes: Geografia, História, População, Flora, Fauna, Fazeres e Saberes. Cinco das seis partes do manuscrito de João Daniel chegaram ao Brasil em 1808, com a corte de D. João VI, e a sexta foi encontrada na Biblioteca de Évora. A versão completa do manuscrito foi organizada em 1976 e uma edição foi impressa no Brasil em 2004 pela editora Contraponto, do Rio de Janeiro (DANIEL, 2004).

As questões de limites entre os reinos de Portugal e Espanha introduziram um novo componente nos estudos geográficos: a necessidade de mensurações sistemáticas dos respectivos territórios e a constante atualização cartográfica das linhas de fronteira. Na esteira desses trabalhos, foram conhecidas novas áreas do interior do Brasil. Alexandre de Gusmão (1695-1753) organizou o Mapa dos Confins do Brasil com as Terras de Espanha na América Meridional (1749), que subsidiou as negociações do Tratado de Madri em 1750. Nessa mesma época, outros grupos de geógrafos mapearam as fronteiras ao sul com o Uruguai, além de estabelecerem os novos limites para o novo Tratado de Santo Ildefonso de 1777, que praticamente definiu as atuais fronteiras brasileiras.

O fim do século XVIII marca o início de nova fase nos estudos da Natureza e do povoamento do Brasil. Alexandre Rodrigues Pereira foi o primeiro brasileiro nato a chefiar uma equipe de pesquisa da Universidade de Lisboa com a incumbência de levantar informações sobre a região amazônica entre 1785 e 1788. Todo o seu material, depositado no Real Gabinete de História Natural em Lisboa, foi confiscado pelo comandante das tropas francesas que invadiram Portugal em 1808, general Junot, e quase todo o acervo foi transferido a Paris, para uso do naturalista Étienne Geoffroy Saint-Hilaire (1772-1844). Em 1815, Portugal recupera esse acervo e em 1842 o repassa ao Brasil.

No século XIX é editada a primeira obra de compilação geográfica do Brasil, Corografia Brasílica (1817), do padre Manuel Aires de Casal. Paralelamente, outros geógrafos, geralmente envolvidos com os governos provinciais, organizam quadros de referência geográfica de diversas áreas do país, principalmente nas regiões Norte e Centro-Oeste. Em 1869 é editado o primeiro trabalho geográfico especializado, orientado a um só assunto: Navegação Interior do Brasil, de Eduardo José de Morais, um perito em hidrografia que organizou a primeira classificação das bacias hidrográficas brasileiras e lançou a ideia de ligação entre bacias através de canais ou ferrovias.

Nesse século, aumenta substancialmente a participação de cientistas europeus na geografia brasileira, exemplificada nos trabalhos de Amedée Ernest Barthélemy Mouchez sobre o litoral do país; Alexander von Humboldt (1769-1859), sobre biogeografia da Amazônia; John Mawe, sobre condições de vida da população; Wilhelm Luwig Eschwege (1777-1855), sobre geologia e geomorfologia; a dupla Johanan Baptist Spix (1796-1870) e Karl Friedrich Philipp von Martius (1794-1868), sobre botânica e etnologia; Auguste de Saint-Hilaire (1779-1853), sobre biogeografia e geografia geral; Louis Rodolphe Agassiz (1807-1873), sobre biogeografia e geomorfologia; e Elisée Reclus (1830-1905), sobre geografia regional.

Ainda no século XIX, são fundados o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (1838) e a Sociedade Brasileira de Geografia (1883). Na transição para o século XX, dois brasileiros deram grande contribuição aos estudos geográficos: o general Cândido Mariano da Silva Rondon (1865-1958), ao explorar sistematicamente o Noroeste do Brasil e José Maria da Silva Paranhos, o Barão do Rio Branco (1819-1880), ao estudar detalhadamente as regiões de fronteiras do país. Também nesse período o enfoque interpretativo na Geografia inicia o seu combate aos tratados descritivos estanques – Capistrano de Abreu e Euclides da Cunha são os expoentes dessa corrente.

Outro autor a tratar das pesquisas geográficas entre 1879 e 1930 foi Lia Osório Machado (MACHADO, 1995). Sua análise estrutura-se nas obras de cinco importantes pesquisadores: João Capistrano de Abreu (1852-1927), Gentil Moura (1868-1929), Eduardo M. Trindade (1885-1959), Carlos Delgado de Carvalho (1884-1980) e Everardo Backheuser (1879-1951).

Capistrano de Abreu, considerado um dos fundadores da moderna História do Brasil, gestada no início do século XX, e também profundo estudioso da Geografia alemã, traduziu para o português diversas obras que tratavam do Brasil, além de compêndios metodológicos como o Antropogeographie, de Friedrich Ratzel. Apesar de não publicado no Brasil, foi o principal material de divulgação das ideias de Ratzel por Capistrano de Abreu.

Das três obras desse autor analisadas por Lia Machado, a que mais interessa a este trabalho é “A geografia no Brasil”, publicada no Almanaque Brasileiro Garnier de 1904, onde Capistrano de Abreu faz uma apreciação crítica dos estudos geográficos brasileiros até então. Trata-se de um artigo pioneiro no que tange à distinção entre dois estilos de fazer Geografia no início do século XX: o de enumeração de acidentes geográficos, visto como o estilo negativo, e o considerado científico, que estabelece relações entre o quadro natural e o processo de ocupação humana. Lia considera que nesse artigo aparece a primeira citação às ideias de Fredrich Ratzel sobre antropogeografia feita na literatura de língua portuguesa no Brasil.

Em sua avaliação, Capistrano de Abreu cita como precursores do estilo científico de fazer Geografia alguns pesquisadores que trabalharam no campo das ciências da natureza, geólogos, paleontólogos e naturalistas como Wilhem von Eschwege (1777-1855), Louis (Jean) Rodolphe Agassiz (1807-1873), Charles Hartt (1820-1878) e Orville Derby (1851-1915).

O trabalho do engenheiro civil Gentil de Moura (1868-1929), “A Geografia Nacional”, fruto de conferência proferida no 2o Congresso Brasileiro de Geografia, realizado em São Paulo em 1910, reafirma um processo de mudança nos modos de lidar com os fatos geográficos no início do século XX, apontando o gradual afastamento da memorização, via corografia, com o enfoque em estudos classificatórios que consideram vinculações entre vários segmentos do conhecimento, tanto nas ciências da natureza quanto nas humanas.

Visão semelhante foi também apresentada por outro engenheiro militar e professor de Geografia da Escola de Estado-Maior do Exército, Eduardo M. Trindade (1885-1959), por ocasião de sua alocução de posse na Sociedade de Geografia do Rio de Janeiro em novembro de 1918, posteriormente publicada na Revista da Sociedade Geográfica do Rio de Janeiro, nº 28, em 1923. Ele trata da fase de cientificismo que começou a ocorrer na Geografia, com a visão de processo de Willian Morris Davis (1850-1934); na Geomorfologia, com os estudos sobre a relação Ser Humano/Natureza; no Possibilismo de Vidal de La Blache (1845-1918); e na Antropogeografia de Ratzel.

Essa tendência de se considerar moderna uma Geografia que opera mais correlações entre processos físicos e humanos do que memorizações locacionais aparece bem claramente nos trabalhos de Carlos Delgado de Carvalho (1884-1980) e de Everardo Backheuser (1879-1951).

O ensaio de Lia Machado enfoca com detalhe o artigo de Delgado de Carvalho “Geografia: sciencia da natureza”, publicado em 1927, no nº 32 da Revista da Sociedade Geográfica do Rio de Janeiro, como produto de conferência proferida na instituição. Nele, Delgado advoga novo enfoque para os estudos geográficos: a explicação”, resultado das vinculações entre diferentes elementos, tanto da natureza quanto da sociedade. Lia percebe neste termo uma curiosa combinação de diferentes concepções, onde se misturam a Geomorfologia evolucionista de Willian Morris Davis, o ambientalismo de Ellsworth Huntington (1876-1947), com suas pulsações climáticas, e a noção de individualidade geográfica, atribuída por Delgado a Lucien Febvre (1878-1956), como assinala Lia Machado, e não a Ritter, nem a Ratzel, nem a Vidal”.

Delgado de Carvalho, juntamente com Everardo Backheuser, nos anos 1920, dirigia o mais importante curso livre de Geografia do Rio de Janeiro, sendo considerado um dos mais articulados professores de seu tempo. Nasceu na França, onde estudou Ciência Política (1908), e se pós-graduou em Economia na Inglaterra (1919). Conheceu o Brasil pela primeira vez em 1906, e em 1910 publicou seu primeiro trabalho sobre o novo país, Le Brésil Meridional. Em 1913, editou seu livro mais importante, Geografia do Brasil, considerado por Nilo Bernardes (1982, p. 520-521) uma obra à frente de seu tempo e, por isso mesmo, incompreendida por boa parte de seus pares.

Percepção semelhante havia tido José Veríssimo da Costa Pereira. Ao tratar do livro O trabalho de renovação do ensino geográfico e a contribuição de Delgado de Carvalho, comentou: Delgado de Carvalho publicava, em 1913, sem êxito, na prática, um modelar trabalho didático, vazado em processos de ensino franceses e escrito com um poder de síntese e clareza admiráveis.” (PEREIRA, 1955, p. 425-426). Publicou ainda mais três obras: duas sobre aspectos físicos, Méteorologie du Brésil (1917), aproveitando os dados coletados em várias agências de governo, e Physiografia do Brasil (1923), resultado de pesquisas para preparação de suas aulas na Escola de Estado-Maior do Exército entre 1921 e 1931; e uma sobre questões políticas, Introdução à Geografia Política (1925).

Possivelmente, as relações entre os aspectos físicos e as questões geopolíticas foram alguns dos elementos que uniram Everardo Backheuser e Delgado de Carvalho nos anos 1920. Backheuser era engenheiro, com especialização em Geologia e Mineralogia, e professor na Escola Politécnica do Rio de Janeiro; além disso, envolveu-se com o grupo que se opunha ao governo de Artur Bernardes (1922-1926) – em vista disso, foi cassado, preso e, posteriormente, reintegrado em suas antigas funções.

Lia Machado levanta uma interessante vinculação entre o geólogo e o geopolítico na figura desse professor quando em 1923, durante a estada do geógrafo Otto Maull (1879-1942) no Brasil, Backheuser o convida para dar uma conferência sobre Geopolítica na Escola Politécnica e inicia, em 1925, um curso denominado Estrutura Geopolítica do Brasil.

Delgado e Backheuser foram os líderes da renovação do pensamento geográfico brasileiro nos anos 1920, juntamente com outros professores do ensino médio, como Fernando Raja Gabaghlia (1886-1965), considerado também por Orlando Valverde, em seu depoimento ao autor deste trabalho, um grande formador de opiniões e de carreiras na Geografia:

Eu sou cria do Pedro II. Colégio Pedro II ali da Av. Marechal Floriano, eu tive um professor que depois colaborou, primeiro resistiu, depois colaborou com IBGE. Chamava-se Fernando Antônio Raja Gabaghlia que depois tornou-se até diretor muito tempo, era uma personalidade muito curiosa, uma cultura invulgar e eu me lembro de aulas (…) como por exemplo, Fronteiras do Brasil e a obra de Rio Branco, sabe que eu não tomei nenhuma nota, nenhuma, meu caderno, ficou em branco naquela aula, mas ele marcou de tal maneira a minha memória, o meu entendimento de garoto, que vinte anos mais tarde, quando eu era professor de ensino médio no Colégio Souza Aguiar por exemplo, ou no Paulo de Frontin, quando eu fui dar Fronteiras do Brasil, eu ficava envergonhado comigo mesmo, porque eu, ninguém sabe, mas eu estava plagiando o Raja Gabaghlia, porque eram as palavras, os mapas na cabeça e tudo mais, eu me lembro por exemplo de citações, por exemplo sobre a colonização europeia, essa coisa toda, ele citava obras, obras em francês, em inglês (…) o nome de Morris Davis apareceu pela primeira vez na minha vida (…) os de Albert Penck e Alfred Hetner. Por exemplo, tinha um autor alemão, era um nome até pouco vulgar, e depois fui procurar numa biblioteca na Alemanha (…) em Heidelberg em 1967 (…) e essa aula eu assisti entre 1930-1931 (…) esse autor (…) Alexander Supam (…) escreveu sobre o desenvolvimento espacial das colônias, europeias em que esse, no auge do imperialismo alemão (…) esse homem escreveu no começo do século, sobre a expansão das colônias da Alemanha no mundo, e europeias (…) pois bem, ele teorizou sobre isso perfeitamente (…) uma glorificação do imperialismo da época (…) Gabaghlia estava a par da geografia mais moderna da sua época (…). (ALMEIDA, 2000, p.137)

O ensaio de Lia Osório Machado prossegue com a análise de alguns debates que ocuparam as mentes dos intelectuais brasileiros e de alguns estrangeiros no período referenciado (1870-1930), suscitando argumentações de caráter espacial, principalmente no jogo de elaborações de imagens sobre o território brasileiro, resultantes dos processos de ocupação levados a efeito pela sociedade e mediados por condicionamentos ambientais. Temas como as raças e o meio tropical, política imigratória e mestiçagem, regionalização baseada em critérios físicos e visões contrastantes sobre o território e a sociedade brasileira foram objeto de estudo de autores como Joseph Arhur de Gobineau (1816-1882), Louis Agassiz (1807-1873), Alfred Russel Wallace (1823-1913), Thomas Pompeu de Souza Brasil (1818-1877), Tristão Alencar de Araripe (1821-1908), José Couto de Magalhães (1836-1898), André Rebouças (1838-1898), Artur Orlando da Silva (1859-1916), Silvio Romero (1851-1914) e Euclides da Cunha (1866-1909) – além das teses polêmicas de Francisco José de Oliveira Viana (1885-1951) a respeito da precedência do interior (sertão) sobre o mundo urbano ou sobre o “branqueamento” da raça, via miscigenação europeia, que foram motivo de intensas querelas intelectuais.

Por suas análises argutas sobre os processos de adaptação e de “abrasileiramento” das matrizes de pensamento geográfico europeias, com vistas à institucionalização da Geografia que viria a ocorrer na década de 1930, o ensaio de Lia O. Machado tornou-se referência imprescindível para uma compreensão mais ampla da evolução do discurso geográfico no Brasil.

O caráter científico da Geografia brasileira estabelece-se em meados dos anos 1930, com a formação institucionalizada de cursos universitários de Geografia em São Paulo e no Rio de Janeiro – orientados por professores estrangeiros, como Pierre Deffontaines, Francis Ruellan, Pierre Mombeig, e brasileiros, como Everardo Backheuser, Delgado de Carvalho e Fernando Raja Gabaghlia no Rio de Janeiro e Aroldo de Azevedo em São Paulo –, a fundação da Associação dos Geógrafos Brasileiros e a criação, em 1937, do Conselho Nacional de Geografia (IBGE, a partir de 1938) – agência do Governo Brasileiro encarregada de subsidiar o planejamento territorial do Brasil – e, posteriormente, com a ampliação dos cursos de Geografia em algumas capitais estaduais, principalmente nas décadas de 1940 e 1950.

2 A ESTRUTURAÇÃO DAS ÁREAS DE GEOGRAFIA E SUAS PRINCIPAIS INSTITUIÇÕES

2.1 AS UNIVERSIDADES

A abertura dos primeiros cursos de Geografia no Brasil, nos anos 1930, foi resultado do esforço do governo Getúlio Vargas, principalmente por seus ministros da Educação, Francisco Campos e Gustavo Capanema, e das Relações Exteriores, Afrânio de Mello Franco e José Carlos de Macedo Soares, além da iniciativa do governador de São Paulo, Armando Sales de Oliveira, que instituiu a Universidade de São Paulo (1934), no sentido de estruturar o sistema universitário brasileiro, até então constituído por fragmentado conjunto de cursos livres, em sua maioria de medicina, farmácia, engenharia (politécnicas) e direito.

A preocupação em dotar o Brasil de um sistema universitário que fixasse o padrão do ensino superior no país fez o governo federal negociar com a França a vinda de uma missão de professores para dar início à estruturação de cursos superiores de filosofia, ciências e letras, no bojo da política de implantação de universidades públicas no Rio de Janeiro e em São Paulo.

No caso específico da Geografia, o naturalista e botânico Alberto José Sampaio, ao participar em 1931 do Congresso Internacional de Geografia, patrocinado pela União Geográfica Internacional (UGI) em Paris, pôde entabular negociações com a diretoria da UGI que garantiram a visita, em 1933, do secretário-geral da UGI, o Professor Emmanuel De Martonne.

A visita de De Martonne ao Brasil marcou uma etapa importante, posto que sua influência nos meios acadêmicos franceses possibilitou a vinda de professores recém-doutorados, ou em fase final de doutoramento, para organizar os cursos formais de Geografia em São Paulo (1934) e no Rio de Janeiro (1935).

Em São Paulo, a USP desenvolveu-se sem grandes atropelos; mas no Rio de Janeiro, então capital de República, uma disputa acadêmica e política envolveu duas instituições: a Universidade do Distrito Federal (UDF) – criada em 1935 sob a liderança de Anísio Teixeira, diretor do Departamento de Educação do Distrito Federal, e apoiada pelo prefeito do DF, Pedro Ernesto – e a Universidade do Brasil (UB), um projeto do governo federal, iniciado pelo ministro Francisco Campos e implementado por Gustavo Capanema entre 1937 e 1939, principalmente após a dissolução da UDF.[1]

O processo de dissolução da UDF iniciou-se no mesmo ano de sua inauguração, com a derrota da insurreição de novembro de 1935, levada a cabo pela frente política Aliança Nacional Libertadora, que ficou conhecida por Intentona Comunista, chefiada por Antonio Maciel Bonfim (o Miranda) e Luis Carlos Prestes e apoiada pelo Partido Comunista da União Soviética. No expurgo que se seguiu ao incidente, tanto Anísio Teixeira quanto Pedro Ernesto perderam seus cargos e a UDF, apesar de continuar suas atividades, em 1939 foi extinta e seu acervo passou a fazer parte da nova UB.

No corpo docente da UDF havia o melhor da intelectualidade brasileira fora de São Paulo e, além dos franceses Pierre Deffontaines, Philippe Arbos (Geografia), Henri Hauser, Henri Troncon e Eugène Albertini (História), Robert Garic (Literatura), Émile Brehier (Filosofia), estavam intelectuais brasileiros do porte de Heitor Villa-Lobos, Candido Portinari e Arnaldo Estrela (Artes), Victor Lenz, Lélio Gama, Luís Dorthworth (Ciências), Sergio Buarque de Holanda, Prudente de Morais Neto, Afonso Arinos de Mello Franco e Josué de Castro (Letras e Ciências Sociais).

No curso de Geografia e História, além de Deffontaines e Arbos, estavam os professores Carlos Delgado de Carvalho, os irmãos Raja Gabaghlia, Fernando Antônio e João Capistrano (Fisiografia e Prática de Geografia), José Junqueira Schmidt, Ernesto Street (Geografia Humana), Afonso Arinos (História da Civilização do Brasil), Francisco Campos (História das Doutrinas Políticas), João Baptista de Mello e Souza (História da Civilização da América), Jayme Coelho (História da Antiguidade), Roberto Accioly (História da Civilização Romana), Henri Hauser e Sergio Buarque de Holanda (História Moderna e Economia), Alberto Betim Paes Leme (Geografia Regional), Christóvam Leite de Castro (Desenho Cartográfico) e Mathias de Oliveira Roxo (Geologia e Paleogeografia).

Com a dissolução da UDF em 1938 e a criação da UB em 1937, com efetiva organização em 1939, o curso de Geografia e História continuou nos mesmos moldes da extinta UDF, mas com algumas mudanças no corpo docente: Deffontaines retorna à Europa, Fernando Antônio Raja Gabaghlia retorna à sua antiga cátedra no Colégio Pedro II e assume uma consultoria técnica no IBGE e também a cátedra de Geografia Humana no Instituto La-Fayette, embrião da futura Universidade Estadual do Rio de Janeiro.

Os principais professores da primeira fase da UB foram Victor Ribeiro Leuzinger e Maria Luiza Fernandes (Geografia Física), André Gilbert, Josué de Castro e Lucy de Abreu (Geografia Humana), Carlos Delgado de Carvalho, Wanda de Mattos Cardoso Torok, Hilgard O´Reilly Sternberg e Maria do Carmo Galvão (Geografia do Brasil), Francis Ruellan (Geomorfologia), Arthur Ramos de Araújo Pereira, Marina São Paulo Vasconcelos (Antropologia e Etnografia), Christóvam Leite de Castro (Cartografia), Jorge Zarur (Geografia Regional e Cartografia), Fábio de Macedo Soares Guimarães (Geografia Regional Americana) e Héldio Lenz César (Cartografia e Fotogrametria).

Como professores visitantes lecionaram Lynn Smith e Pierre Dansereau (1946), Max Sorre (1947), Preston James e Lucien Febvre (1949), Pierre Deffontaines (1952, 1953, e 1956) e Carl Troll (1956).

Dos professores citados, quatro tornam-se catedráticos e assumiram a liderança acadêmica da Geografia da UB nos anos 1950-1960: Josué de Castro (Geografia Humana), Victor Leuzinger (Geografia Física) e Hilgard O´Reilly Sternberg (Geografia do Brasil). Desses, o mais importante como difusor do espírito de pesquisa foi Hilgard, vice-presidente da UGI nos anos 1950, que conseguiu trazer para o Rio de Janeiro a Reunião da UGI em 1956 e na UB fundou o Centro de Pesquisas de Geografia do Brasil (CPGB) – estrutura que resistiu até os anos 1970, quando houve a reforma universitária que alterou a composição interna da atual UFRJ. Em 1964 transferiu-se para a universidade de Berkeley como professor vitalício e até 2006 ainda se mantinha produtivo, orientando pesquisadores americanos e brasileiros em assuntos relacionados com a Geografia do Brasil.

Em São Paulo, a criação da USP em 1934 e o acordo do governo brasileiro com o governo francês, intermediado por Emmanuel De Martonne, fez chegar à USP uma parte da missão francesa com professores do calibre de Pierre Deffontainnes, Pierre Monbeig e Pierre Gourou (Geografia), Fernand Braudel (História), Roger Bastide (Sociologia). Juntam-se a eles professores paulistas como Aroldo Edgard de Azevedo, Ary França, João Dias da Silveira, Nice Lecoq Muller, Aziz Nacib Ab´Saber e outros. Desses, Pierre Monbeig e Aroldo de Azevedo tornaram-se os líderes intelectuais das subsequentes gerações de geógrafos paulistas, formando a chamada Geografia Paulista, fortemente influenciada pela escola francesa. Criou-se uma massa crítica de professores, capaz de disseminar a Geografia da USP por todo o interior de São Paulo e estados vizinhos. A posterior implantação dos cursos na Universidade Estadual Paulista (UNESP) e a forte influência de docentes com pós-graduação na USP, em universidades federais de Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina, Goiás e Tocantins, mostram a força da Geografia da USP.

Na região Nordeste do Brasil, dois núcleos destacaram-se nos 1940 e 1950: Recife (Pernambuco) e Salvador (Bahia). A Faculdade de Filosofia do Recife, foi criada em 1943 e a de Salvador, em 1958. No Recife os dois principais líderes foram Gilberto Osório de Andrade (Geografia Física) e Mario Lacerda de Mello (Geografia Humana). Dos anos 1960 aos 1990, Manuel Correa de Andrade (Geografia Econômica) exerce sua liderança acadêmica.

Em Salvador, inicia-se a liderança de Milton Santos, após o seu doutoramento em Strasburgo (França), na formação do curso de Geografia, em 1958, e na criação do Laboratório de Geomorfologia e Estudos Regionais, com a colaboração de Tereza Cardoso da Silva. Após o golpe militar de 1964, Milton Santos vai para o exílio na França e, posteriormente, trabalha em várias universidades nos Estados Unidos, Canadá, Venezuela, Inglaterra, Tanzânia e retorna ao Brasil em 1977. O laboratório desenvolve-se sob a direção de Teresa Cardoso e o auxílio de professores franceses como Jean Tricart.

Na região Sul, o polo que mais se destacou na pesquisa e no ensino de Geografia foi Florianópolis (SC), tendo contribuído para isso as lideranças dos professores João Dias da Silveira, Victor Antônio Peluso Júnior e João José Bigarella. Posteriormente, as contribuições de Carlos Augusto de Figueredo Monteiro e Armen Mamigonian tornaram o curso de Geografia da UFSC um dos mais destacados do país.

No início do século XXI existem 29 cursos de pós-graduação (14 somente com mestrado e 15 com mestrado e doutorado). O site da Coordenação de Aperfeiçoamento do Ensino Superior (CAPES) www.capes.gov.br é uma boa fonte de informações sobre a produção acadêmica brasileira, onde a Geografia está bem representada.

2.2 O SISTEMA DE PLANEJAMENTO TERRITORIAL BRASILEIRO

São muitas as formas de interpretação dos processos de criação e desenvolvimento do que se poderia chamar de Sistema de Planejamento Territorial Brasileiro.[2] Os trabalhos de Antônio Carlos Robert Morais sobre este assunto, referentes ao período do Brasil colonial, são bons exemplos dessas múltiplas formas de abordagem do tema (MORAIS, 1983, 1988, 1991). Maurício de Almeida Abreu também trabalhou a questão, sob o ponto de vista da relação entre o esquema jurídico colonial português com a apropriação do território e suas configurações espaciais, legadas ao Brasil. (ABREU, 1997).

No entanto, considerando o marco político-administrativo da Revolução de 1930,[3] é possível argumentar que os responsáveis pelo gerenciamento do aparato de Estado do governo Getúlio Vargas foram os que mais se preocuparam com as questões referentes ao controle do território de forma mais abrangente, principalmente levando-se em conta que a questão da unidade político-territorial brasileira no final da República Velha[4] era assunto delicado, pois as elites de estados fortes, tanto no campo político quanto no militar, a exemplo de São Paulo, Minas Gerais ou Rio Grande do Sul, poderiam criar movimentos emancipatórios, pondo em risco a unidade nacional – como São Paulo e Rio Grande do Sul efetivamente fizeram no início dos anos 1930.

O exemplo de São Paulo em 1932, embora revestido de roupagem constitucionalista, contra a tendência fortemente ditatorial, já cristalizada no primeiro ano do governo “provisório” de Getúlio Vargas, mostrou que a manutenção dessa “unidade nacional” teria de passar por vários caminhos, além do militar e da representação política clássica. A intermediação técnica era uma delas; mas como estruturar um sistema de organização do aparelho estatal num território imenso e com tantas particularidades regionais?

Das inúmeras experiências realizadas no governo Vargas, as de maior notoriedade foram a criação do Departamento Administrativo do Serviço Público (DASP), em 1938, sob a orientação de Luís Simões Lopes, e do Instituto Nacional de Estatística, em 1934/1936, agência embrião do futuro Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), organizado por Mário Augusto Teixeira de Freitas.

Desses grandes articuladores, provavelmente, quem combinou maior visão de futuro com o mais alto grau de experiência em gerenciamento de informações territoriais, adquirida ao longo dos anos 20 em Minas Gerais, foi Mário Augusto Teixeira de Freitas, o delegado-geral do Recenseamento do Estado de Minas, criador de eficiente sistema de gerenciamento de informações, que cobria todos os municípios do território mineiro. Por sua atuação tão inovadora, foi convidado a apresentar suas 33 teses, no dia 12 de outubro de 1930, na 1a Conferência Nacional de Estatística, sob a denominação Algumas novas diretivas para o desenvolvimento da estatística brasileira (FREITAS, 1994).

Tal apresentação não se realizou em virtude dos acontecimentos que culminaram com o golpe de Estado de outubro de 1930, mas a figura de Teixeira de Freitas ficou claramente marcada nas mentes de alguns responsáveis pelos novos destinos do Estado brasileiro, como no caso do militar Juarez Távora, ministro da Viação em 1930 e da Agricultura entre 1932 e 1934, um dos participantes do “Gabinete Negro”, que se reunia todas as noites do mês de novembro de 1930, no Palácio Guanabara, para traçar esses destinos, juntamente com José Fernandes Leite de Castro, Osvaldo Aranha, Ari Parreiras, José Américo de Almeida, Pedro Ernesto Batista e João Alberto (PANTOJA; CAMARINHA, 1984, p. 3317) e Francisco Campos, titular do recém-criado Ministério da Educação e Saúde Pública (MALIN; PENCHEL, 1984).

As articulações entre Teixeira de Freitas e Juarez Távora/Francisco Campos, durante os primeiros anos da década de 1930, geraram ações de grande importância para a criação de um sistema de planejamento centrado no gerenciamento de informações coletadas junto aos municípios. Essas informações englobariam amplo leque que cobriria características físicas e ambientais, geodésico-cartográficas e estatísticas as mais diversas, abrangendo a produção, a circulação e o consumo, a infraestrutura econômico-social e o aparelho do Estado em todas as suas instâncias. Juarez Távora, em suas memórias, (TÁVORA, 1974, p. 96-98), explicou com clareza esse processo de aproximação entre suas necessidades de possuir um sistema estatístico de produção agrária e as ideias mais abrangentes de uma agência estatística nacional, sonhada por Teixeira de Freitas.

A experiência de Teixeira de Freitas, adquirida em Minas Gerais através de seu modelo de gerenciamento, centralizava fortemente as decisões operacionais nas mãos de um supergerente. Mas, durante o processo de normatização das informações, foi democraticamente partilhada pelos produtores e usuários dos dados a serem coletados. A participação de representantes das diversas secretarias estaduais e mesmo de delegações da esfera municipal de grandes cidades garantia uma ampla aceitação de seu modelo, além de consolidar uma estrutura de eficiência, pois praticamente todas as instâncias do governo ficavam comprometidas com o projeto.

Esse projeto de superagência de informações, denominada Instituto Nacional de Estatística, abrangendo a totalidade do território nacional em quase todos os aspectos, foi um dos principais fatores de coesão do governo Vargas. Sua estrutura de representações contemplava todas as instâncias do governo, caracterizando o que se pode definir como Agência do Poder Central Capilarizada. Ou seja, um órgão de informações diretamente subordinado ao Gabinete da Presidência da República, alcançando a instância municipal, mas com importante característica: as decisões sobre suas estratégias de ações eram tomadas de forma colegiada no Conselho Superior de Estatística. Apenas para fins de comparação, as agências do Departamento de Correios e Telégrafos também apresentavam alta capilaridade, mas não possuíam tal representatividade junto ao poder central.

O projeto de Teixeira de Freitas constituiu-se, portanto numa ação de governo da mais alta importância para Getúlio Vargas, e seus maiores incentivadores foram, sem dúvida alguma, Juarez Távora, possivelmente por sua experiência de interior brasileiro como “Tenente”, junto à Coluna Prestes na década de 1920, e Francisco Campos, por sua visão modernizadora do ensino universitário e da saúde pública num país carente de informações.

Portanto, os anos 1930, principalmente a segunda metade, foram de muito trabalho para Teixeira de Freitas e seus auxiliares diretos, pois nesse período as noções de integração técnica entre Estatística, Geografia e Cartografia tomaram corpo, principalmente em termos de preparação das equipes de profissionais que iriam gerenciar a agência a partir da década de 1940.

Convênios internacionais para a organização de cursos universitários (a vinda de professores franceses para iniciarem os cursos de Geografia, em São Paulo e no Rio de Janeiro, e de especialistas austríacos em Geodésia são alguns exemplos dessas atividades paralelas). Além disso, foi preciso articular com as diversas categorias profissionais da época os nomes dos conselheiros que iriam participar tanto técnica quanto politicamente do novo instituto.

É importante lembrar que, nesse período, a representação dos engenheiros (civis e militares) juntamente com os bacharéis de direito eram as duas maiores forças profissionais com que o governo contava para suas ações. E foi nessas categorias que a maioria dos conselheiros técnicos foi escolhida. Além disso, Teixeira de Freitas cooptou auxiliares diretos que, na década de 1940, tornaram-se a elite dirigente do IBGE, como Cristóvão Leite de Castro, engenheiro, responsável pelo serviço de estatísticas territoriais do Ministério de Agricultura e principal gerente organizador do núcleo de profissionais que iriam formar primeiramente o Conselho Brasileiro de Geografia, mais tarde transformado em Conselho Nacional de Geografia.

2.2.1 O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

Criado pelo Decreto-lei nº 218, de 26 de janeiro de 1938, o IBGE, na realidade, foi apenas uma mudança de nomes de agências federais de Estatística e Geografia já existentes. O decreto, cujo subtítulo era “Muda o nome do Instituto Nacional de Estatística e do Conselho Brasileiro de Geografia”, em suas considerações iniciais esclarecia:

O Presidente da República dos Estados Unidos do Brasil, no uso das atribuições que lhe confere o artigo 180 da Constituição da República:

Atendendo à estrutura definitiva com que ficou o Instituto Nacional de Estatística, ex-vi dos decretos nos 24.609, de 6 de julho de 1934, 1.200, de 17 de novembro de 1936 e 1.527, de 24 de março de 1937;

Considerando o que propuseram o Conselho Nacional de Estatística e o Conselho Nacional de Geografia, respectivamente, pelas “Resoluções” nos 31 e 5, de 10 e 13 de julho de 1937;

Considerando, ainda, a conveniência de uniformidade na designação dos órgãos deliberativos do Instituto,

Decreta:

Art. 10 O Instituto Nacional de Estatística passa a denominar-se Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, ficando ambos os seus órgãos colegiais de direção – o de Geografia e o de Estatística – com a denominação de “Conselho Nacional”.

Portanto, a estrutura já existia formalmente desde julho de 1934 e operacionalmente desde 1935-1936. Além disso, sua abrangência nacional, até o nível de município, também já havia sido determinada por ocasião da criação do Instituto Nacional de Estatística.

A saga de implantação dessas agências inicia-se nos primeiros meses do governo revolucionário que sucede ao golpe militar, consolidado em 3 de outubro de 1930 pelos generais Tasso Fragoso, Mena Barreto e Isaías Noronha, que passam o comando do país para Getúlio Dorneles Vargas em 3 de novembro de 1930. Getúlio Vargas inaugura o processo político-jurídico-administrativo, que ia muito além do simples intervencionismo estatal, pois a principal preocupação de Vargas era dotar o aparelho estatal de imagem claramente nacional e não apenas de referência ao poder do Palácio do Catete, no Rio de Janeiro (capital federal), ou mesmo de caráter pessoal.

A criação dos ministérios do Trabalho, Indústria e Comércio e da Educação e Saúde Pública inicia a série de modificações na estrutura político-administrativa do novo governo. A criação de uma agência federal de Estatística seria uma das ações que objetivava a centralização dos órgãos de informação que subsidiariam a administração federal. Tais modificações não aconteceram sem lutas burocráticas entre ministérios, principalmente entre os novos e os antigos.

No caso do Instituto Nacional de Estatística, criado em 1934-1936, pelo menos quatro ministros – Juarez Távora, Agricultura; Francisco Luís da Silva Campos, Educação e Cultura; Osvaldo Aranha, Fazenda; e Francisco Antunes Maciel, Justiça e Negócios Interiores – lutaram pelo fortalecimento ou pelo enfraquecimento dessa agência.

A importância que revestia um órgão como esse tem fundamentos políticos muito precisos para aquele período. Nos anos subsequentes a 1930 e após o golpe instaurador do Estado Novo de 1937 a 1945 (SCHWARZTMAN, 1982), o governo federal desenvolveu uma estratégia de criação de agências especializadas que exigiam pessoal técnico qualificado, mas não estariam espacialmente concentradas no Rio de Janeiro, e sim disseminadas por grande parte do território nacional, se possível em nível de município, para que a sociedade percebesse, a partir daquele momento, que o diálogo poderia ser travado diretamente com o governo federal, sem intermediações das políticas locais ou estaduais. Nesse diálogo, o porta-voz do governo federal seria um técnico; nas palavras de Edson Nunes (1997, p. 18), estava isolado das disputas políticas”. A combinação entre conhecimento técnico e a investidura de poder federal garantia o que Nunes (1997, p. 18) chama de insulamento burocrático, uma das quatro gramáticas que organizam as relações entre o governo e a sociedade: clientelismo, corporativismo, insulamento burocrático, e universalismo de procedimentos.

Para esse autor, é justamente no governo de Vargas que as três últimas gramáticas são introduzidas e incorporadas ao clientelismo preexistente. Segundo ele (1997, p. 102), “(…) o corporativismo constitui, sem dúvida, uma de suas parcelas mais importantes. As tentativas de implantação tanto do universalismo de procedimentos quanto do insulamento burocrático não foram bem-sucedidas nem tiveram tanto apoio quanto os regulamentos corporativistas”.

É importante considerar que as duas primeiras fases do governo Vargas (1930-1937 e 1938-1945) estavam referenciadas a esquemas ideológicos de corte autoritário. Esse período foi muito bem analisado por Jarbas Medeiros em sua obra Ideologia autoritária no Brasil – 1930-1945 (MEDEIROS, 1978), ao selecionar o ideário de cinco intelectuais que contribuíram com o regime sob diferentes formas e tiveram papel influente na estruturação jurídico-político-administrativa do Estado Novo: Francisco Campos, Oliveira Vianna, Azevedo Amaral, Alceu do Amoroso Lima e Plínio Salgado.

Raimundo Faoro, em seu prefácio à obra de Medeiros, comenta sobre os personagens:

Pertencem à categoria algo difusa, algo identificável, dos intelectuais. Intelectuais que, em algum momento, incorporaram-se ao aparelhamento do Estado, fizeram leis ou as influenciaram e fizeram constituições ou influenciaram sua feitura. Membros da elite, elitistas todos, conquistaram o casaco de veludo do mandarinato.

(p. XII)

Com esse pano de fundo jurídico-político-administrativo deve-se avaliar o papel das agências de Estatística e Geografia que vieram a gerar o IBGE. O órgão, nos seus primeiros anos, foi um exemplo típico de instituição do insulamento burocrático, utilizando fortemente o universalismo de procedimentos para a qualificação de seus quadros técnicos. Entretanto, apesar desses mecanismos iniciais, sua história não é imune a controvérsias criadas justamente por esquemas corporativos e algumas pitadas de clientelismo.

Na análise de todo o período de existência do IBGE percebe-se quatro fases distintas, quanto à sua relação com o poder central da República. Entre 1934 e 1967 a agência esteve vinculada diretamente à Presidência da República, e seus servidores regidos pela legislação do funcionalismo público. Entre 1967 e 1990, por força do Decreto-Lei nº 161, de 13/02/1967, a agência transforma-se em Fundação IBGE e seus servidores passam a ter contratos de trabalho, da mesma forma que as empresas da iniciativa privada. Sua vinculação hierárquica passa a fazer parte do núcleo ministerial do governo, geralmente coordenado por um ministro do Estado (Planejamento ou Fazenda). A partir de 1990, o IBGE retorna ao Regime Jurídico Único, transferindo todos os seus funcionários, anteriormente regidos pela C.L.T. (Consolidação das Leis do Trabalho), para a esfera do funcionalismo público federal. Em 1993, o IBGE passa a fazer parte do sistema de agências vinculadas à estrutura de ciência e tecnologia do governo federal, continuando sua ligação com a estrutura do serviço público federal.

Em 2001, no limiar do século XXI, tentou-se dar andamento a uma nova mudança de vinculação a fim de transformar o IBGE em agência executiva do governo, com autonomia financeira e liberdade de contratação por C.L.T. para projetos específicos. Isso pode ser verificado através dos vários concursos públicos que ocorreram no período.

No que concerne aos aspectos jurídicos e políticos, a criação do IBGE já foi devidamente tratada por três autores da casa: Gonçalves (1995), Penha (1993) e Almeida (2000). A advogada Jayci de Mattos Madeira Gonçalves organizou de maneira sistemática o arcabouço jurídico que sustentou legalmente as agências anteriores, tanto de Estatística, como de Geografia, até sua fusão no IBGE, além de toda a legislação que foi posteriormente incorporada para garantir o seu desempenho até hoje. O geógrafo Eli Alves Penha desenvolveu, para sua dissertação de mestrado, interessante trabalho de Geografia Política, enfocando o papel do IBGE no contexto de centralização política do Estado Novo. Igualmente, o autor deste trabalho, em sua tese de doutorado, analisou a área de Geografia ibegeana, abrangendo um período de 60 anos (1938-1998).

Tendo como marco inicial essas referências, este trabalho dispõe-se a entender o papel exercido pela Geografia do IBGE nessas gramáticas políticas estudadas por Edson Nunes, que, por coincidência, também exerceu a presidência da casa entre 1986 e 1988 (um período particularmente turbulento, em função de problemas corporativos).

Antes, faz-se necessário abordar o multifacetado ambiente IBGE, das poucas agências governamentais no mundo a operar todas as etapas de reconhecimento territorial, abarcando desde áreas de pesquisa ecológica, em sua Reserva Ecológica do Roncador, no Distrito Federal, a levantamentos socioambientais em escalas regional e nacional, indo do levantamento geodésico e cartográfico à confecção (impressão) de diferentes tipos de mapas em diferentes escalas. No campo das estatísticas, seu alcance é ainda maior, controlando todas as estatísticas básicas de demografia, infraestrutura, produção, consumo, emprego e renda, passando pela elaboração dos principais indicadores econômicos (IBGE, 1993). Essa complexa estrutura inicia suas tarefas na área do recolhimento de informações.

Rede de Coleta

A chamada Rede de Coleta é uma estrutura de Escritórios de Informações, Delegacias de Estatística e Agências Municipais de Estatística, montada a partir de 1934 (Decreto nº 24.609, de 06/07/1934) e inaugurada em 29/05/1936, cobrindo todas as unidades da federação.

Essa rede, uma das grandes obras de Mário Augusto Teixeira de Freitas na formulação inicial da estrutura do Instituto Nacional de Estatística (INE), viria a ser o IBGE da segunda metade dos anos 1930. Na capital de cada Unidade Federada localiza-se um escritório técnico, conhecido durante muitos anos por Escritório de Informações e Delegacia de Estatística. Essas entidades tornaram-se verdadeiros consulados do governo federal nos estados.

Elas são responsáveis pela coordenação das agências de coleta, localizadas nos municípios, e pelas equipes que operam em pesquisas específicas, demandando pessoal especializado. Na atualidade, as pesquisas econômicas de maior importância no IBGE são, por exemplo, a pesquisa de índices de preços (INPC), pesquisa nacional de amostra por domicílio (PNAD), pesquisa mensal de emprego (PME), e a pesquisa de orçamentos familiares (POF), utilizando contingentes de pesquisadores altamente qualificados e especialmente treinados.

Para medir o quantitativo desse pessoal especializado, tome-se como exemplo as campanhas das PNADs nos últimos 10 anos, que ocupam mais de 2 mil pesquisadores em todo o Brasil em cada operação. Quanto às atividades censitárias de 2000, o IBGE treinou 200 mil recenseadores para trabalhar em 5.507 municípios, recenseando aproximadamente 167 milhões de pessoas entre agosto e outubro.

O livro de Joaquim Ribeiro Costa, Manual do Agente Municipal de Estatística, editado em 1960, na parte em que trata dos Elementos de Organização das Agências Municipais de Estatística, no capítulo IV – Aparelhamento das Agências –, detalhou minuciosamente a estruturação mínima de uma agência-padrão, inclusive estabelecendo planta-baixa da distribuição do mobiliário e a localização dos funcionários encarregados das atividades de coleta e de divulgação de informações (COSTA, 1960).

Embora a rede de coleta possa trabalhar para levantar informações para qualquer área de pesquisa do IBGE, sua relação mais sistemática estabelece-se com a área de Estatística, através da Diretoria de Pesquisas (DPE), em campanhas de recolhimento de informações sistemáticas de variada periodicidade, indo das pesquisas mensais às anuais, cobrindo ampla gama de campanhas estatísticas econômicas e sociais.

Área de Estatística

É na área de Estatística, representada pela Diretoria de Pesquisas (DPE), que o IBGE apresenta sua imagem mais clara para a sociedade, principalmente após os anos 1970, quando as pesquisas econômicas conjunturais, como o índice de preços – que estabelecia o índice de inflação –, as taxas de emprego e desemprego, o índice de crescimento industrial e outros passaram a dar o mote para a mídia comentar o crescimento ou o decréscimo da economia nacional. Além dos indicadores econômicos, a Estatística também trabalha com indicadores sociais, informações que garantem o conhecimento da realidade social brasileira nos campos da educação, saúde, emprego, renda, acesso a serviços básicos de infraestrutura e outros.

Cabe também ao IBGE o papel de coordenador do sistema de estatísticas públicas do país, definindo novas pesquisas, estabelecendo metodologias, coordenando a organização estatística de certos setores sensíveis para a conjuntura nacional (o exemplo das estatísticas militares no período da Segunda Guerra, que o IBGE organizou juntamente com os ministérios militares, é bem interessante) e acompanhando as estatísticas das demais unidades da federação.

Os principais problemas inerentes a esse papel de coordenação podem ser mais bem compreendidos na tese de doutorado de Nelson Senra, que analisa as estatísticas sob duas óticas, a da demanda (usuários) e a da oferta (produtores), colocando a coordenação como o agente de equilíbrio entre as duas (SENRA, 1998).

Periodicamente o IBGE realiza reuniões entre os principais usuários e produtores de dados censitários (empresas governamentais e privadas, secretarias estaduais de planejamento, universidades) para sentir o pulso das demandas sobre determinado tipo de dado, ou normatizar certos procedimentos de coleta ou de apuração. Os exemplos dos índices de preços e de emprego/desemprego são alguns dos mais polêmicos, pois envolvem estruturas estatísticas muito diferenciadas, como as dos estados do Sudeste e Sul, as dos estados nordestinos ou nortistas. Cabe, pois, ao IBGE tentar o equilíbrio entre o desejável e o possível”, de que fala Nelson Senra no subtítulo de seu trabalho.

Sendo a Estatística a principal atividade-fim do Instituto, o IBGE também mantém uma forte tradição na formação de profissionais de nível superior através de sua Escola Nacional de Ciências Estatísticas (ENCE), fundada em 1953, e a partir de 1984 ampliou sua oferta, oferecendo cursos de pós-graduação lato sensu nas áreas de Amostragem, Demografia e Análise de Dados. A ENCE também ministrava cursos técnicos de segundo grau de Estatística/Informática e de Geodésia/Cartografia, muito disputados. Em 1993 esses cursos foram reorientados exclusivamente para o aperfeiçoamento do pessoal da casa, tornando-se uma extensão da área de treinamento profissional.

Área de Geodésia e Cartografia

A Geodésia iniciou seus trabalhos em 1937, no bojo do Conselho Nacional de Geografia, mas assumiu sua especificidade em 1945, com a estruturação das redes altimétrica, planimétrica e gravimétrica, estabelecendo as bases para o mapeamento sistemático do país, realizado e organizado pela área de Cartografia; além de coordenar o Sistema Cartográfico Brasileiro, imprime continuamente cartas nas seguintes escalas: 1:1.000.000, 1:250.000, 1:100.000, 1:50.000, e 1:25.000, sendo também responsável pela elaboração cartográfica dos Altas do IBGE.

A incumbência legal de coordenar o Sistema Cartográfico Brasileiro dá ao IBGE forte poder normativo no que tange à Cartografia brasileira, pois são seus técnicos que definem as políticas cartográficas, seus parâmetros metodológicos e as escalas de representação dos trabalhos cartográficos. É igualmente o IBGE, juntamente com as demais forças armadas, quem determina os diferentes tipos de cartas especiais de trabalho que servem de base para essas organizações militares.

Outro importante papel da área cartográfica é o da definição precisa dos limites entre as principais unidades territoriais legalmente vigentes no país, tanto na escala municipal quanto na estadual. Em caso de litígios entre essas unidades, cabe aos cartógrafos do IBGE determinar os novos limites, normalmente arbitrados pelo Poder Judiciário, levando em consideração as negociações entre as partes, podendo ficar no terreno dos acordos entre os respectivos poderes executivos (prefeituras ou governos estaduais) ou alcançar a sociedade sob a forma de plebiscitos. É atribuição da área, ainda, dar apoio técnico às operações de mapeamento das Bases Operacionais Geográficas dos censos, oferecendo principalmente suporte técnico às prefeituras que não possuam pessoal qualificado para a confecção dos mapas.

Cabe igualmente ao IBGE auxiliar o Ministério das Relações Exteriores no acompanhamento dos limites internacionais, quando solicitado. A Cartografia participa fortemente de três outros tipos de incumbências: a delimitação dos limites de parques nacionais e de terras indígenas, a confecção das cartas aeronáuticas para a aviação civil, além da cooperação com a Força Aérea e a delimitação das projeções cartográficas dos limites municipais no oceano, para fins de demarcação das proporcionalidades de área, garantindo a divisão dos dividendos dos ganhos da comercialização do petróleo retirado da plataforma continental brasileira para os municípios costeiros que possuam projeções de seus territórios nessas áreas de extração. O exemplo dos municípios fluminenses situados em frente às áreas de exploração da Bacia de Campos e Macaé é o mais interessante.

Na faixa intermediária entre a Cartografia e a Informática encontra-se o campo das operações de Geoprocessamento, que estabelecem a produção de bases digitalizadas, visando ao georreferenciamento de pontos e linhas que determinam limites entre áreas (setores censitários, distritos, municípios, unidades federadas), componentes da infraestrutura (estradas, ferrovias, linhas de transmissão) e aspectos do meio físico (relevo, hidrografia, vegetação). Essas informações servem de suporte para mapeamentos automatizados, mais ou menos sofisticados, atualmente usados na organização de atlas e na construção de sistemas geográficos de informações, de variados níveis de detalhamento e de sofisticação, referentes às estruturas de bancos de dados (de informações alfanuméricas simples a complexas imagens e sons em tempo real, podendo ser inter-relacionadas internamente no banco ou capturadas em outros bancos, através da rede internet).

Área de Informática

Todas essas informações, tanto estatísticas quanto cartográficas, ficam disponibilizadas em bancos de dados; até o início da década de 1940, constituíam-se de fichários manuais e cartas sem muita precisão. Entre os anos 1940 e 1950, foram substituídos por sistemas mecânicos e eletromecânicos e na década de 1960, por sistemas eletrônicos, adquiridos da Remington Rand Overseas Corporation (sistema UNIVAC 1105) e da International Busines Machines (IBM) (sistema 1401). A partir da década de 1970, a IBM passou a fornecer os principais sistemas de processamento de grande porte e de teleprocessamento entre os terminais do IBGE e de algumas agências do governo federal em todo o território nacional. Para uma visão histórica desses processos deve-se consultar o trabalho de Freire (1993), que faz parte da coleção sobre Memória Institucional do IBGE.

O gerenciamento desses bancos de dados e sua divulgação para os usuários são funções de duas áreas distintas no IBGE: a Diretoria de Informática (DI), criada em 1971, com a denominação de Instituto Brasileiro de Informática (IBI), e o Centro de Documentação e Disseminação de Informações (CDDI), criado em 1989. A área de informática tornou-se um celeiro de profissionais especializados no gerenciamento de bancos de dados de grande porte, onde a utilização de grandes computadores é prioritária.

A atual concepção de computação em rede insere o computador central como mais um elemento dessa rede integrada, qualificado para trabalhar com programas pesados, principalmente os que operam com grandes massas de dados.

O sistema computacional do início do século XXI sustenta uma grande rede de 44 servidores, localizados no Rio de Janeiro, integrando a arquitetura de 2.180 pontos de rede, onde estão instaladas 1.706 estações de trabalho. Além disso, o sistema gerencia também mais 92 servidores e 1.221 estações de trabalho, localizadas nas unidades do IBGE, em nível de capital de estado, e no Distrito Federal, estando em elaboração nova rede que interligará todas as 500 agências da rede de coleta. Portanto, o computador central, hoje, é mais um servidor a executar tarefas específicas que exigem grande capacidade de memória, como, por exemplo, rodar programas de bancos de dados de grande massa de informações, além do gerenciamento da rede.

Área de Disseminação de Informações

Ao Centro de Documentação e Disseminação de Informações (CDDI) cabe a tarefa de disseminar as informações coletadas ou geridas pelo órgão. Seu principal desafio atual é a adaptação às mídias de meio magnético e magnético-ótico, como os disquetes e CD-ROMs, além do uso intenso da rede internet, através de seus variados sites que atendem desde os pesquisadores especializados até o público infanto-juvenil, como nos casos do lançamento do site IBGE Teen e da preparação de um site para o público infantil (IBGE Kids).

No CDDI é também encontrada a área da Memória Institucional, criada em 1990 com o objetivo de identificar e organizar o acervo histórico do IBGE. Essa pesquisa, por exemplo, está gerando subsídios para a organização de um acervo de depoimentos sobre as atividades da área de Geografia e suas relações com as demais áreas da casa, além de suas tradicionais funções de gerenciamento das bibliotecas do órgão e da impressão de parte de suas pesquisas e seus estudos, que é distribuída pelos seus pontos de venda tradicionais.

Sua estrutura de atendimento, além das mídias inseridas na internet – como no caso de sua nova loja virtual, que vende os produtos do órgão na grande rede –, espalha-se obrigatoriamente até os escritórios das Divisões de Coleta (DIPECs) através dos Serviços de Difusão de Informações (SDDIs), localizados nas capitais estatuais e na maioria das agências de coleta, situadas em cidades médias, onde seja possível estabelecer um posto de venda de produtos do IBGE.

É através dessa área que o IBGE se comunica com a sociedade, utilizando uma linguagem técnica e cultural. No caso da disseminação de obras culturais, os melhores exemplos dessa política podem ser verificados em três fases distintas do órgão.

Área de Geografia

A área da Geografia, propositadamente deixada para o final, incorporada ao órgão que cuidava das estatísticas brasileiras, três anos depois de sua fundação, derivou fundamentalmente de duas necessidades com as quais o Governo Federal ressentia-se nos anos 1930: uma base cartográfica mais precisa e um conhecimento mais sistematizado do território brasileiro, tanto no contexto físico quanto no humano e econômico. Essas necessidades garantiriam o futuro do planejamento de ocupação do interior em bases mais sistematizadas, evitando-se áreas problemáticas em termos ambientais, que poderiam elevar os custos do processo.

A primeira necessidade, vinculada à estruturação de uma base cartográfica para orientar espacialmente os trabalhos do Recenseamento Geral de 1940, foi solucionada pela Lei Geográfica do Estado Novo de 1937, obrigando todos os municípios a montarem seus respectivos mapas municipais até março de 1940, para serem utilizados pelos agentes de coleta do Recenseamento. A segunda necessidade foi organizada mais lentamente, conforme os novos geógrafos eram formados na universidade e adquiriam experiência profissional, tanto em campo quanto nos bancos acadêmicos das universidades brasileiras e do exterior.

Muito embora a Geografia brasileira nos anos 1930 possuísse um razoável lastro, como fica claro nos trabalhos de Lia Osório Machado, sobre as origens do pensamento geográfico brasileiro (MACHADO, 1995, 1999), sua sistematização e sua aplicabilidade num esquema de planejamento governamental de escala nacional ainda não haviam sido tentadas.

3 O PODER DAS ESCOLAS ESTRANGEIRAS NO INÍCIO DA ESTRUTURAÇÃO DA GEOGRAFIA DO BRASIL: NAS SOCIEDADES GEOGRÁFICAS, NA UNIVERSIDADE E NO IBGE

Abstraindo a questão do planejamento territorial orientado pelo governo, tendo como agência-chave o IBGE, será igualmente importante entender como a Geografia acadêmica – vista aqui como o resultado de um complexo processo de formação universitária, mesclado com a experiência profissional e o intenso debate intelectual – tornou-se um campo novo no conhecimento das diferentes facetas físicas e humanas do espaço brasileiro.

O primeiro passo para a consolidação dos estudos geográficos deu-se através de associações culturais, como o Instituto Histórico de Geográfico Brasileiro (IHGB) de 1838 e a Sociedade de Geografia do Rio de Janeiro de 1883, atual Sociedade Brasileira de Geografia,[5] e de instituições profissionais, como a Associação dos Geógrafos Brasileiros (AGB), criada em 1938 por Pierre Deffontaines.

O segundo passo foi dado em função dos resultados de ações entre os governos do Brasil, França, Estados Unidos e Canadá. Primeiramente com a França, visando à criação dos primeiros cursos universitários de Geografia e História em São Paulo e no Rio de Janeiro, e, posteriormente, com os outros países, através do intercâmbio entre pesquisadores para aperfeiçoamento profissional.

Nessas instituições de ensino e pesquisa e de debate intelectual instituíram-se as principais arenas de discussão dos temas geográficos, como se percebe nos trabalhos de Lúcia Lippi Oliveira (1990, 1999), Lia Osório Machado (1995, 1999) e Heloisa M. Bertol Domingues (1999), que abordaram alguns dos debates ocorridos antes dos anos 1930.

Nessas arenas, diferentemente das áreas de discussão no governo, os principais temas vinculavam-se a aspectos teóricos da disciplina, principalmente aqueles relacionados às matrizes de pensamento geográfico que vigiam na Europa e nos Estados Unidos, ou, na versão mais sofisticada de Lia Osório Machado, à relação entre conglomerados ideológicos e modelos-fonte do pensamento geográfico (MACHADO, 1998, p. 197; 1999, p. 2-3).

Nilo Bernardes, em seu artigo sobre o pensamento geográfico tradicional (BERNARDES, 1982a), também aborda esses problemas conceituais e metodológicos pelos quais passou a disciplina, principalmente no período compreendido entre 1850 e 1930, quando essas questões foram apresentadas e discutidas pelos mais importantes geógrafos mundiais. Questões como a precedência entre Geografia Física e Geografia Humana, conflitos entre Determinismo e Possibilismo, a dicotomia entre Geografia Sistemática e Geografia Regional, a maior ou menor importância dos estudos corológicos e da análise da paisagem foram alguns dos temas que percorreram o início do século e estavam na pauta de discussões dos professores que organizaram os primeiros cursos universitários oficiais da USP e da UDF e, logo depois, o da Universidade do Brasil (UB).

A partir desses cursos, o poder das escolas de pensamento geográfico (francesa hegemonicamente, com algumas ligações com a alemã e, posteriormente, a americana) se fez sentir na formação dos geógrafos brasileiros.

Considerando algumas figuras de geógrafos franceses – Emmanuel de Martone, Pierre Deffontaines, Pierre Mombeig, Pierre Gourou, Francis Ruellam, Jean Tricart e Michel Rochefort – como as principais fontes de conhecimento geográfico (nada menos de três gerações de profissionais, após 1935, tanto do IBGE quanto da universidade, no sentido mais geral), percebe-se a incontestável hegemonia da escola francesa.[6] Os compêndios de estudo que embasavam suas disciplinas ou eram de autoria de algum deles ou eram especificamente indicados por eles, como as obras de Vidal de La Blache, Jean Brunhes, Camille Vallaux, André Cholley e outros.

Essa predominância da escola francesa foi confirmada, em seus depoimentos, pela maioria dos geógrafos que ingressaram no IBGE entre 1938 e 1968.[7]

Todo o processo de aprendizado profissional foi o principal mecanismo de consolidação de uma tradição do pensamento francês na Geografia brasileira, sobretudo no IBGE, que incluía, além dos métodos e técnicas aprendidos na universidade, nos períodos de estágio no IBGE e no decorrer da vida profissional, também cursos de aperfeiçoamento em universidades e laboratórios de Geografia, a partir de 1947, em cidades francesas como Paris, Grenoble, Estrasburgo, Montpellier, Toulouse, Lyon, Bordeaux, geralmente por indicação de algum professor, como Francis Ruellan e Michel Rochefort, principalmente.

No caso da USP, em São Paulo, os importantes papéis de Pierre Mombeig e Pierre Gourou também ajudaram a consolidar a presença francesa na Geografia paulista e a disseminou por todo o interior paulista, Paraná, região Centro-Oeste e algumas áreas de Minas Gerais.

Essa tendência só não se tornou totalmente francesa, passando a sofrer também uma influência da escola americana e, indiretamente, da alemã, por conta dos caprichos da Segunda Guerra, que inviabilizou a ida de geógrafos brasileiros entre 1938 e 1947 para a Europa, e pelos esforços dos americanos em garantir igualmente um esquema de aperfeiçoamento profissional aos geógrafos do IBGE, durante o período do conflito, como parte de campanha de aproximação do governo americano, objetivando o afastamento do governo Vargas da esfera de influência do nazismo. Agências de inteligência americanas, como o Office of Strategic Service (OSS) e o Army Map Service (AMS), empregaram muitos geógrafos durante a Segunda Guerra, como Cotton Mather, Clarence F. Jones, Preston James e Richard Hartshorne (BARTON; KARAN, 1992, p. 56).

Foi através desses geógrafos que Jorge Zarur (funcionário do IBGE), convidado pelo governo americano a se especializar nos Estados Unidos, tomou contato com a escola americana de Geografia voltada ao planejamento espacial do New Deal, de Franklin Roosevelt, sendo o do Vale do Tennessee um dos principais projetos.

Jorge Zarur em 1942 vai para o mestrado em Winsconsin[8] e depois para a especialização em técnicas de trabalho de campo em Chicago, tornando-se amigo de Cotton Mather e Clarence F. Jones. Seu retorno ao Brasil surte efeito quase imediato, ao trazer o convite do governo americano para que mais cinco geógrafos do IBGE fossem estudar em universidades americanas em 1945.

Ainda com referência ao papel das relações americanas com o Brasil no campo das relações culturais durante a Segunda Guerra, o trabalho de Antônio Pedro Tota (TOTA, 2000) é importante para o entendimento das funções de outra agência, o Office of the Coordinator of Inter-American Affairs, e suas ações no campo cultural, que objetivavam a ampliação das relações culturais entre os Estados Unidos e o Brasil, na ocasião representado pelo Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), órgão da estrutura do Estado Novo.

Outro fato importante foi a vinda em 1946 de Leo Waibel, trazido por influência de Cristóvão Leite de Castro, em virtude de ótimas recomendações dadas por Fábio de Macedo Soares Guimarães e Orlando Valverde, seus alunos em Winsconsin, para trabalhar até 1950 como consultor para assuntos ligados ao processo de ocupação do território, tendo como principal ferramenta a colonização dirigida.

A importância dos trabalhos de Leo Waibel, principalmente aqueles sobre o habitat rural e núcleos de população, pode ser avaliada através de artigo que se tornou clássico, incluído no número especial de 50 anos da Revista Brasileira de Geografia em 1988 (WAIBEL, 1949). A perspectiva morfológica da escola alemã é perfeitamente sentida. Para ele:

A colonização é o problema mais fundamental do Brasil; dela depende o futuro do Brasil como potência mundial e o futuro dos trópicos como habitat para o homem branco. O problema da colonização é, naturalmente, muito complexo e o seu estudo interessa muitas ciências. Não há dúvida, porém, que dentre elas a Geografia desempenha, ou deveria desempenhar, um papel importante. O nosso modo de encarar a situação é espacial: onde há ainda terra disponível para expansão do povoamento? De que espécie é a terra? Quanta gente ela sustentaria? Qual será a melhor maneira de usar a terra? (WAIBEL apud BERNARDES, 1952, p. 75-76)

Com os trabalhos de Waibel no Brasil, corporifica-se a influência, ainda que indireta, da escola alemã de Geografia, principalmente através de Alfred Hettner (1859-1941), seu professor em Heidelberg, onde lecionou de 1898 a 1928.

Porém, a fase germano-americana, restrita ao IBGE nos últimos anos da Segunda Guerra, foi sendo sobrepujada pelo esforço francês, tão logo terminou o confronto. Tanto no IBGE quanto nas universidades, figuras como Francis Ruellan no Rio de Janeiro, Pierre Mombeig e Pierre Gourou em São Paulo e, posteriormente, Michel Rochefort no Rio e em São Paulo e Jean Tricard em Salvador foram os principais estimuladores da tradição francesa na Geografia brasileira, que se torna hegemônica até os anos 1980, apesar do reaparecimento da influência americana nos anos 1970 na Geografia do IBGE e na UNESP de Rio Claro, sob o título de Geografia Quantitativa.

4 OS PIONEIROS MESTRES ESTRANGEIROS

Desde o início dos anos 1930, maturava a ideia de criação de um órgão que pudesse coordenar as atividades concernentes às atividades geográficas e que, paralelamente, auxiliasse na criação de um curso oficial de formação de professores e pesquisadores em Geografia. Na ocasião, dois importantes grupos dedicavam-se a esta tarefa: a Academia Brasileira de Ciências, sob a liderança de Alberto José Sampaio, e o grupo de estatísticos do governo federal liderados por Mário Augusto Teixeira de Freitas.

No processo de implantação do curso no Rio de Janeiro, na então Universidade do Distrito Federal (UDF), foi decisiva a participação de Mário Augusto Teixeira de Freitas, agora auxiliado pelo engenheiro Christóvão Leite de Castro, chefe da Seção de Estatística Territorial do Ministério da Agricultura, pois, paralelamente ao curso formal, garantiu treinamento especializado em pesquisa geográfica a um grupo de estudantes que seriam contratados pelo governo brasileiro para dar início ao embrião do futuro Conselho Nacional de Geografia do IBGE.

O professor francês Pierre Deffontaines (1894-1978), após um ano em São Paulo e tendo transferido a liderança acadêmica para Pierre Monbeig (1908-1988), muda-se em 1935 para o Rio de Janeiro e inicia o curso na UDF e o treinamento paralelo para o grupo do IBGE, organizado por Christóvão Leite de Castro. Nesse grupo estavam, além do próprio Christóvão, os futuros geógrafos Orlando Valverde e Fábio de Macedo Soares Guimarães (contratados em 1938), Jorge Zarur (contratado em 1939), José Veríssimo da Costa Pereira e Lúcio de Castro Soares (contratados em 1940). Deffontaines era um geógrafo completo, tanto em Geografia Física quanto em Geografia Humana, mas sua preferência era a Humana, explorando detalhadamente o processo de ocupação do território e estudando pioneiramente o incipiente sistema urbano do país.

O início da Segunda Guerra Mundial em 1939 coincide com a volta de Deffontaines para a França, mas já em 1940-1941, outro grande professor o vem substituir, Francis Ruellan (1894-1975), que fica 18 anos trabalhando simultaneamente na UB e no IBGE e, praticamente, torna-se o grande formador da geração de geógrafos que atualmente estão com mais de 65 anos. A maior parte da chamada “velha-guarda ibgeana” foi formada por Ruellan, que organizava grandes trabalhos de campo, considerados por seus alunos como verdadeiros cursos especiais.

É importante assinalar que, apesar da presença de Francis Ruellan no Rio de Janeiro durante os anos de guerra, alguns dos primeiros profissionais do IBGE que iniciaram o processo de aperfeiçoamento no estrangeiro foram enviados para os Estados Unidos, em virtude da impossibilidade de ir para a Europa durante o conflito.

Como resultado dos contatos de Jorge Zarur nos Estados Unidos em 1942, em 1945 seguem para lá os cinco geógrafos com o intuito de receber aperfeiçoamento em técnicas de pesquisa de campo e planejamento regional, permanecendo entre um e dois anos – Fábio de Macedo Soares Guimarães e Orlando Valverde na Universidade de Wisconsin; Lúcio de Castro Soares e Lindalvo Bezerra dos Santos na Universidade de Chicago e José Veríssimo da Costa Pereira na Universidade de Northwestern.

Com esse grupo, inicia-se o processo de aperfeiçoamento profissional de alto nível na pesquisa geográfica do IBGE, nunca interrompido.

Em Wisconsin, Fábio de Macedo Soares Guimarães e Orlando Valverde travam conhecimento com Leo Heinrich Waibel (1888-1951), geógrafo alemão radicado nos Estados Unidos, e conseguem, através da influência de Christóvão Leite de Castro, que o IBGE o contratasse como assistente técnico entre 1946 a 1950. Waibel, apesar de não exercer o papel formal de professor universitário e de trabalhar no IBGE com um grupo restrito de pesquisadores – principalmente em função da barreira da língua (somente se comunicava em inglês e alemão e não em francês, que era a segunda língua da maioria dos geógrafos da época) –, teve uma influência capital nos estudos de ocupação do território, principalmente no monitoramento do processo de colonização agrícola, uma das políticas de governo do Estado Novo de Getúlio Vargas, continuada no governo de Eurico Gaspar Dutra. Seus principais colaboradores no IBGE foram Walter Alberto Egler (o único que na época falava correntemente alemão), Orlando Valverde (que depois tornou-se o principal divulgador de suas pesquisas), Fábio de Macedo Soares Guimarães, Nilo Bernardes e Speridião Faissol.

Em 1945 o biogeógrafo canadense Pierre Danserau, por conta de um convênio entre os governos canadense e brasileiro, também esteve organizando cursos na universidade a convite de Hilgard O’Reilly Sternberg e treinando pesquisadores do IBGE. Seus principais colaboradores foram Walter Alberto Egler, Alceu Magnanini, Edgar Kullmann, Dora Romariz e Alfredo Porto Domingues. Dora e Edgar, entre 1946 e 1947, foram estudar no Canadá.

Dois professores americanos, Clarence Jones e Preston James, foram os que mais trabalharam com o tema colonização, por ocasião de suas estadas no Brasil (1948 e 1949, respectivamente). Jones foi o orientador de um trabalho de campo no Pantanal Mato-grossense e escreveu o artigo “A Fazenda Miranda em Mato Grosso”, publicado na RBG 12 (3), jul./set. 1950. Entre os anos de 1950 e 1951, o professor e pesquisador norte-americano Preston James trabalhou no IBGE orientando trabalhos sobre colonização e habitat rural. Seu principal orientando foi Speridião Faissol, posteriormente convidado para o doutoramento na Universidade de Syracuse, no estado de Nova York, onde Preston James era professor. Faissol doutorou-se em 1956.

A retomada da hegemonia francesa ocorre logo depois da guerra (1947), com a ida para algumas universidades francesas dos geógrafos Pedro Geiger (Grenoble), Elza Coelho de Souza Keller (Montpellier), Mirian Mesquita (Lion), Miguel Alves de Lima (Paris) e Heldio Xavier Lenz Cesar (Strasburg), por indicação de Francis Ruellan.

No final dos anos 1950, após o grande sucesso do XVIII Congresso Internacional de Geografia da UGI, realizado em 1956 no Rio de Janeiro, outro grande pesquisador francês em redes urbanas, Prof. Michel Rochefort, passou a vir constantemente ao Brasil e a dar consultoria ao IBGE, além de incentivar a ida de muitos pesquisadores brasileiros para cursos de aperfeiçoamento e pós-graduação em universidades francesas.

Com Rochefort, a “velha-guarda ibgeana” já não fazia mais o papel de treinandos e sim de colegas de pesquisa que auxiliavam a terceira geração de profissionais que ingressaram no IBGE no final dos anos 1950 e na década de 1960.

É dessa época também a influência de Jean Tricard na consolidação do curso de Geografia em Salvador, apoiando o desenvolvimento dos trabalhos de geógrafos como Milton Santos e Teresa Cardoso, que fizeram seus doutoramentos em universidades francesas. A Geomorfologia desenvolvida por Tricart foi muito influente na Universidade da Bahia, principalmente por conta de sua aluna de pós-graduação em Strasbourg no final dos anos 1950, Teresa Cardoso da Silva, que, ao voltar em 1960, com um doutoramento orientado por Tricart, foi para a Universidade Federal da Bahia e, por intermédio de Milton Santos, ampliou o Laboratório de Geomorfologia e Estudos Regionais. A continuidade dessa colaboração pode ser verificada na obra Estudos de Geomorfologia da Bahia e Sergipe (TRICART; SILVA, 1968), além do forte intercâmbio técnico entre a Universidade Federal da Bahia e a de Strasbourg, que garantiu para muitos professores baianos da área de Geografia Física completar a pós-graduação na França.

Nos anos 1970, novas influências americanas e inglesas, no rastro dos estudos de redes urbanas, trazem para o IBGE, no Rio de Janeiro, os geógrafos Brian J. L. Berry, de Chicago (EUA), e John P. Cole, de Nottingham (UK). Com eles, as técnicas quantitativas desenvolveram-se no Departamento de Geografia do IBGE e, posteriormente, no Departamento de Geografia do Campus de Rio Claro da Universidade Estadual Paulista (UNESP).

5 O CONTEXTO HISTÓRICO DO PENSAMENTO GEOGRÁFICO BRASILEIRO NO SÉCULO XX: OS PRINCIPAIS VETORES METODOLÓGICOS

Explicados os condicionantes históricos que levaram ao surgimento dos cursos superiores e agências que iriam trabalhar com a Geografia, este estudo explicará a evolução do pensamento geográfico brasileiro a partir do final dos anos 1940, quando as universidades e o IBGE já desempenhavam bem suas atribuições de ensino e pesquisa, dando respostas profissionais de qualidade às demandas do governo, principalmente àquelas que tinham a ver com o reconhecimento e a gestão do território.

De um lado, a universidade, formando profissionais para o ensino e para a pesquisa e criando condições de ampliação do sistema de cursos de Geografia por todo o Brasil; de outro, o IBGE, absorvendo alguns desses quadros técnicos, principalmente os mais afeitos à pesquisa.

Atualmente, pode-se entender essa evolução no contexto universitário verificando o processo de formação profissional em universidades pioneiras como a USP, através do histórico de suas teses de mestrado e doutorado, no site da própria USP, ou navegando por sites que o Google ou o Yahoo podem abrir ao ser digitada a expressão “cursos de geografia Brasil”, por exemplo.

No caso da Geografia do IBGE, os trabalhos de Eli Penha (1993) e Roberto Schmidt de Almeida (2000) são bons cicerones do processo evolutivo da Geografia vinculada ao planejamento estatal brasileiro.

5.1 A GEOGRAFIA TRADICIONAL NO CONTEXTO DO PLANEJAMENTO E NA UNIVERSIDADE

Quando se analisa o desenvolvimento da Geografia do IBGE, verifica-se que o período entre as décadas de 1940 e 1950 foi de intenso treinamento, principalmente em campo, por várias regiões do país – apesar de que no início da década de 1940 já se produziram pesquisas importantes, como é o caso da primeira regionalização em escala macro para o país, oficializada por decreto-lei federal em 1942 (GUIMARÃES, 1941, 1942).

As principais linhas de pesquisa desse período inicial estavam vinculadas aos processos de reconhecimento do território, através dos estudos de Geografia Física, e aos processos de ocupação, utilizando-se os estudos de habitat rural. O exemplo da determinação da área do futuro Distrito Federal no Planalto Central Brasileiro é um bom exemplo de pesquisa geográfica realizada no final dos anos 1940, numa colaboração entre o IBGE e a UB, sob a direção de dois professores: a equipe do IBGE chefiada por Leo Waibel, e a da UB, por Francis Ruelan.

Os resultados desses esforços foram inicialmente revelados durante o Congresso Internacional da União Geográfica Internacional de 1956, realizado no Rio de Janeiro sob os auspícios da Universidade do Brasil e do IBGE.

Posteriormente, outro conjunto de obras coroou o que se chamou de “fase de ouro” da Geografia brasileira e ainda é um marco de referência da produção geográfica do IBGE, representado pelas publicações de obras de pesquisa sistemática, ligando Estatística, Geografia e Cartografia, que informavam pela primeira vez, em abrangência nacional, aspectos então desconhecidos do território nacional na escala municipal: a Enciclopédia dos Municípios Brasileiros (1957-1964), com 36 volumes, Coleção Geografia do Brasil (1959-1961), o Atlas do Brasil (1959) e a Carta do Brasil ao Milionésimo (1960).

Mas outros tipos de pesquisa eram desenvolvidos. No início da década de 50, os trabalhos pioneiros de Pedro Geiger sobre aspectos socioeconômicos da Baixada Fluminense, feitos com a colaboração de Míriam Mesquita entre 1950 e 1953 (GEIGER; MESQUITA, 1956), já apontavam na direção de uma futura Geografia fortemente relacionada com as estatísticas, que enfatizava os aspectos sociais e era menos vinculada ao estudo da paisagem.

Por ocasião do XVIII Congresso Internacional de 1956, a relação entre a área de planejamento do governo federal e a universidade solidificou- se ainda mais, tanto no que concernia às questões de logística do congresso quanto aos aspectos acadêmicos, com o convite a alguns professores universitários de São Paulo e do Nordeste a elaborarem alguns guias de excursões.[9]

  1. Planalto Centro-Ocidental e Pantanal Mato-Grossense – Fernando Flávio M. Almeida e Miguel A. de Lima
  2. Zona Metalúrgica de Minas Gerais e Vale do Rio Doce – Ney Strauch
  3. Roteiro do Café e Zonas Pioneiras – Ary França (Universidade de São Paulo)
  4. Vale do Paraíba, Serra da Mantiqueira e Região de São Paulo – Aziz Ab’Saber (Universidade de São Paulo) e Nilo Bernardes
  5. Planície Litorânea e Região Açucareira do Estado do Rio de Janeiro – Lysia Bernardes
  6. Bahia – Alfredo Porto Domingues e Elsa Coelho S. Keller
  7. Nordeste – Mário Lacerda de Melo (Faculdade de Filosofia de Pernambuco)
  8. Amazônia – Lúcio de Castro Soares
  9. Planalto Meridional do Brasil – Orlando Valverde

Além disso, a relação entre Desenvolvimento Econômico e Geografia passava também a ser objeto de análise no ambiente universitário.

Um exemplo relevante disso foi a publicação de uma conferência que por Milton Santos deu no curso de Desenvolvimento Econômico da Faculdade de Ciências Econômicas da Bahia, em fevereiro de 1959, na Revista Brasileira de Geografia (RGB) (SANTOS, 1959). Nela, Santos advogava um papel para os geógrafos no processo de planejamento, explicando os pressupostos da Geografia Aplicada em outros países e tecendo considerações comparativas com o Brasil do fim da década de 1950. Apresentava também os diferentes campos de aplicação da Geografia no sistema de planejamento, exemplificando os principais centros geográficos no mundo que operam com questões envolvendo a relação entre a Geografia e o desenvolvimento.

No Brasil, durante a década de 1960, as principais linhas de pesquisa geográfica sofreram uma importante transição. Durante o XVIII Congresso da UGI em 1956, vários geógrafos europeus, sobretudo franceses, perceberam que o ambiente de ensino e pesquisa no Brasil era de alto nível, sendo o francês praticamente a segunda língua da maioria dos geógrafos pesquisadores e professores universitários.

Esse quadro de alta qualidade, no caso do Rio de Janeiro, era o resultado do somatório dos esforços de pesquisas realizadas na Universidade do Brasil (UB) por Hilgard O´Reilly Sternberg, criador do Centro de Pesquisas de Geografia do Brasil (CPGB), além do treinamento dado por Francis Ruellan tanto na UB quanto no IBGE, somado às bolsas de aperfeiçoamento garantidas pelo IBGE e pelo governo francês.

Além disso, acrescente-se para São Paulo o esforço dos professores da Universidade de São Paulo (USP), com franceses como Pierre Mombeig e Pierre Gourou e brasileiros como Aroldo Edgard de Azevedo, que garantiram desde os primeiros anos da década de 1940 uma estrutura de pós-graduação em nível de doutorado de alta qualidade.

Após o congresso, alguns professores franceses deram cursos e realizaram pesquisas de campo exploratórias. Um desses professores foi Michel Rochefort, que estava terminando sua tese de doutoramento sobre redes urbanas. A aproximação de Rochefort com a Geografia brasileira acontece primeiramente através de seu casamento com a geógrafa brasileira Regina Espíndola Rochefort e, posteriormente, via seu bom relacionamento com o casal Nilo e Lysia Bernardes no IBGE, durante a década de 1960.

O principal trabalho orientado por Michel Rochefort foi realizado pelo Grupo de Trabalho de Geografia Urbana da Divisão de Geografia do CNG, criado em 1961 e coordenado por Lysia Bernardes, e editado em 1964. Chamou-se O Rio de Janeiro e sua região (BERNARDES, 1964). O grupo foi constituído pela coordenadora e mais nove geógrafas: Maria Rita da Silva de La Roque Guimarães, Maria Francisca Teresa Cavalcanti Cardoso, Maria Emília Teixeira de Castro Botelho, Hilda da Silva, Ceçary Amazonas, Sulamita Hammerly, Olga Maria Buarque de Lima, Elisa Maria Mendes de Almeida e Maria Adelaide Bertucci de Azevedo.

Foi o primeiro trabalho de detalhamento a operar numa escala intermediária, que abrangia parte dos territórios dos Estados da Guanabara, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo, a partir de um polo metropolitano. O prefácio de Nilo Bernardes, marido de Lysia, aludiu a esse pioneirismo e assinalou que uma nova fase estava se estruturando nos estudos de Geografia Humana no Brasil.

No entanto, a principal obra sobre o processo de urbanização brasileiro foi gestada no limiar da década de 1960 e editada em 1963 pelo mesmo Pedro Geiger, que já havia iniciado, na década de 1950, os estudos sobre a urbanização em áreas rurais periféricas à metrópole (Baixada Fluminense). O seu livro Evolução da rede urbana brasileira (GEIGER, 1963, p. 462) é considerado a primeira obra completa sobre o processo de organização urbana do Brasil, classificando cidades, definindo metrópoles nacionais e delimitando hierarquicamente suas respectivas redes, correlacionando explicitamente as relações entre industrialização e urbanização, que começavam a se delinear no Brasil no final dos anos 1950 e início dos anos 1960. O mais curioso foi sua edição não ter sido patrocinada pelo IBGE e sim pelo Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos do Ministério da Educação (INEP).

A produção geográfica de Pedro Geiger, computada por Müller (1968) e Corrêa (1968) no mesmo Simpósio de Geografia Urbana do Instituto Pan-americano de Geografia e História (IPGH), realizado em Buenos Aires, apresentou-se na contagem de Nice L. Müller, com 10 trabalhos entre 1952 e 1963, e na de Roberto L. Corrêa, com cinco entre 1957 e 1964, tratando somente sobre redes urbanas.[10]

Nesse mesmo período, Pedro Geiger também coordenou o impressionante trabalho de análise da industrialização na Região Sudeste, editado na RBG em 1963, tornando-o também outro marco de referência para os planejadores da época (IBGE, Departamento de Geografia, Grupo de Estudos de Geografia das Indústrias, RBG 25 [2] abr.-jun. 1963).

É possível perceber que a Geografia vinculada às ideias de desenvolvimento, no contexto das questões urbanas e industriais que tomaram corpo no Brasil na década de 1950, foi a que mais aproximou o IBGE do núcleo de decisões do poder federal durante toda a década de 1960, incluindo-se aí os primeiros governos do Ciclo Militar. Para uma avaliação histórica do conceito de Desenvolvimento na Geografia do IBGE, ver Almeida (1994) e Geiger (1988, p. 64-65), que fazem uma análise sensível desse importante porém contraditório período do IBGE.

Para se ter uma visão panorâmica e diversificada dessa fase conturbada da história recente é aconselhável a leitura de três importantes obras: 1964: a conquista do Estado – ação política, poder e golpe de classe (DREIFUSS, 1981), A lanterna na popa: memórias (CAMPOS, 1994) e Pensamento econômico brasileiro: o ciclo ideológico do desenvolvimento (BIELSCHOWSKY, 1995). Cada um deles observa o processo de maneira diferente. Dreifuss mapeia sociologicamente a complexa trama de instituições e pessoas que organizaram o Estado, no período imediatamente após o golpe de 1964, muitas das quais, conspiradores de primeira hora. Funcionários públicos, civis e militares, políticos, empresários, representantes sindicais tanto do patronato quanto de algumas áreas dos trabalhadores, jornalistas e outros formaram uma grande coligação objetivando mudanças na condução da administração governamental brasileira. A análise de Dreifuss enfatiza a atuação de duas instituições, o Instituto de Planejamento Econômico e Social (IPES) e o Instituto Brasileiro de Ação Democrática (IBAD), denominadas pelo autor de Complexo IPES/IBAD. É, sem sombra de dúvida, a mais completa pesquisa sobre um movimento conspiratório brasileiro contemporâneo.

As memórias do diplomata e economista Roberto Campos fazem um interessante contraponto com o livro de Dreifuss. Por se tratar de memórias, Campos fica bem à vontade para escolher e aprofundar determinados assuntos e não enfatizar outros; mas como a sua vida pública, iniciada em 1938 no Itamarati, praticamente se confunde com os acontecimentos históricos referenciados entre o final do ciclo Vargas e os anos 1990, volta e meia é possível confrontar as duas visões antagônicas sobre vários episódios que caracterizaram o golpe de 1964 e os subsequentes governos militares.

A visão mais estrutural das ações governamentais de política econômica e em alguns casos, de cunho administrativo foi organizada por Ricardo Bielschowsky, economista com forte veia de historiador que contrapõe as principais correntes do pensamento econômico no debate sobre o desenvolvimento brasileiro, o neoliberalismo, o desenvolvimentismo e o socialismo. Separadamente, analisa ainda o pensamento independente de Ignácio Rangel, economista muito caro aos geógrafos, alvo de entrevista no número especial da Revista Geosul, juntamente com mais oito importantes geógrafos brasileiros (GEOSUL, 1991, 1992).

O período compreendido entre 1961 e 1964 na Geografia do IBGE coincide ainda com o poder de Speridião Faissol, então na chefia da Secretaria-geral do CNG, tendo como chefe da Divisão de Geografia Antônio Teixeira Guerra. Em 1964, com a saída de Speridião Faissol da Secretaria-geral do CNG, substituído por René de Mattos, inicia-se a mudança em parte das antigas lideranças da Geografia do IBGE, estruturadas desde os tempos de Getúlio Vargas/José Carlos de Macedo Soares Guimarães e que alcançaram grande poder durante a gestão Juscelino Kubitschek/Jurandir Pires Ferreira. É sobre esse espólio que as novas ideias de uma Geografia apoiada nas estatísticas ampliarão suas trajetórias. Não haveria, no contexto do IBGE, muito lugar para a Geografia física, ou pelo menos assim se convencionou que fosse, pois na segunda metade dos anos 1960 a participação dos segmentos de estudos físicos, com exceção da climatologia, reduziu-se fortemente.

Verificou-se, igualmente, nesse período uma redução significativa nos trabalhos de campo do IBGE, comparativamente ao que costumava ocorrer nos anos 1940 e 1950, conforme indica o trabalho de Vera Cortes Abrantes sobre o processo de indexação das fotos contidas no arquivo fotográfico do órgão (ABRANTES, 2000).

Justamente nessa época, a transição para os estudos que enfatizavam aspectos urbanos e industriais acentua-se no Brasil, procurando dar conta de intensa urbanização iniciada no final dos anos 1950, começando a mostrar seus efeitos já nos anos 1960, tanto em termos de crescimento metropolitano quanto em termos de ampliação e articulação da rede urbana brasileira, principalmente a da Região Sudeste.

Os principais vetores de estudos dessa fase foram as pesquisas na área de Geografia Urbana, principalmente trabalhos sobre Redes Urbanas e sobre Regionalização, enfatizando a análise do setor terciário. No que concerne aos estudos sobre redes, foram monitorados por Roberto Lobato Corrêa em dois artigos que se tornaram clássicos, o primeiro avaliando a produção até 1965 e o segundo enfatizando o período pós-anos 1960 até o final dos anos 1980 (CORRÊA, 1968, 1989).

Dentro desse contexto, é indubitável a influência de Michel Rochefort (ROCHEFORT, 1998, p. 93), colocando os estudos urbanos numa posição de hegemonia no quadro de planejamento do Governo Federal, principalmente após o golpe de 1964, acentuada com os resultados dos censos demográficos e econômicos de 1970, organizados durante as gestões dos presidentes do IBGE Aguinaldo José Senna Campos (1964-1967) e Sebastião de Aguiar Aires (1967-1970).

Para uma visão mais clara da transição ocorrida nessa época, é interessante verificar o índice do volume de Roteiros das Excursões do II Congresso Brasileiro de Geógrafos, realizado no Rio de Janeiro em 1965, pela Associação dos Geógrafos Brasileiros, sob a chancela do IBGE (ASSOCIAÇÃO DOS GEÓGRAFOS BRASILEIROS, 1965, p. 81). O presidente de honra era o General Senna Campos; os vice-presidentes, o reitor da Pontifícia Universidade Católica do Rio, Padre Laércio Dias de Moura; e o secretário-geral do CNG, engenheiro René de Mattos. O comitê executivo era composto por geógrafos do IBGE, bem como os nove subcomitês. O índice das nove excursões realizadas mostra forte tendência para as questões urbanas, com oito delas enfatizando aspectos ligados à urbanização e apenas uma tratando da zona rural circunvizinha.

Outro ponto relevante foi a continuação da boa inter-relação entre geógrafos do IBGE e professores das universidades do Rio de Janeiro, exemplificada na composição dos autores dos respectivos guias. Professoras como Maria do Carmo Galvão, Bertha K. Becker, Maria Helena C. Lacorte e Yara Simas Enéas trabalharam com pesquisadores do IBGE, como Olindina Viana Mesquita, Solange Tietzmann Silva, Miriam Mesquita, Haidine da Silva Barros e outros. Muito embora já se delineasse a tendência para ênfase na urbanização, os textos ainda espelham a clara opção pela análise das paisagens e o uso predominante do enfoque histórico na explicação dos diferentes processos espaciais verificados.

Entre 1965 e 1967, Lysia Bernardes assume a penúltima gestão da Divisão de Geografia do CNG, sendo substituída em 1968 por Marília Veloso Galvão, que gerencia a transição administrativa ocorrida em fins de 1967, transformando o IBGE em Fundação – processo iniciado na gestão de Sebastião Aguiar Ayres e completado na de Isaac Kerstenetzky, nos anos 1970.

No novo Departamento de Geografia (DEGEO), Marilia Velloso Galvão, a partir de 1968, inicia grande reforma nos cargos de chefia do departamento e cria paralelamente o Grupo de Áreas Metropolitanas (GAM), coordenado por Speridião Faissol.

 

 

5.2 A GEOGRAFIA QUANTITATIVA OU A NOVA GEOGRAFIA

 

Nesse novo contexto de pesquisa, enfocando o processo de metropolização, a figura de Speridião Faissol mais uma vez tomará a liderança de um polêmico processo de produção acadêmica na Geografia do IBGE que se tornou conhecido por muitos nomes: Geografia Quantitativa, Nova Geografia, Geografia Teórica, ou na expressão de Manuel Corrêa de Andrade, Geografia Quântica (sic), ou Quantitativa (ANDRADE, 1977, p. 13).

Esse processo duraria quase toda a década de 1970 e, aparentemente, terminaria no início dos anos 80, reaparecendo sob outra forma nos anos 1990.

Os primeiros trabalhos, que de certa maneira conduziram à necessidade de forte vinculação entre a Geografia e a Estatística, foram os estudos de regionalização realizados no contexto de criação de novo Sistema de Planejamento, nos primeiros anos do Governo de Castelo Branco – o primeiro do ciclo militar, sob a organização dos ministros Roberto Campos e Otávio Gouveia de Bulhões.

Esses estudos deveriam dar conta de nova divisão regional centrada em processos que tendiam a polarizar áreas em torno de atividades urbano-industriais. O exemplo mais importante do período foi a obra Subsídios à regionalização, resultado de um convênio realizado entre o CNG e o EPEA (Escritório de Planejamento Econômico Aplicado, atual IPEA – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) para a aplicação de inquérito municipal que avaliaria a área de influência dos centros urbanos brasileiros.

Esse inquérito foi aplicado na rede de coleta do IBGE, isto é, eram os agentes estatísticos responsáveis pelas informações de seus municípios que respondiam os quesitos qualitativos e quantitativos do questionário. No caso específico do capítulo Centralidade (CORRÊA, 1968, p. 180), eles avaliavam a estrutura de distribuição de produtos industriais através dos sistemas de comércio atacadista e varejista e a oferta de serviços — como o bancário, hospitalar e clínico especializado, educacional em nível médio e de divulgação de informações (atividades editoriais e de radiodifusão) —, conforme estudos de Michel Rochefort para a rede urbana da França (ROCHEFORT, 1957).

No entanto, a obra Subsídios à regionalização era muito mais do que o capítulo Centralidade, considerado como síntese. Além das 208 páginas escritas, apresentava 118 mapas em oito séries distintas (Quadro Natural 10, População 10, Agricultura 29, Indústria 22, Transportes 8, Atividades Terciárias 30 e Centralidade 9). Em todas as séries, a preocupação final era gerar a regionalização específica do tema tratado, que, somada às informações intrínsecas ao assunto, garantiria subsídios aos planejadores nas diferentes instâncias de governo ou mesmo aos estrategistas das empresas privadas.

Essas atividades e obras, ocorridas durante o final dos anos 1960, servem como ótimo pano de fundo para a percepção do novo funcionamento da máquina de planejamento do governo federal, da qual fazia parte a Geografia do IBGE.

O advento dos métodos quantitativos na Geografia do IBGE foi explicado por Speridião Faissol em seu depoimento à Revista GEO UERJ, como a série de coincidências e golpes de sorte que o levaram a conhecer Brian Berry e John Friedman (FAISSOL, 1997, p. 86). Em virtude de mudanças na direção do Serviço Federal de Habitação e Urbanismo (SERFAU), os dois geógrafos, embora tivessem garantido o suporte logístico em suas vindas ao Rio, estavam agora sem interlocutores. Faissol conseguiu do IBGE o apoio necessário para a estada dos pesquisadores e resolveu investir nos estudos sobre estruturas urbanas desenvolvidos por Berry e Friedman nos Estados Unidos.

Berry, um dos principais líderes do segmento da Geografia americana, operava com métodos estatísticos sofisticados apoiados por grandes computadores; sua especialização era a Geografia dos mercados de varejo (BERRY, 1971). Friedman, conceituado planejador regional da Califórnia, já havia colaborado com brasileiros na Bahia, no final dos anos 1950, na discussão acerca do conceito de Região de Planejamento (SANTOS, 1959).

O Brasil havia se preparado para a campanha censitária de 1970 (censos demográficos e econômicos) e estava adquirindo os novos computadores de grande porte que iriam tabular os questionários. Os dois pesquisadores viram ali uma ótima oportunidade de testar suas pesquisas, principalmente levando em conta a magnitude espacial brasileira, aliada ao pioneirismo desse tipo de trabalho em Geografia. Posteriormente, chega da Inglaterra o geógrafo John P. Cole, também especialista em métodos quantitativos, com bolsa do governo britânico para estudar o sistema urbano brasileiro.

Outro ponto de ligação estabeleceu-se com a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), em função de uma conjunção de fatores institucionais e de afinidade técnica. No âmbito institucional havia as figuras de Isaac Kerstenetzky e Eurico Borba, antigos professores da PUC, com muito trânsito na alta administração da universidade e indicados, em março de 1970, para presidente e diretor-geral do IBGE, respectivamente. No campo da afinidade técnica as relações foram estreitadas pelo sociólogo Nelson do Vale Silva, especialista em técnicas quantitativas para análise de dados sociais. As primeiras experiências com a técnica de Análise Fatorial foram testadas no computador da PUC, pois os do IBGE estavam em fase de instalação.

A recomposição da estrutura de poder de Faissol dentro do IBGE, no início dos anos 1970, foi estruturada sobre vários fatores. Primeiro, a saída de Lysia Bernardes, em 1968, para seguir a carreira de planejadora de governo no IPEA; depois, no novo governo da fusão Rio de Janeiro-Guanabara, ela assumiu cargos na alta administração; posteriormente, no Ministério do Interior, foi secretária-geral da Secretaria Especial da Região Sudeste (SERSE).

O afastamento de Lysia abriu um importante espaço no campo dos estudos metropolitanos, imediatamente ocupado por Faissol ao assumir o Grupo de Áreas Metropolitanas (GAM).

A ausência de atribuições administrativas foi outro fator que fragmentaria os estudos e pesquisas. O GAM não existia na estrutura formal; seus componentes eram escolhidos pessoalmente por Faissol, que enfatizava a combinação de conhecimentos baseados na prática do uso de Matemática, Estatística e noções de computação (que, na época, eram baseadas no conhecimento de certas linguagens de programação como Fortran, Basic, PL1, já utilizadas nos centros de computação das universidades). Nesse contexto estavam estagiários e assistentes de pesquisa como Marilourdes Lopes Ferreira e Evangelina Oliveira.

Além disso, Faissol recrutou alguns geógrafos que já lidavam com dados estatísticos mais complexos em seus trabalhos, como foi o caso de Olga Buarque de Lima, e cooptou outros que mostraram interesse nas novas técnicas, como Roberto Lobato Corrêa e Hilda da Silva. Esses geógrafos receberam bolsas para fazer pós-graduação na Inglaterra, como Olga, ou nos Estados Unidos, como Roberto Lobato Corrêa e Hilda da Silva (que veio a falecer em Chicago, quando redigia sua tese de doutoramento).

Indubitavelmente, uma boa parte dos geógrafos em cargos de chefia, como Pedro Geiger e Elza Keller, chefes de divisões, e a própria Marília Galvão, como chefe do DEGEO, também garantiram esforços no sentido de ampliar e difundir essas técnicas quantitativas em suas próprias áreas.

Outra frente de pesquisas, aberta juntamente com pesquisadores do Departamento de Geografia da Faculdade de Rio Claro (pertencente à UNESP), onde muitas das discussões teóricas a respeito dos novos enfoques pelos quais passava a Geografia foram entabuladas entre os ibegeanos e os professores, transformou daquela faculdade num polo difusor dessas técnicas no interior do estado de São Paulo. É lançado o periódico estranhamente denominado Geografia Teorética, que se torna o porta-voz do movimento na UNESP. O interessante é que em Rio Claro as técnicas quantitativas eram democraticamente divididas entre os segmentos da Geografia Física e da Humana – em contraste com as do IBGE, onde a Geografia Física, alijada desde os anos 1960, não se mostrou interessada nas novas técnicas (muito embora seus componentes estivessem acostumados a técnicas estatísticas desenvolvidas nas pesquisas geomorfológicas).

Ainda no contexto universitário, o curso de Mestrado em Geografia da UFRJ, criado em 1972, incorporou disciplinas de técnicas quantitativas tanto na área de Geografia Humana quanto na área de Geografia Física, onde Jorge Xavier da Silva liderava as pesquisas – liderança que continua até hoje no campo do geoprocessamento de informações. Faissol foi um dos professores que incentivou o uso dos métodos quantitativos na área de pesquisas urbanas e regionais do curso, assim como Olga Buarque de Lima, ao retornar do mestrado em Nottingham; Roberto Lobato Corrêa, ao regressar do mestrado em Chicago; e Maurício de Almeida Abreu (UFRJ), após o doutorado em Ohio – além de vários professores estrangeiros que vieram dar cursos e pesquisar no Brasil (o exemplo de Akin Mabogunje, professor da Universidade de Ibadan na Nigéria e presidente da Comissão de Métodos Quantitativos da UGI, é o mais relevante).

No contexto da Geografia Econômica, os geógrafos do IBGE possuíam vantagens comparativas em relação às de outras instituições, em virtude da estrutura do órgão, como agência detentora do maior banco de dados do país. Speridião Faissol e seus colaboradores trabalhavam em primeira mão com essa massa de dados, sobre as mais diversas dimensões dos processos sociais e econômicos. Utilizavam técnicas que de certa forma aceleravam os resultados, por conta da facilidade de captura dos dados, e de suas manipulações estatísticas geradas pelos computadores, iniciando, assim, um período de alta produção de artigos e livros.

A produção geográfica dessa fase é predominantemente de Speridião Faissol, que demonstrou uma impressionante capacidade não só de escrever, como também de organizar congressos e simpósios para divulgar as técnicas quantitativas no Brasil e na América Latina, e gerenciar a editoração de coletâneas com trabalhos de pesquisadores ligados ao movimento.

A RBG 47 (1/2), de 1985, lista 20 trabalhos sobre urbanização, migrações internas, teoria, análise regional, desenvolvimento econômico, regionalização e divulgação dos métodos quantitativos de autoria de Speridião Faissol, entre 1970 e 1978. Como exemplo de coletâneas também organizadas por ele, tem-se Urbanização e regionalização: relações com o desenvolvimento econômico (FAISSOL, 1975), seleção de artigos de geógrafos e economistas de renome internacional, como Berry, Perroux, Olsson, Lasuen e Dacey; e o volume Tendências atuais na Geografia Urbano-regional: teorização e quantificação (FAISSOL, 1978), uma coletânea de 15 geógrafos e economistas brasileiros organizada em capítulos que vão da teorização, às técnicas de análise fatorial, análise de grupamento, análise discriminante, correlação canônica, cadeia de Markov, medidas de desigualdade e concentração e análise da difusão de inovações.

No plano interno da Geografia e do IBGE, a carreira de Faissol alcança prestígio e poder. Em 1973, ele se torna superintendente de Pesquisas (posteriormente Superintendência de Estudos Geográficos e Socioeconômicos — SUEGE); em 1977, passa a diretor técnico, até a saída de Isaac Kerstenetzky, em 1979. Em depoimento ao autor deste trabalho (ALMEIDA, 2000, p. 134), ele considerou não ter sido tarefa fácil, pois percebeu que a Diretoria Técnica exigia um tipo de conhecimento que estava além de sua capacitação profissional.

Em 1989, já aposentado do IBGE e lecionando no Departamento de Geografia da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, Speridião Faissol publica na RBG um artigo rememorativo do movimento quantitativo no Brasil (FAISSOL, 1989). Inicia explicando “como foi”, tentando reconstituir as fases iniciais do processo, nomeando as principais instituições que assumiram a liderança em termos de pesquisa utilizando técnicas quantitativas e as universitárias que difundiram essas técnicas.

Quanto às críticas, que vieram posteriormente, acerca da participação da Geografia do IBGE no sistema de planejamento dos governos militares, Faissol explica, num importantíssimo pé de página (FAISSOL, 1989, p. 27), a função e as atribuições da Geografia do IBGE ao longo de toda a década de 1960, quando se inicia a relação entre a Geografia urbano-industrial e regional e as estatísticas, visando ao planejamento do processo de desenvolvimento brasileiro, dez anos antes do movimento quantitativo, e parabeniza as participações de Lysia e Nilo Bernardes, Pedro Geiger e Elza Keller por serem decisivas para que a Geografia se fizesse presente no sistema de planejamento brasileiro.

Faissol continua contando como a Geografia brasileira estreitou os contatos com outros geógrafos e instituições internacionais, destacando a UGI, que havia criado, no final dos anos 1960, uma Comissão de Métodos Quantitativos. A figura do presidente dessa comissão, o professor da Universidade de Ibadan (Nigéria) Akin Mabogunje, foi muito importante, pois tratava-se de um professor de uma universidade de um país africano que enfrentava muitas dificuldades na estruturação dos dados estatísticos, sendo, portanto, um interlocutor com experiência em problemas que afligem países em desenvolvimento, diferente de um americano ou um europeu — que não conseguem perceber as dificuldades inerentes à má qualidade do dado, pois não vivenciam esse problema em seus países.

Na segunda parte do artigo, Faissol historia o movimento teórico-quantitativo ocorrido nas Ciências Sociais nos Estados Unidos e Europa, enfatizando a contribuição de geógrafos  como Brian Berry, David Harvey, Willian Bunge, Derek Gregory, Ian Burton e Peter Gould, na fase inicial do processo e nos desdobramentos, ocorridos a partir de 1973-1974, quando David Harvey escreveu sua segunda polêmica obra Social Justice and the City (HARVEY, 1973) – a primeira tinha sido Explanation in Geography (HARVEY, 1969). Em Explanation in Geography, David Harvey apresenta-se como um grande metodólogo da teorização e da quantificação, e em Social Justice and the City ele provoca uma importante mudança conceitual nos estudos geográficos ao enfocar os problemas urbanos como resultantes de processos perversos do capitalismo.

Na parte final do artigo, Faissol explana alguns dos conceitos trabalhados pelo movimento teórico-quantitativo, analisa em linhas gerais a questão ideológica e termina retornando ao velho problema da dicotomia Geografia Humana x Geografia Física:

 

 

Embora as dicotomias sempre estivessem presentes na Geografia, sempre se argumentava, também, pela unidade da Geografia. E esta unidade era preservada pelo conceito de espaço.

Mas, permanecia e permanece a questão: se o espaço é socialmente produzido, se ele é um conceito simultaneamente territorial e social, onde fica a Geografia Física? Esta é uma questão crucial na Geografia atual. (FAISSOL, 1989, p.50)

 

 

Contudo, é importante assinalar as dificuldades, bastante significativas, enfrentadas pela comunidade de geógrafos não diretamente mergulhados nos problemas estatísticos e de computação derivados das pesquisas quantitativas, pois grandes projetos sofreram algumas pressões por parte dos quantitativistas. Foi o caso da coleção Geografia do Brasil,[11] cujos capítulos da parte humana deveriam ser totalmente trabalhados por métodos quantitativos (preferencialmente uma análise fatorial para a explicação estrutural de cada tema). Posteriormente, percebeu-se sua inviabilidade, pois não haveria público leitor para este tipo de obra. O resultado foi obviamente uma acomodação entre os objetivos dos quantitativistas e a necessidade de dar continuidade a uma coleção que informava, mais ou menos decenalmente, ao aluno de curso universitário e aos professores do ensino de segundo grau as principais modificações realizadas em alguns processos de ocupação do território brasileiro.

Foram mantidas as experiências com análise fatorial nos capítulos referentes aos sistemas urbanos e à organização agrária de cada região, mas as análises não quantitativas cobriram toda a estrutura do livro, inclusive nos capítulos citados. O produto resultante apresentou-se intimidador, por seu grande tamanho e sua complexa estrutura interna, alcançando apenas a pequena comunidade de pesquisadores e de professores universitários de cursos vinculados também à pesquisa.

O exemplo da coleção Geografia do Brasil, de 1977, foi o mais emblemático de uma fase muito complexa da Geografia do IBGE, caracterizada por otimismo e incerteza; talvez muito otimismo inicial, seguido de crescente incerteza, diante da necessidade de tomar decisões cruciais em termos da carreira. O sabor do novo versus o risco da troca do conhecido pelo possivelmente inalcançável, o novo patamar que poderia ser alcançado pela Geografia perante outras disciplinas versus o tremendo esforço de aquisição das precondições para garantir um razoável manejo das novas técnicas foram alguns dos inúmeros dilemas enfrentados pelo conjunto de profissionais de Geografia do IBGE durante a década de 1970. Reconhecidamente, esses dilemas incomodaram inicialmente os ibegeanos, mas, posteriormente, alcançaram boa parte da Geografia acadêmica do Brasil.

Apesar do aparente poder de produção, a Geografia Quantitativa no IBGE sofria de um insidioso mal: era pequeno o número de pesquisadores com conhecimentos de economia, matemática, estatística e linguagens de computação, necessárias ao desenvolvimento dessas técnicas. É importante frisar que não havia na década de 1970 as facilidades computacionais de hoje, o que tornava ainda mais difícil o aprendizado.

Parte dos geógrafos reconhecia que os esforços de aquisição de conhecimento estavam muito além de suas capacidades, em virtude da formação não matemática dos currículos de Geografia, o que gerava em muitos angústia disfarçada em mimetismo. Aprovar, concordar, mas pouco fazer. Esperar a moda passar, não contestar abertamente e… aguardar alguma novidade vinda de fora. Essa novidade efetivamente selou o aparente fim da Geografia quantitativa e confundiu-se com as lutas políticas que se estruturaram em torno da transição entre o final do Ciclo Militar e o início da Nova República.

Paralelamente aos trabalhos de Faissol, o presidente do IBGE, Isaac Kerstenetzky, procurou ao longo da década de 1970, mesclar as áreas de conhecimento incentivando a vinda de cientistas sociais, economistas não necessariamente quantitativos, no sentido econometrista do termo. As estadas de Werner Baer, economista com excelentes trabalhos sobre a história da industrialização brasileira, e Joel Bersgmann, economista urbano com preocupações na distribuição de renda, para trabalhar com a equipe de Pedro Geiger em questões relacionadas a urbanização/industrialização e o processo de desigualdades regionais no Brasil marcaram um tempo de trocas interessantes entre os profissionais de Geografia e Economia – repentinamente abortadas com a saída de Isaac da presidência do IBGE, em 1979, e a chegada de Jessé de Souza Montello (29/08/1979–14/03/1985) para assumi-la, durante o governo do general João Batista de Oliveira Figueiredo.

Nos anos 1970, o estado da arte no campo das concepções geográficas brasileiras era um tanto instável. Nas discussões misturavam-se questões ideológicas e pragmáticas, status acadêmico e conhecimento, esforços de aprendizado e carreirismo. Nas universidades, a força da Geografia francesa, centrada nas obras de Pierre George, Jean Tricart, Beaujeu-Garnier, Pierre Gourou, Sorre e Juillard, ainda era perfeitamente sólida, apesar de algumas faculdades tentarem incluir no currículo do ciclo básico disciplinas como Matemática e Estatística.

No fundo, isso era visto como uma concessão aos novos tempos, mas uma concessão inócua, pois não havendo objetivo claro por parte dos responsáveis dos cursos, essas disciplinas eram ministradas burocraticamente por professores considerados ruins nos respectivos departamentos de Matemática. Em outras palavras, dar aulas de Matemática ou Estatística para o curso de Geografia era considerado um castigo, imposto aos piores do grupo. É claro que deve ter havido honrosas exceções, mas a regra era esta.

Outro obstáculo na aceitação dos métodos quantitativos pelos não especialistas e alunos de graduação de Geografia era a difícil mistura da língua inglesa com termos técnicos de estatística e matemática, pois toda a bibliografia sobre o assunto era publicada em inglês e os artigos técnicos exigiam bom domínio dos termos específicos de estatística ou de computação.

Portanto, imaginar que a Nova Geografia fosse mudar os corações e mentes em curto prazo era algo tão utópico que se porventura passou por algumas cabeças coroadas da Geografia do IBGE, elas foram poucas e estavam totalmente fora da realidade do ensino de Geografia.

5.3 A GEOGRAFIA CRÍTICA OU A GEOGRAFIA NOVA E O PAPEL DE MILTON SANTOS

Nesse clima ocorreu o Congresso Nacional de Geógrafos em Fortaleza, em 1978. O conflito entre a Nova Geografia e a Geografia Nova foi a novidade esperada para deixar de lado a matemática e pensar em outra coisa – em qualquer outra coisa!

A Geografia Nova brasileira, estruturada no final dos anos 1970, prosseguiu durante a década de 1980, caracterizada por forte conteúdo ideológico, dogmaticamente organizado como instrumento de luta política. Isso tinha perfeita razão de ser, em virtude da plena luta pela abertura política no país.

O processo de retorno dos exilados políticos foi o primeiro passo para se estruturar a delimitação de campos diferenciados, sendo esse mecanismo diferenciador muito variado e por vezes ambíguo.

Questão interessante – não explicitada, mas sempre presente – era a incômoda divisão entre os exilados e os que permaneceram no país. A ambiguidade dessa divisão devia-se a um variado posicionamento de cada profissional durante o período dos governos militares: os que ficaram e lutaram contra o regime, os que ficaram e foram a favor do regime e os que ficaram e continuaram trabalhando sem envolvimentos pró ou contra.

Para o grupo de geógrafos que nascera nas décadas de 1920 e 1930 e se tornaram líderes em suas especialidades, essa divisão era muito mais pesada, pois perpassava relações de amizade e companheirismo sedimentadas durante 15 ou 20 anos em congressos da AGB, cursos de aperfeiçoamento, participação em bancas de concursos e outras atividades profissionais.

No caso da Geografia, três espaços foram prioridades de lutas, enquanto se aguardavam os movimentos no tabuleiro do poder político nacional que se desenrolava no Congresso Nacional. O primeiro foi a instituição universidade, que, em sua maioria, durante o regime militar, foi palco de medidas arbitrárias, perseguições e impedimento do debate democrático. Foi nesse espaço que primeiramente germinaram as sementes da Geografia Crítica.

O segundo foi a Associação dos Geógrafos Brasileiros, instituição fortemente voltada para a pesquisa, isto é, para a avaliação entre pares das pesquisas e para a formação de pesquisadores, pelo menos até o início dos anos 1970. Sua estrutura de poder equiparava-se à antiga universidade, onde a hierarquia estava vinculada ao saber e à experiência. No caso da ABG, o processo de acesso à categoria de sócio titular passava por indicações dos mais antigos e ritos de passagem durante as reuniões científicas.

Havia apresentações de trabalhos e suas respectivas aprovações pelos mais experientes, participação em trabalhos de campo, onde eram avaliados a disposição para o trabalho, resistência física, senso de direção e de escala, percepção da paisagem, redação em condições adversas, interpretação de cartas, desenho de croquis e, sobretudo, poder de síntese. É claro que as avaliações não se passavam tal qual uma prova para o Instituto Rio Branco[12], mas em conversa com a “velha-guarda” da AGB percebe-se que o sistema de filtragem era rígido, porém dava margem para que jovens geógrafos com muita criatividade pudessem ter uma arena para debates acalorados, como foram os casos de Pedro Geiger, Milton Santos, Carlos Augusto Figueiredo Monteiro, Armén Mamigonian e outros.

Um exemplo dessas avaliações pode ser apreciado nos Anais da AGB de 1956, com o trabalho de Pedro Geiger e Ruth Lyra dos Santos sobre o processo de ocupação do solo na Baixada Fluminense (GEIGER; SANTOS, 1956), analisado pelo relator Renato da Silveira Mendes.

No decorrer dos anos 1960, o número de estudantes que ingressavam na AGB foi se ampliando muito mais do que este sistema de filtragem podia suportar e, em 1969, na Assembleia de Vitória (ES), uma nova sistemática foi aprovada: as reuniões passariam de anuais a bianuais e não mais haveria os trabalhos de campo com a conotação de treinamento avaliativo; haveria apenas excursões de cunho informativo. Em outras palavras, os sócios cooperadores não teriam mecanismos claros de ascensão na hierarquia da AGB. Isso começou a ser percebido na década de 1970.

Portanto, quebrar essa estrutura hierárquica da AGB Nacional, chamada por Milton Santos de Mandarinato, era o objetivo principal dos geógrafos da nova corrente. O processo iniciou-se pela Regional de São Paulo em 1978 e em 1979. Nas palavras de Manoel Corrêa de Andrade:

Em reunião em São Paulo, os sócios cooperadores conseguiram, com o apoio de alguns dos sócios efetivos controlar a assembleia, em grande parte formada por estudantes, provocando uma ruptura e a transformação da AGB em uma sociedade onde os estudantes passaram a ter o verdadeiro controle dos destinos da mesma. (ANDRADE, 1991, 1992, p. 137)

O terceiro espaço era a “Geografia Oficial”, isto é, as instituições de planejamento governamental que trabalhavam com Geografia para regionalizar, diagnosticar e gerar subsídios às esferas superiores de decisão política. Nesse espaço, a joia da coroa eram o Departamento de Geografia do IBGE e o poder de Speridião Faissol e sua Geografia Quantitativa, que surgiu no período mais duro do regime, portanto, revestida de muitas conotações negativas no campo político.

Com esse pano de fundo devem ser avaliados os acontecimentos de 1978, na Assembleia da AGB de Fortaleza, considerando também que, no exterior, as discussões sobre o papel da Geografia na organização da sociedade já estavam em plena ebulição. É possível perceber isso tanto no artigo de Willian Bunge no Professional Geographer – onde o autor, sem rejeitar os métodos quantitativos, mostra que é possível trabalhar com eles para fazer uma Geografia contestatória e, ao mesmo tempo, apresentar soluções para os problemas de uma área ou para mitigar as dificuldades de minorias étnicas nos grandes centros urbanos (BUNGE, 1973) – quanto no livro Social Justice and the City de David Harvey (1973), ou nos trabalhos de Richard Peet, editor da revista radical de esquerda americana Antipode.

Em 1976, a Seção Regional de São Paulo da AGB, sediada na USP, lançou uma série denominada Seleção de Textos que “(…) destina-se à publicação de pequenos trabalhos inéditos ou transcrições de textos, com finalidade didático-científica”.

O número 1 trazia a transcrição de um artigo de réplica do geógrafo soviético V. A. Anuchin sobre questões relativas ao objeto da Geografia Econômica, respondendo a questionamentos feitos por outro geógrafo soviético, M. I. Al’Brut (ANUCHIN, 1976). O debate havia sido publicado na Soviet Geography – Review and Translations v. II, no 3, de março de 1961, e foi traduzido pelo professor Manoel Seabra da USP.

O segundo artigo, “Relações espaço-temporais no mundo subdesenvolvido”, era de, Milton Santos, na ocasião o mais famoso geógrafo exilado do Brasil. Nessa época, ele lecionava no Institute of Latin American Studies da Universidade de Columbia em Nova York.

Era um típico artigo “ponta de lança”, desses que o autor coloca na arena de discussão para marcar posição sobre certos conceitos ainda não totalmente trabalhados, mas com bom potencial de novidade. Milton mostrou-se um mestre em artigos desse tipo. Esse, por exemplo, levantava questões sobre “A noção de tempo nos estudos geográficos” (p. 18), “A produção do espaço no Terceiro Mundo” (p.18-19), “Centro-periferia” (p.19-20), “Sistemas de tempo e sistemas de espaço” (p. 20), “Um princípio ordenador” (p. 20-21), “Diferenças entre países e disparidades regionais” (p. 21), “Tempo externo e tempo interno” (p. 21-22), “Problemas de escala” (p. 22-23) e “Para uma explicação geográfica tempo-espaço” (p. 23). Era o artigo ideal para se fazer anunciar que algo diferente estava chegando.

Esse “algo diferente” era resultado de uma longa gestação intelectual, iniciada ainda nos anos 1960 com o livro A cidade nos países subdesenvolvidos (SANTOS, 1965), continuada com Aspects de la Géogrphie et de l’Économie Urbaine des pays sous-dévelopés (SANTOS, 1969), prosseguindo com Les Villes du Tiers Monde (SANTOS, 1971). Atinge seu objetivo com L’Espace partagé. Les deux circuits de l’Économie Urbaine des pays sous-développés (SANTOS, 1975), cuja tradução para a língua portuguesa parece em 1979, com o título O espaço dividido: os dois circuitos da Economia Urbana dos países subdesenvolvidos (SANTOS, 1979).

Em 1977, a revista Antipode (a radical Journal of Geography) lançou um número especial sobre “Geografia e subdesenvolvimento” organizado por Milton Santos, Phil O’Keefe e Richard Peet. Milton assinou dois artigos, quando já havia fixado residência em São Paulo, após sua volta. O primeiro, “Spatial Dialectics: the two circuits of urban economy in underdeveloped countries”, era uma síntese de seu livro o Espaço dividido; e o segundo, “Planning Underdevelopment”, tratava do processo de planejamento como arma do capitalismo para penetração em países subdesenvolvidos – uma visão bem diferente do artigo “Geografia e desenvolvimento econômico” (SANTOS, 1959), quando o autor mostrava a importância do planejamento e o papel da Geografia nesse processo.

A evolução do pensamento de Milton Santos pode ser apreciada na obra organizada por Maria Adélia Aparecida de Souza, O mundo do cidadão, um cidadão do mundo, em homenagem a Milton Santos, através de seu curriculum vitae atualizado até agosto de 1966 (SOUZA, 1996, p. 485). Lá estão registradas todas as suas publicações e apresentações, desde seu primeiro artigo de 1952 na Revista de Educação e Cultura de Salvador, quando era professor do ensino médio, passando por seus trabalhos do período de professor universitário na PUC de Salvador e UFB até 1964, quando é exilado por força do golpe militar.

Em seu depoimento à revista Geosul, Milton Santos rememora sua participação no governo Jânio Quadros e suas relações com o governo da Bahia, fonte dos seus dissabores, quando eclode o golpe:

Em 1960 o Jânio me chamou porque queria me nomear embaixador (…) Ele precisava urgentemente nomear um embaixador negro, mas eu estava em Paris, onde a primavera estava linda e assim atrasei meu regresso. Ao chegar aqui, o Presidente me nomeou subchefe do seu gabinete civil e seu representante pessoal na Bahia. Este convívio com o poder me deu completo sentimento da fatuidade do poder. Representando o Presidente no estado da Bahia eu pude fazer alguma coisa de interesse popular, por exemplo, forçar o Banco da Bahia e os outros bancos que eram dirigidos pelo Ministro da Fazenda Clemente Mariani, a devolver aos lavradores o excesso de divisas que eles guardaram quando houve aquela desvalorização da moeda. Obrigamos a companhia elétrica canadense-americana a devolver à população o excesso de dinheiro cobrado nas contas. Na realidade, a minha ida à Cuba com Jânio já me garantia a inclusão do meu nome na lista do Exército. (SANTOS, 1991, 1992, p. 183)

O processo de prisão e o posterior exílio são marcados por fatos contraditórios por parte das autoridades, pois muitas pessoas importantes na Bahia intercederam para minorar suas vicissitudes:

Miguel Calmon, um grande homem, foi reitor e foi, digamos assim, a pessoa que negociou com o governo federal militar, a minha saída do Brasil. Eu tinha bons amigos, como Luiz Vianna que foi meu professor e Luiz Navarro de Brito, amigo fraternal, que não me deixaram entrar nas listas de cassação, o que foi uma grande gentileza, ainda que hoje tenha que trabalhar 10 anos a mais do que os outros (…) Em 64 então, eu fui de alguma maneira entregue ao Exército pelo Lomanto Júnior e seu chefe de polícia, porque ele precisava de um bode expiatório. Os bodes expiatórios foram o professor Duarte e eu (…) éramos as pessoas que tinham que ser entregues ao poder novamente constituído, como forma de liberar o Lomanto, para que ele pudesse se manter governador. 1964 chega, eu fui preso, solto depois de 6 meses e submetido a um sistema de prisão domiciliar. Ainda na prisão, deixei de ter a solidariedade de muita gente. Lembro daquela famosa reunião da AGB, onde queriam me crucificar. Alguns colegas tentaram me defender de forma subterrânea e alguns poucos de forma aberta, sobretudo o Armen, que teve um gesto cordial me dedicando uma apresentação de seu trabalho. Lembro-me que na prisão chorei quando tive essa notícia, porque estava sozinho, cercado e os defensores do novo sistema dentro da Geografia eram muito fortes. A Geografia sempre foi uma disciplina de gente reacionária, gente de bem, aquela gente da marcha da família, da propriedade, etc. Eu teria sido crucificado nessa reunião da AGB em 64, se não fosse Armen, Manoel Correia e Araújo Filho. Na prisão eu fui nomeado professor da Universidade de Toulouse na França. Como eu adoeci depois da prisão no quartel do Exército e durante a minha prisão domiciliar, graças então, a essa minha doença e à negociação do reitor Miguel Calmon, a vigilância foi afrouxada, e eu pude viajar para a Europa no Natal de 1964. Isto provocou uma comoção nacional, digo nacional, porque a imprensa do sul publicou este fato com destaque (Correio da Manhã, Diário de Notícias). Fui para Toulouse, me instalei lá, recebido com enorme carinho pelos colegas da Universidade (…) Fui pensando que ia passar 6 meses e na realidade acabei ficando fora 13 anos. (SANTOS, 1991, 1992, p. 184-185)

Sobre a questão que tenta relacionar seu trabalho com o marxismo, Milton Santos explica:

Na realidade eu tinha uma leitura de segunda mão, através de Pierre George, mas sobretudo de Tricart e um pouco de Rochefort, René Dugrand, Bernard Kayser, com quem sempre mantive relações muito boas, porque Tricart me sugeriu visitar todos esses jovens geógrafos que escreviam teses em 1956-58. Dando aula na França, cheguei à conclusão que aquilo que eu ensinava, lido na Escola Francesa, não me satisfazia. Comecei então, a querer fazer outra coisa e é aí então, que vem essa vontade de teorização sobre urbanização, que vai desembocar nos livros que eu publiquei ainda na França e depois nos EUA e na Inglaterra e que são, digamos assim, uma outra forma de ver o Terceiro Mundo, a partir de uma cabeça do Terceiro Mundo. (SANTOS, 1991, 1992, p. 192)

Quanto à sua volta e ao Congresso da AGB de Fortaleza, Santos também fala:

Acho que 1978 foi a eclosão de um movimento que vinha se gestando há mais tempo e que havia uma fermentação extremamente bem orquestrada. Não foi obra do acaso, nem foi erupção espontânea. Não houve apenas gratuidade. Havia um grupo de geógrafos brasileiros preocupados com a Geografia brasileira, dispostos a mudar seu rumo, sentido acadêmico, na construção de uma nova teoria geográfica, uma nova posição que fosse também, ao mesmo tempo, política e acadêmica, dentro da Geografia. Basta olhar o Boletim Paulista de Geografia, no 51, onde está o editorial que marca essa mudança de tendência. Eu fui instrumental a esse movimento, quer dizer, a minha volta ao Brasil com a aura do homem que viveu fora, tinha sido professor em grandes universidades estrangeiras – nós somos muito gulosos dessa fama que vinha amarrada à minha trajetória – então, isso servia ao movimento e me foi útil. Talvez eu fosse o único intelectual brasileiro que viveu fora e que não precisou estar amarrado a grupos, nem partidos, nem de tendências, nem de curriolas, para conseguir um lugar no país, porque a AGB através desse movimento, me deu uma cobertura nacional. Isto tem que ser dito. (p. 196)

(…) o grupo do Departamento de Geografia da UFRJ, que sempre primou por uma estratégia de longo prazo, decidiu me convidar. Eu depois de hesitar, uma hesitação que foi depois dissolvida tanto pela insistência da Maria do Carmo Galvão quanto da Bertha Becker, decidi me transferir para o Rio de Janeiro, onde fiquei até 1983, quando então fui para a USP, fixando-me no que considero o melhor Departamento de Geografia do país. Os meus colegas paulistas me fizeram um convite que equivalia a possibilidade de me tornar professor titular. Vim para São Paulo, onde estou até hoje e espero ficar. (SANTOS, 1991, 1992, p. 197)

Como disse Milton Santos, o grupo de geógrafos que iniciou o processo de organização da Geografia Nova ou Geografia Crítica eram todos professores universitários empenhados em produzir artigos para uma Geografia diferente. Inicialmente, a diferença estava subdividida nos que criticavam a Geografia oficial, vista naquele momento como representante direta do regime militar em primeiro plano e atrelada ao capitalismo em um plano mais abrangente, e nos que tentavam novas abordagens teóricas para a renovação. Estavam divididos geograficamente em dois centros disseminadores, Rio de Janeiro e São Paulo. O Rio de Janeiro contava com as presenças de Milton Santos (UFRJ), Rui Moreira (PUC) e Carlos Walter Porto Gonçalves (PUC); em São Paulo, o Departamento de Geografia da USP era o núcleo principal, com Manoel Seabra, Ariovaldo Umbelino de Oliveira, Armando Corrêa da Silva, Armén Mamigonian, Antônio Calos Robert Moraes e Wanderley Messias da Costa.

Em 1980, a Revista de Cultura Vozes editou em seu número 4 do ano 74 um conjunto de textos sob o título Geografia e sociedade: os novos rumos do pensamento geográfico, com artigos de Roberto Lobato de Azevedo Corrêa (“Da ‘Nova Geografia’ à ‘Geografia Nova’”), Ariovaldo Umbelino de Oliveira (“É possível uma ‘Geografia Libertadora’”?), Ruy Moreira (“Geografia e ‘práxis’”), João Mariano de Oliveira (“Revendo criticamente a Geografia”) e Milton Santos (“Reformulando a sociedade e o espaço”). Apresentou também uma pesquisa bibliográfica da nova corrente levantada por um grupo de geógrafos e estudantes de Geografia orientados por Ruy Moreira, denominado Espaço-CEG (Grupo de Estudos Geográficos). A lista de 72 citações chamava-se Sobre a Geografia repensada politicamente e cobria democraticamente as áreas de Economia Política, Sociologia e Geografia.

Na seção “Ideias e fatos” (p. 302) há também um comentário de Milton Santos avaliando os principais periódicos que publicavam textos sobre a Nova Geografia, em que cita o Boletim Paulista de Geografia, Território Livre, da União Paulista de Estudantes de Geografia (UPEGE), Encontros com a Civilização Brasileira, Revista Civilização Brasileira, Contexto, da Hucitec, Temas de Ciências Humanas e Revista de Cultura Vozes.

O núcleo central desse grupo foi novamente reunido num livro organizado por Milton Santos sob o título Novos rumos da Geografia brasileira, editado pela Hucitec em 1982. A estrutura dividia-se em dois blocos: “Contribuições brasileiras à Teoria da Geografia” e “Estudando a Geografia e o Espaço Brasileiros”.

No bloco de contribuições teóricas, alguns imaginavam criar as bases para uma Geografia Marxista, como Antônio Carlos Robert Moraes e Wanderley Messias da Costa, no artigo “A Geografia e o processo de valorização do espaço” (MORAES; COSTA, 1982, p. 111-130), Ruy Moreira em “Repensando a Geografia” (MOREIRA, 1982, p. 35-49), e Ariovaldo Umbelino de Oliveira em, “Espaço e tempo: compreensão materialista de dialética” (OLIVEIRA, 1982, p. 66-110). Milton Santos, com uma incrível visão premonitória, escreveu um artigo que passou meio despercebido na época, mas que havia corrido as salas do mestrado da UFRJ sob forma de xerox: chamava-se “Alguns problemas atuais da contribuição marxista à Geografia” (SANTOS, 1982, p. 131-139).

Nele, Santos citou inicialmente o problema que Jean Dresch já havia levantado em 1948, quanto ao erro do uso automático da terminologia como forma de criar um campo de termos que, na visão de alguns, eram autoexplicáveis, mas que no fundo, ligava ao dogmatismo que alguns seguidores do marxismo teimam em cultivar. Alertava sobre a necessidade do trabalho empírico para auxiliar a teoria e evitar sectarismos no processo de incorporação de novas teorias. Criticava o dogmatismo vigente e o que chamou de “congelamento dos conceitos”, dando o seguinte exemplo sobre o conceito de consumo:

Durante a vida de Marx, o consumo não possuía um papel tão fundamental como o que hoje ele tem no conjunto do processo produtivo capitalista. Era a produção propriamente dita, junto com a circulação, que assegurava a reprodução do capital e o desenvolvimento do sistema. Por isso Marx lhe consagrou, em sua obra, o melhor de sua imaginação e dos seus esforços. (SANTOS, 1982, p. 134)

Milton lembra também o cuidado que se deve ter no relacionamento com a realidade concreta:

Noções como modo de produção, forças produtivas, relações de produção, luta de classes etc., que com insistência aparecem no linguajar dos marxistas restam, apenas, sonoridades ineficazes, se não reexaminadas, a partir do concreto, dentro de um método onde as categorias filosóficas acima enunciadas se combinem. (SANTOS, 1982, p. 135)

A parte final do artigo é dedicada à recriação do discurso da Geografia tendo por base dois tipos de debates: o de ideias, com o confronto de sistemas de referência, e o de trabalho empírico, com o confronto de resultados referentes às interpretações factuais contrapostas às releituras de interpretações anteriores. Nos anexos, Milton lista alguns princípios marxistas aplicáveis ao estudo do espaço e oferece também duas listagens de publicações de obras relacionadas com o marxismo na Geografia.

A segunda parte, “Estudando a Geografia e o espaço brasileiro”, foi reservada aos trabalhos que exemplificavam a realidade brasileira, tanto na área do pensamento geográfico – O pensamento geográfico e a realidade brasileira (Manuel Correia de Andrade) e Novos rumos para a Geografia brasileira (Milton Santos) – quanto em segmentos específicos como a questão agrária – Estrutura agrária e dominação no campo: notas para uma debate (Carlos Walter Porto Gonçalves), – e urbana – Notas sobre a Geografia Urbana brasileira (Armen Mamigonian). Havia também a publicação da apresentação de Manoel Seabra na mesa-redonda da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), realizada no Rio de Janeiro em 1980 – Crise econômico-social no Brasil e o limite do espaço –, que abordava algumas questões concernentes ao marxismo, tais como crise do capitalismo, desenvolvimento desigual e combinado, a questão do nacionalismo x penetração do capitalismo monopolista etc.

Paralelamente ao movimento dos professores, havia também um movimento dos alunos de Geografia que se estruturava mais ou menos organizado dependendo da universidade. No caso paulista, a organização sempre foi uma das características, e a adesão de estudantes dispostos a trabalhar também. No Rio de Janeiro, isso dependia de uma boa dose de messianismo de professores como Ruy Moreira e Carlos Walter Porto Gonçalves, que episodicamente conseguiam reunir um grupo coeso na PUC, UERJ ou UFF. Por conta desse movimento foi editado o livro de Yves Lacoste, A Geografia serve antes de mais nada para fazer a guerra (cuja edição original, da Maspero de Paris de 1976, tinha sido traduzida em Portugal pela Iniciativas Editoriais em 1977). Essa edição carioca era, na linguagem técnica editorial, não autorizada, isto é, pirateada da edição portuguesa e vendida nas salas dos Diretórios Estudantis da época – leitura que fazia muito sucesso em virtude da atualidade do tema (Guerra do Vietnã) e da excelente prosa de Lacoste.

O livro fala da principal diferença entre a Geografia de “Estado-Maior” utilizada pelos exércitos e aparatos de governo desde a Antiguidade e a Geografia dos professores universitários, iniciada no século XIX na Europa. Mostra também a atualidade da Geografia no gerenciamento de territórios de mercado das principais organizações multinacionais e a eficiência da Geografia de Estado-Maior na campanha americana de bombardeio do Vietnã do Norte e do Camboja. Explica as principais noções de escala, mostra experiências didáticas com alunos de ensino médio na França e discute as dificuldades da análise marxista na Geografia. É claro que uma obra com tantos alertas e visões interessantes sobre o papel da Geografia causou grande impacto nos alunos do início dos anos 1980.

No entanto, apesar do sucesso do livro de Yves Lacoste, a principal obra de referência do período foi Por uma Geografia Nova (SANTOS, 1978). Não era uma leitura fácil, em virtude do grande número de temas abordados nas três partes divididas em 18 capítulos, mais introdução e conclusão. Milton conta em seu depoimento à Geosul (SANTOS, 1991, 1992, p. 196) que insistiu com o editor da Hucitec para a rápida publicação do livro:

 

 

A AGB, digamos assim, me criou uma repercussão nacional, que eu sentia que ia durar pouco, razão pela qual eu insisti com o editor, que me foi encontrado por Florestan Fernandes, para publicar rapidamente o meu livro Por uma Geografia Nova, porque sabendo que o Brasil é um país oral, onde as circunstâncias fizeram com que as pessoas leiam pouco, eu diria que para ser lido depois, eu teria de ser conhecido antes. E assim foi. O livro foi comprado e houve até quem comprasse 5 exemplares porque fazia parte do bom tom da época.

O movimento da Geografia Crítica desenvolveu-se nos anos 1980, principalmente nos cursos de formação de professores, provocando grandes alterações no conteúdo dos livros didáticos, que passaram a ter uma postura crítica ao analisaram alguns dos grandes movimentos econômicos e sociais que ocorriam no mundo (choque do petróleo, conflito árabe-israelense, crescimento econômico de alguns países asiáticos, conflitos internos nos países africanos). Autores como Willian Vesentini e Melhen Adas ganharam a preferência dos professores de ensino médio, no lugar de outros da velha-guarda, como Nilo Bernardes e Aroldo de Azevedo.

A produção de divulgação orientada para um público universitário situado no ciclo básico também aumentou bastante. Editoras como Ática e Moderna iniciaram coleções de obras de Geografia que objetivavam divulgar conceitos específicos de uma maneira mais leve, em contraste com os antigos compêndios acadêmicos que foram os carros-chefe das editoras até os anos 1960-1970. Um bom exemplo desse tipo de obra são os trabalhos de Roberto Lobato de Azevedo Corrêa na série Princípios (CORRÊA, 1986, 1989) da editora Ática.

Essas mudanças se fizeram sentir até no programa de Geografia do Concurso de Admissão ao Instituto Rio Branco do Ministério de Relações Exteriores (o Itamarati). De um antigo programa que enfatizava questões relacionadas com a Geografia Física, passou-se para outro que dava ênfase aos movimentos do “Grande Capital”, as desigualdades regionais e as questões ambientais em escala global. (ARAÚJO, 1995)

É necessário, portanto, que se considere em termos positivos o papel da Geografia Crítica no panorama do pensamento geográfico brasileiro dos anos 1980-1990. Entretanto, apesar de sua ampla penetração na comunidade geográfica, sua interpretação não é imune a controvérsias, principalmente nos períodos iniciais do movimento, quando as questões políticas referentes ao ocaso do regime militar e a canhestra introdução da Nova República deram o tom. Os resultados foram obviamente negativos, pois misturavam-se nas arenas, que deveriam ser apenas palcos de debates de ideias, questões pessoais vinculadas a lutas de poder nos ambientes institucionais.

Outro problema foi a mistura de temas e posições filosóficas que embaralharam a discussão e descaracterizavam áreas importantes da pesquisa geográfica, como foi o caso da Geografia Física, tomada por positivista por trabalhar mais intensamente com a Teoria Geral dos Sistemas (TGS), considerada também quantitativa e, por isso mesmo, sujeita ao repúdio total.

Um observador atento desses tumultuados anos foi Antonio Christofoletti professor da UNESP de Rio Claro que, em 1992, publicou no periódico Geografia uma resenha denominada “O conhecimento geográfico no Brasil: considerações de um geógrafo”, fruto de uma comunicação apresentada num simpósio sobre o Conhecimento Geográfico no Brasil, realizado na UNESP de Presidente Prudente em agosto de 1991.

Inicialmente, Christofoletti faz uma rememoração de sua carreira sob a ótica das leituras de referência que orientaram sua trajetória como estudante e profissional de Geografia Física até sua inserção no ramo editorial, quando assume a coordenação editorial da revista Notícia Geomorfológica e, posteriormente, passa a fazer parte do conselho editorial do Boletim de Geografia Teorética e da revista Geografia. Em seguida, analisa o contexto da chegada ao Brasil da “Nova Geografia”, mostrando a necessidade de atualização com a bibliografia editada em outros centros de difusão do conhecimento e o relacionamento entre um pesquisador e certos autores considerados em suas épocas referência de determinadas linhas de pesquisa. Ele dá exemplos de pesquisadores brasileiros que sempre trabalharam com a vanguarda do conhecimento, como os paulistas João Dias da Silveira e Aziz Nacib Ab’ Saber.

Christofoletti expõe também sua preocupação com a publicação sistemática de resenhas bibliográficas em vários periódicos de Geografia e jornais (Notícia Geomorfológica, Boletim Paulista de Geografia, Orientação, Boletim Baiano de Geografia, Boletim Gaúcho, Sociologia e Suplemento Literário de O Estado de S. Paulo).

Ele explica ainda a relação entre os grupos da UNESP de Rio Claro e do IBGE do Rio de Janeiro na tarefa de trabalhar com as novas técnicas quantitativas que estavam em fase de teste e adaptação, analisando as principais diferenciações quanto aos objetivos e escalas tratadas pelos dois grupos, e descreve alguns dos marcos importantes da época em termos de reuniões científicas e de publicações.

Na parte C de sua resenha, Christofoletti analisa a fase da chegada da Geografia Radical e seus desdobramentos no pensamento geográfico brasileiro, principalmente nas fases iniciais do processo:

Envolvido com os estudos geomorfológicos, com a teoria dos sistemas, rudimentos da quantificação e procedimentos metodológicos a leitura dos trabalhos publicados promovendo as concepções marxistas causou impacto negativo em minha pessoa. Transpareciam demasiadamente as conotações emotivas e críticas pessoais, em vez de realizarem a busca de incoerências conceituais e uso inadequado das técnicas, englobadas com interpretações impróprias. Por outro lado, descaracterizava-se totalmente o conteúdo e a natureza da Geografia Física em prol da ênfase sobre a relevância social para a Geografia. Esta mutilação surgia como inaceitável para a minha visão a respeito dessa disciplina. Trabalhando e verificando quase diariamente a produção geográfica desenvolvida nos mais diversos países, observava a discrepância entre o propugnado pelos geógrafos brasileiros engajados na onda do materialismo histórico e as proposições dominantes na literatura geográfica. (CHRISTOFOLETTI, 1992, p. 112)

Orlando Valverde, do IBGE, foi outro geógrafo que também não viu com bons olhos o clima de radicalização que ocorreu no início dos anos 1980, principalmente no que se referia ao desprezo a que eram relegadas as questões ambientais. Em seu depoimento à revista Geosul (VALVERDE, 1991, 1992, p. 237), ele comenta que suas relações com algumas figuras da Geografia Crítica ou Radical foram se tornando cada vez mais conflitantes:

Um grupo criou a chamada Geografia Radical, Geografia Crítica ou Geografia Marxista, alegando que a Geografia era uma ciência puramente social e não deveria cogitar, portanto, de Geomorfologia, Clima, Biogeografia, etc., o que para mim é errado (…) Eliminar os estudos referentes ao meio ambiente das diversas regiões equivale a presumir que a Terra seja como uma bola de bilhar, toda igualzinha. Então, só os fenômenos sociais têm significação? Contudo, tais ideias se difundiram muito entre os professores de Geografia que não eram realmente pesquisadores. Em consequência dessa atitude, os adeptos dessa corrente se tornaram incapazes de fazer um Planejamento Regional, pois além dos problemas sociais, eles precisavam conhecer os recursos naturais da área em estudo (…) Hoje em dia, muitos reconhecem isso, mas por causa dessa postura, sofri também certa discriminação: quando fui eleito presidente da AGB, entre 1984 e 1986, o Grupo Radical, que compunha minha diretoria, não aceitou absolutamente. Houve uma verdadeira sabotagem à minha atividade. Acho que, até hoje, a AGB precisa de um mínimo de organização.

Apesar dessas críticas, a Geografia de orientação marxista produziu dois trabalhos que se tornaram referência na bibliografia brasileira. A tese de livre-docência de Ariovaldo Umbelino de Oliveira, A fronteira amazônica mato-grossense: grilagem, corrupção e violência, defendida no Departamento de Geografia da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da USP (OLIVEIRA, 1997), e a tese de doutorado de Antônio Carlos Robert Moraes, Bases da formação territorial do Brasil: o território colonial brasileiro no “longo” século XVl, publicada pela Hucitec de São Paulo (MORAES, 2000). Ambos foram produtos que situaram processos que são importantes no ideário marxista: os mecanismos de ocupação territorial, posse da terra e da posterior inserção no mercado fundiário privado.

Foi justamente no final dos anos 1980 e início dos anos 1990 que os acontecimentos políticos na Europa – primeiramente em 1989, na Alemanha, com a queda do Muro de Berlim e a desagregação da Alemanha Oriental, e, posteriormente, com a dissolução da URSS em 1991 – selaram o início do processo do refluxo da Geografia Crítica, tal qual se apresentava nos anos 1980.

5.4 AS NOVAS PREOCUPAÇÕES AMBIENTAIS

Não houve uma grande crise que marcasse um ponto de referência nessa inflexão, e sim um gradativo afastamento das críticas anteriores, associado a uma preocupação cada vez maior com o campo do Meio Ambiente, anteriormente relegado a segundo plano, quando não considerado área fora da “verdadeira Geografia”, que deveria apenas ocupar-se do social.

Na década de 1990, Milton Santos passa a focalizar com maior precisão as relações espaciais entre a sociedade e o binômio Ciência e Tecnologia, alertando principalmente para as consequências positivas e negativas de certos produtos ou serviços possuidores de alta carga tecnológica, no espaço geográfico dos países mais pobres. Sua principal obra dessa época, Técnica, espaço, tempo: globalização e meio técnico-científico informacional (SANTOS, 1994), foi estruturada como uma coletânea de artigos, textos de conferências e seminários, capítulos de livros ou de outras coletâneas, produzidos em sua maioria no início dos anos 1990. Apenas um deles foi escrito na segunda metade dos anos 1980, o artigo “O período técnico-científico e os estudos geográficos”, publicado no nº 4 da Revista do Departamento de Geografia da USP e apresentado no Seminário Interamericano Sobre Ensino de Estudos Sociais da OEA em Washington, em 1986.

Essa abordagem passou a fazer parte das preocupações de boa parte dos geógrafos brasileiros, pois através dela foi possível conciliar as preocupações ambientais, o problema da mundialização da produção, do consumo e das comunicações e o espectro do processo de inclusão/exclusão das sociedades mais pobres aos ditames da técnica: “A técnica é a grande banalidade e o grande enigma, e é como enigma que ela comanda nossa vida, nos impõe relações, modela nosso entorno, administra nossas relações com o entorno” (p. 20).

Milton Santos morreu em 2001, em decorrência de um câncer, mas deixou, em coautoria com Maria Laura Silveira, um dos melhores retratos da Geografia do Brasil do final do século XX e início do XXI (SANTOS; SILVEIRA, 2001). Nesse livro, suas investigações sobre o meio técnico-científico informacional se situam no território brasileiro por meio dois grandes movimentos, o de análise e o de síntese, finalizando com oito estudos de caso, produto de seu esforço de orientação acadêmica no curso de pós-graduação da USP aos seus alunos Marcos Xavier (Sistemas de Rodovias), Cilene Gomes (Telecomunicações e Informática), Fábio Betioli Contel (Sistemas de Transportes), Soraia Ramos (Sistemas Técnicos Agrícolas), Eliza Almeida (Serviços Urbanos), Lídia Antongiovanni (Serviços de Publicidade e Propaganda) e Adriana Bernardes (Serviços de Consultoria na cidade de São Paulo).

Com a volta das preocupações ambientais, o próprio IBGE, que havia absorvido em 1985 o corpo técnico do Projeto Radar da Amazônia (RADAM), inicia projetos com variados graus de integração entre as áreas Física e Humana da Geografia, incluindo também outras áreas do conhecimento, como Biologia e Geologia, por exemplo.

São dessa fase os projetos de diagnósticos integrados, realizados principalmente na Amazônia (Diagnóstico Brasil – escala nacional; Diagnóstico da área de Carajás – Pará e Maranhão; Projeto Nossa Natureza – Região Norte; Diagnóstico da Amazônia Legal – Regiões Norte e Centro-Oeste; Projeto de Proteção do Meio Ambiente e das Comunidades Indígenas (PMACI) – Rondônia e Acre; o Entorno do Distrito Federal – Região Centro-Oeste e Gerenciamento Costeiro – Região Sul). Esses trabalhos, apesar de terem sido motivo de grandes preocupações por parte dos coordenadores técnicos, que tinham de exprimir, numa única linguagem, uma verdadeira babel de textos oriundos dos pesquisadores especializados, acabaram por tecer uma nova aliança entre os profissionais da Geografia Física e os da Geografia Humana. As contribuições de Maria Luisa Castello Branco, Rivaldo Pinto de Gusmão, Teresa Cardoso, Antônia M. M. Ferreira, Olga Becker, Adma Hamann Figueredo e Teresa Cony Aguiar nas coordenações técnicas desses projetos foram fundamentais para a reabertura desse diálogo.

Ainda não se chegou ao refinamento desejado, mas quando se volta o olhar para as décadas anteriores, percebe-se quanto a Geografia avançou nos últimos anos do século XX.

Também foi necessário entender a chamada Geografia Quantitativa da década de 1970, só devidamente absorvida pela Geografia brasileira por meio da democratização do uso de computadores pessoais na década de 1990, quando se tornaram cada vez mais poderosos e baratos, em comparação com os computadores de grande porte utilizados por uma minoria nos anos 1970.

Programas de mapeamento automatizado, correlacionados com imagens de sensores remotos e bancos de dados, situados em sites que podem ser acessados via internet (como as várias versões do Google), democratizaram a verdadeira Geografia Quantitativa e tiraram o estigma que a caracterizou em tempos passados.

No contexto ibegeano, o convênio da Diretoria de Geociências com a Maison de Geographie de Montpellier, no início dos anos 1990, garantiu um bom processo de transferência de conhecimento e de tecnologia para ambos os lados, pois a troca entre profissionais franceses, como Philipe Waniez e Violette Brustlein, Hervé Théry, e brasileiros, como Evangelina Xavier Gouveia de Oliveira, Dora Hees, Monica O’Neill, Cesar Ajara e Luís Cavalcanti da Cunha Baihana, foi muito rica, apesar dos descompassos ocorridos em torno da adequação dos equipamentos computacionais entre as instituições. Os franceses eram adeptos das plataformas Apple Macintosh/Sistem 8.0, mas o IBGE sempre foi fortemente atrelado ao PC/Windows.[13]

Mesmo com esses problemas, muitos produtos resultantes dessa relação foram publicados em edições bilíngues, objetivando a ampliação do conhecimento dos processos de ocupação da área da fronteira, de recursos do interior brasileiro e da Amazônia em particular. Além disso, a divulgação dos dados censitários brasileiros na Europa, através de softwares de mapeamento automático e de banco de dados relacionais, foi também de grande valia para uma melhor compreensão da dinâmica territorial brasileira.

Muito do avanço ocorrido no uso da computação gráfica e de mapeamento no Departamento de Geografia, no início do século XXI, ainda está fortemente vinculado a essa fase pioneira com os franceses da Maison de Geographie, que mostraram o caminho e as possibilidades futuras.

Nas universidades, o uso de ferramentas de geoprocessamento e de mapeamento automatizado, conjugados a bancos de dados, está cada vez disseminado, e praticamente toda grande universidade pública e algumas privadas já possuem sua área de cartografia digital. Essas áreas estão se tornando um elemento de ligação importante entre os profissionais e alunos de Geografia Física e os de Humana e Econômica, acabando com os antigos antagonismos de cunho ideológico, que só serviram para dificultar o desenvolvimento da Geografia brasileira.

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Apesar de extensa bibliografia que cobriu a atuação do governo brasileiro, da Revolução de 1930 aos dias atuais, ainda estão para ser explorados inúmeros temas e instituições que contribuíram para a constituição da “Era Vargas”.

O IBGE, sem dúvida alguma, é uma dessas instituições que, por seu tamanho e sua complexidade administrativa, reserva ainda em seus documentos e na memória de alguns de seus funcionários partes importantes da História da República, no que tange às configurações da estrutura territorial brasileira, seu correto mapeamento e sua estruturação estatística, principalmente a demográfica e a econômica, que passaram a ter, nos últimos anos, um relevante papel no processo de conhecimento que o brasileiro médio tem acerca do seu país.

O fato de ser uma agência que possuía a capacidade de capilaridade, isto é, de estender-se até o mais longínquo município com sua agência de coleta e, ao mesmo tempo, participar das altas decisões governamentais em termos de gerenciamento do território, por si só já lhe garantiu um papel ímpar perante outras instituições da República.

Sua tecnoburocracia foi uma das mais complexas da Era Vargas, pois no IBGE mesclaram-se áreas técnicas as mais diversas, dentre as quais a Geografia foi apenas uma.

Em paralelo, o papel da universidade, na tarefa de formar pesquisadores e professores, reforçou a importância da Geografia perante as outras áreas de atividade do IBGE. Durante os primeiros períodos da instituição, essa combinação (IBGE-Universidade) – capaz de formar pesquisadores que conhecessem muito bem o território nacional e garantir-lhes uma boa bagagem intelectual para interpretar esse conhecimento adquirido empiricamente – foi a ferramenta que forjou uma equipe de profissionais de alta qualidade técnica.

Além disso, é importante assinalar o forte apoio garantido por mestres estrangeiros, que formaram as duas primeiras gerações de profissionais, transformando-as nas principais lideranças acadêmicas e gerenciais da instituição nos anos 1950, 1960 e 1970. Foi nesse cadinho de metodologias que algumas técnicas inovadoras foram testadas, tanto no campo do mapeamento quanto na regionalização ou nos estudos sistemáticos (Climatologia, Sistemas Urbanos, Agrária, Industrialização e outros).

Novas áreas foram desveladas – a Amazônia, o Pantanal, o Cerrado, o Meio-Norte. E através da Geografia o país ganhou seu primeiro estudo sistemático em nível municipal, com a Enciclopédia dos Municípios Brasileiros. Paralelamente, a Cartografia da instituição também mapeou todo o território na escala 1:1.000.000, em consonância com as determinações da União Geográfica Internacional. Em se tratando de um espaço com mais de 8.500.000 km2, com mais de 5.000 municípios, percebe-se a magnitude dos desafios enfrentados.

7 AS PRINCIPAIS REVISTAS DE GEOCIÊNCIAS

A Amazônia Brasileira em Foco. Companhia Nacional de Defesa e pelo Desenvolvimento da Amazônia, Rio de Janeiro, RJ.

Amazoniana. Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, Manaus, AM.

Anais Hidrográficos. Diretoria de Hidrografia e Navegação da Marinha, Rio de Janeiro, RJ.

Anuário Astronômico. USP/Instituto Astronômico e Geofísico, São Paulo, SP.

Anuário da Diretoria de Serviço Geográfico. Ministério do Exército, Brasília, DF.

Anuário do Instituto de Geociências. UFRJ / Centro de Ciências Matemáticas, Rio de Janeiro, RJ.

Anuário do Observatório Nacional. Ministério da Educação e Cultura, Rio de Janeiro, RJ.

Arquivos de Ciências do Mar. Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, CE.

Atlântica. Fundação Universidade do Rio Grande / Departamento de Oceanografia, Rio Grande, RS.

Boletim Baiano de Geografia. Associação dos Geógrafos Brasileiros, Salvador, BA.

Boletim Carioca de Geografia.  Associação dos Geográficos Brasileiros, Rio de Janeiro, RJ.

Boletim da Sociedade Brasileira de Geografia. Sociedade Brasileira de Geografia, Rio de Janeiro, RJ.

Boletim de Geociências da Petrobrás. CENPES, Rio de Janeiro, RJ.

Boletim de Geografia Teorética. Associação de Geografia Teorética UNESP, Rio Claro, SP.

Boletim de Geografia. Universidade Estadual de Maringá, Maringá, PR.

Boletim do Instituto de Geociências. USP, São Paulo, SP.

Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi; Série Ciências da Terra. MPEG, Belém, PA .

Boletim Geográfico. IBGE, Rio de Janeiro, RJ.

Boletim Geográfico RGS. Secretaria de Agricultura, Porto Alegre, RS.

Boletim Goiano de Geografia. Universidade Federal de Goiás, Goiânia, GO.

Boletim IG-USP. USP / Instituto de Geociências, São Paulo, SP.

Boletim Paranaense de Geociências. Universidade Federal do Paraná / Departamento de Geociências, Curitiba, PR.

Boletim Paulista de Geografia. Associação dos Geógrafos Brasileiros, São Paulo, SP.

Cadernos de Geociências.  Universidade Federal da Bahia, Salvador, BA.

Caderno de Geografia. PUC-MG, Belo Horizonte, MG.

Cadernos Rio Clarense de Geografia.  UNESP / Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Rio Claro, Rio Claro, SP.

CLIMANÁLISE: boletim de monitoramento de análise climática. Instituto de Pesquisas Espaciais – INPE, São José dos Campos, SP.

Espaço Sociedade. Associação dos Geográficos Brasileiros, Rio de Janeiro, RJ.

GEOGRAPHIA.  UFF / Departamento de Geografia, Niterói, RJ.

GEOLOGICAL USP. USP / Instituto de Geociências, São Paulo, SP.

GEOLOGIA USP; Série Científica. USP / Instituto de Geociências, São Paulo, SP.

IGG: Revista do Instituto Geográfico e Geológico. Secretaria do Meio Ambiente / Instituto Geológico, São Paulo, SP.

GEOCIÊNCIAS. UNESP / Instituto de Geociências e Ciências, Rio Claro, SP.

GEOGRAFIA. Associação de Geografia Teorética, Rio Claro, SP.

GEOGRAFIA; Revista do Departamento de Geociências. Universidade Estadual de Londrina, Londrina, PR.

GEOGRAFIA: ensino & pesquisa. Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, RS.

GEOSUL. Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, SC.

GEOUERJ. Universidade Estadual do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, RJ.

MERCATOR: Revista de Geografia da UFC. Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, CE.

OIGG: Revista do Instituto Geográfico e Geológico. Instituto Geográfico Brasileiro, São Paulo, SP.

Revista Brasileira de Geofísica. Associação Brasileira de Geofísica, Rio de Janeiro, RJ.

Revista Brasileira de Geografia. IBGE, Rio de Janeiro, RJ.

Revista de Geociências. Universidade Federal Fluminense, Niterói, RJ.

Revista de Geografia. UNESP, Presidente Prudente, SP.

Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. IHGB, Rio de Janeiro, RJ.

Revista do Instituto Histórico e Geográfico de Goiás. IHGG, Goiânia, GO.

Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Rio de Janeiro. IHGRJ, Rio de Janeiro, RJ.

Revista do Instituto Histórico de Geográfico de Santa Catarina. IHGSC, Florianópolis, SC.

Revista do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe. IHGSE, Aracaju, SE.

Revista Geografia e Ensino. UFMG / Instituto de Geociências, Belo Horizonte, MG.

Revista Rio de Janeiro. Universidade Federal Fluminense, Niterói, RJ.

Sociedade & Natureza. Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, MG.

Sociedade e Território.  UFRN / Departamento de Geografia, Natal, RN.

Terra Brasilis. Grupo de Trabalho de História do Pensamento Geográfico, Rio de Janeiro, RJ.

A Terra em Revista. Companhia de Pesquisas de Recursos Minerais – CPRM, Rio de Janeiro, RJ.

Território. UFRJ / Laboratório de Gestão do Território, Rio de Janeiro, RJ.

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______; MESQUITA, Myrian Gomes Carneiro. O sistema de roças no Brasil e as novas perspectivas econômicas para os trópicos úmidos: o exemplo da Amazônia. Boletim Geográfico, 17 (203), p. 100-111, mar./abr. 1968.

WAIBEL, Leo Heinrich. A teoria de Von Thünen sobre a influência da distância do mercado relativamente à utilização da terra. Revista Brasileira de Geografia, Rio de Janeiro, v. 10, n. 1, p. 3-40, jan./mar. 1948.

______. A Lei de Thünen e sua significação para a Geografia Agrária. Boletim Geográfico [do] IBGE, Rio de Janeiro, v.13, n. 126, p. 273-294, mai./jun. 1955.

______. Capítulos de geografia tropical e do Brasil. Rio de Janeiro: IBGE,1958. 307 p.

______. Princípios da colonização europeia no Sul do Brasil. Revista Brasileira de Geografia, Rio de Janeiro, v. 11, n. 2, p. 159-222, abr./jun. 1949. Reimpressão no no 50 especial, tomo 1, 1988.

WANIEZ, Philippe et al. As “fronteiras” agrícolas do Brasil, segundo o Censo Agropecuário de 1985. Rio de Janeiro: IBGE; Montpellier: GIP/RECLUS/ ORSTOM, 1992. 42 p.

ZARUR, Jorge. A geografia no Curso Secundário. In: O IBGE e a Educação. Rio de Janeiro: IBGE, v.1, p. 497-540.

______. Geografia: ciência moderna ao serviço do homem. Revista Brasileira de Geografia, Rio de Janeiro, v. 6, n. 3, p. 313-326, jul./set. 1944.

______. A bacia do Médio São Francisco: uma análise regional. Rio de Janeiro: IBGE, Conselho Nacional de Geografia, 1947. 187 p.

______. Geografia e Cartografia para fins censitários. Rio de Janeiro: IBGE, Serviço Nacional de Recenseamento, 1951. 37 p.

______. Precisão e aplicabilidade na Geografia. 153 f. Tese (Cátedra) – Colégio Pedro II, Rio de Janeiro, 1955.

ZUSMAN, Perla Brígida. Sociedades geográficas na promoção do saber ao respeito do território: estratégias políticas e acadêmicas das instituições geográficas na Argentina [1879-1942] e no Brasil [1838-1945]. 209 f. Tese (Mestrado) – Programa de Pós-Graduação em Integração da América Latina, Universidade de São Paulo (USP), 1996.

Doutor em Ciências (Geografia) pela UFRJ, Geógrafo do IBGE (1970-2004), Sócio efetivo do IHGRJ.

E-mail: almeidar1@br.inter.net  Site: www.robertoschmidt.ggf.br

Para uma melhor compreensão do processo, ver Schwartzman, Bomeny e Costa (2000) e Machado (2002).

A expressão Sistema de Planejamento Territorial não era utilizada na era Vargas, porém a verificação de certas demandas governamentais da época, em termos de regionalização do território brasileiro, diagnósticos físicos e econômicos de certas bacias hidrográficas e de divisão territorial da malha estadual e municipal mostra com clareza que o conceito já era discutido em âmbito federal entre os anos 1930 e 1940.

Para uma visão mais abrangente do contexto político em que se estruturou o movimento de 1930 e de seus desdobramentos posteriores, recomenda-se a leitura de duas obras bastante esclarecedoras: Rumos e metamorfoses (DRAIBE, 1985) e A Revolução de 1930: Historiografia e História (FAUSTO, 1987).

O período republicano brasileiro, da Proclamação da República em 1889 até a Revolução de 1930, caracterizou-se pelo poder político das elites agrárias dos estados mais poderosos da federação: Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul.

A tese de Perla Brigida Zusman na USP, sob a orientação do Prof. Antônio Carlos Robert Moraes, tratou-as detalhadamente (ZUSMAN, 1996).

Para uma melhor visão da importância da Geografia francesa é necessário ler a obra de Anne Buttomer Sociedad y Medio en la Tradición Geográfica Francesa, que mostra o valor da tradição criada por Vidal de la Blache e seus discípulos, como Jean Brunhes, Pierre Deffontaines, Max Sorre e outros (BUTTIMER, 1980).

Ver também BERNARDES, Nilo (1982b).

Tornando-se assim o primeiro geógrafo do IBGE a conquistar um título de pós-graduação em Geografia no exterior.

A coleção foi editada pelo IBGE em 1956, para uso dos participantes do Congresso.

Esses trabalhos de Muller e Corrêa também informam o estado da arte na produção acadêmica dos professores das principais universidades brasileiras.

Editada em 1977 em cinco volumes, correspondendo cada um deles a uma macrorregião.

Nome dado ao concurso de admissão aos quadros diplomáticos do Ministério de Relações Exteriores do Brasil, famoso pelo seu rigor.

Os franceses Wainez e Brustlein associaram-se a Dora Hess e ao sociólogo Cesar Romero Jacob e estão produzindo trabalhos de pesquisa dos processos eleitorais brasileiros na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro.