A GEOGRAFIA DO IBGE NO SISTEMA DE PLANEJAMENTO TERRITORIAL:
UM ESBOÇO HISTÓRICO

Roberto Schmidt de Almeida
Pesquisador Titular do IBGE

Introdução

O resgate histórico de um conjunto de atividades levadas a efeito por uma comunidade de pesquisadores geográficos, situados na maior agência de planejamento territorial do governo brasileiro, entre os anos de 1938 e 1998, será o principal objeto deste trabalho. Atividades essas, classificadas por temas que abarcam as duas principais vertentes da Geografia: Humana e Física, e que deverão ser analisadas através de dois pontos de vista diferentes: o primeiro que priorizará o papel institucional da Geografia no contexto do IBGE e o segundo que dará conta das contribuições de seus geógrafos ao longo desse mesmo período.

A relação entre Documento e Memória presidirá esta pesquisa, na qual documento expressará o que foi impresso (legislação, projetos, relatórios e a produção intelectual dos geógrafos, através de relatórios, livros, atlas e artigos ) e memória exprimirá a experiência pessoal de um grupo de profissionais, através de seus depoimentos orais gravados e transcritos, que evocam suas respectivas trajetórias no IBGE e que nos esclarecem sobre as diferentes conjunturas onde foram gestadas suas produções geográficas.

É claro que sendo este, um trabalho que pretende explicar os diferentes papéis representados tanto pela Geografia praticada com a chancela do IBGE, quanto pelos seus geógrafos- vistos aqui enquanto chefes de círculos de afinidades que orientaram técnicas ou estabeleceram certos tipos de discursos geográficos, e pesquisadores que, isoladamente, produziram trabalhos que foram incorporados à História da Geografia brasileira- a relação entre documento e memória será sempre a linha de tensão que norteará este trabalho. Linha esta, que por vezes estará frouxa, em outras ocasiões tornar-se-á retesada, podendo desvendar conflitos de natureza diversos, políticos, científicos, corporativos e pessoais por que passaram esses geógrafos que construíram o que se convencionou chamar de Geografia Oficial do governo federal do Brasil.

O quesito “onde”, abarca o espaço territorial brasileiro, objeto de trabalho e atribuição legal da Geografia do IBGE. Embutida nessa questão estarão os problemas concernentes às escalas de observação de determinados tipos de trabalho geográficos, que causaram, em certos períodos, algumas celeumas internas, sobre a conveniência ou não de se estudar tópicos da Geografia que enfocavam níveis de detalhamento, aparentemente incompatíveis com a escala de trabalho normalmente operada pelo órgão. Os trabalhos sobre Estrutura interna das Regiões Metropolitanas e sobre Agentes Modeladores do Uso do Solo Urbano foram exemplos de estudos que geraram tais controvérsias.