Roberto Schmidt de Almeida

Pesquisador Titular do Departamento de Geografia  DGC  IBGE

Doutorando do Programa de Pós-Graduação  em Geografia da UFRJ

Introdução

Discutir objetivamente o abandono dos estudos sobre habitat na Geografia brasileira não é uma tarefa fácil, em virtude dos fortes  componentes emocionais e ideológicos que sempre gravitaram em torno de dois grupos de geógrafos: os agrários e os urbanos.

O problema é antigo e não somente brasileiro. Max Sorre (Sorre, 1952), já havia percebido que a noção de gênero de vida, e suas conseqüências para os estudos do habitat na França do pós guerra, encaminhavam-se para além do mundo rural em direção ao urbano, tanto é que explicitou os quatro tipos de desenvolvimento do estudo do habitat : 1- habitat rural, 2- as formas de transição, características originais do habitat urbano, 3- habitat urbano e 4- as formas mais evoluídas da habitat urbano ( as grandes cidades ).

Para Max Sorre , o mecanismo das migrações também teria um papel crucial nos estudos futuros sobre o habitat, pois grandes alterações já eram pressentidas por ele, em razão do forte processo de industrialização por que o mundo estava passando no início dos anos 50.

Grabois ( 1993 ) em seu  trabalho sobre as características atuais do habitat de transição rural/urbano no norte de Pernambuco recupera as colocações de Sorre, quando indaga “Que urbano é esse ?” e “Que rural é esse ?” ao discutir uma forma peculiar de habitat “a ponta de rua”,  num contexto de pobreza rural nordestina dos anos 90.

Por hora, devemos ter em mente, que o aparente abandono dos estudos sobre habitat no Brasil, tenha se dado mais em função de um fortalecimento dos estudos urbanos ( sistemas de cidades ), que ocorreu após 1956, por influência de Michel Rochefort, do que por causa da efêmera Geografia Quantitativa ( que conseguiu um feito importante, ser mais discutida do que efetivamente trabalhada, em virtude da reconhecida inabilidade do geógrafo brasileiro médio em trabalhar com a matemática e a estatística ). É válido também  considerar, que o forte enfoque econômico de que foram conduzidos uma boa parte dos trabalhos de geógrafos agrários após a  década de 60, também tenha contribuído para esse abandono.

Talvez esteja aí uma das respostas à dificuldade de Grabois ( 1993 : 9 ) em “compreender porque uma das tendências recentes da Geografia – a Geografia Crítica – não nos tenha apresentado algum trabalho que enfoque prioritariamente o habitat rural…”.

Apesar do caráter inescapavelmente polêmico da questão, é necessário considerar que os geógrafos das décadas de 60 , 70 e 80 , quantitativos, marxistas, tecnocratas ou o nome que se queira dar, viraram as costas para a Geografia Física, e que com isso, asfixiaram perigosamente a mais importante tradição da Geografia legada pelos franceses – a relação Sociedade / Meio. Tal situação somente veio apresentar modificação no final dos anos 80 e início dos 90, com a emergência dos estudos ambientais ( assim mesmo, por estarem  agregados à muitos milhões de dólares que agências internacionais e ONGs estão acenando ).

O Conceito de Habitat

Natura non , nisi parendo, vincitur

( Só se vence a natureza obedecendo suas leis )

                Francis Bacon

Chama-se habitat o modo de distribuição dos lugares habitados no interior de uma determinada região. Sendo a noção de lugar inseparável, neste caso, da noção de seu conteúdo humano, pode-se igualmente escrever que habitat é o modo de distribuição da população no interior de um espaço considerado.

                Pierre George

Para trabalhar o conceito de habitat será necessário constituir alguns pré-requisitos básicos, e por isso teremos que nos reportar a Vidal de La Blache         ( 1845- 1918 ) fundador da moderna escola francesa de Geografia humana e que estabeleceu que o meio natural era o principal elemento nivelador e harmonizador de grupos sociais heterogêneos. Para uma avaliação mais profunda da obra de Vidal de La Blache e da tradição vidaliana, o livro de Buttimer (1980) dá uma contribuição inestimável no entendimento da evolução da relação sociedade / meio no contexto acadêmico francês, desde o século XVIII.

No entanto, se o leitor estiver interessado no entendimento entre a ocupação humana e as condições naturais desde a antigüidade até a renascença deve pesquisar no clássico de Clarence J. Glacken,  escrito nos anos 50, Traces of  the Rhodian Shore , considerado o mais completo trabalho sobre o assunto (Glacken,1990).

A concepção de Geografia Humana para Vidal de La Blache tinha a natureza como um fator preponderante. Buttimer ( 1980 – p. 61 ) cita textualmente um discurso pronunciado em aula inaugural na Universidade de Paris, que foi posteriormente publicado nos Annales de Géographie de 1913:

“A Geografia, que se inspira na idéia de unidade terrestre, tem como missão principal averiguar como as leis físicas e biológicas que regem o mundo se combinam e se  modificam ao serem aplicadas à diferentes partes da superfície terrestre. Tem como objeto de estudo especial a expressão mutável que, segundo sua localização, a aparência da terra adota”.

A principal  ligação feita por Vidal de La Blache entre a natureza e sociedade no espaço foi o desenvolvimento do conceito de “Genre de Vie”, instrumento analítico que reconhece o mecanismo de integração entre o meio e aorganização social de um grupo, com vistas ao seu sustento cotidiano. Do imenso trabalho de Vidal de La Blache em sistematizar e classificar espacialmente a noção de gênero de vida, originou-se a tradição vidaliana que teve com principais representantes Jean Brunhes, Albert Demangeon e Maximilien Sorre  ( principalmente no que diz respeito a gênero de vida e habitat).

Brunhes (1869-1930) enfatizava a importância de se estabelecer a criação de uma geografia do trabalho como um objeto de análise mais objetivo para o entendimento do conceito de gênero de vida. Tal ênfase pode ser percebida na sua obra de 1902, em sua tentativa de classificação dos fenômenos que regem as atividades humanas: 1- fenômenos de ocupação improdutiva do solo               ( casas e caminhos ) 2- fenômenos de domínio sobre plantas e animais               ( campos de cultivo e áreas de criação ) 3- fenômenos de economia destrutiva    ( exploração mineral e atividades de devastação da vida animal e vegetal ) , ver Brunhes (1962, cap. III,IV e V).

Para Buttimer (1980: 86), a  Geografia francesa deve a ele … “a primeira formulação explícita de orientação sistemática da Geografia Humana na escola francesa, fórmula que, sem dúvida, inspirou as posteriores investigações de Demangeon, Sorre e Deffontaines. Suas investigações substantivas sobre doenças, ritmos de trabalho, tipos de habitação e cidades demonstraram a validade de uma orientação desse tipo, e seus notáveis estudos de casos mostraram como essa perspectiva podia enriquecer o trabalho regional.

Albert Demangeon (1872-1940) introduz a abordagem funcional, em paralelo à morfológica, que era corrente na época, para os estudos de habitat e povoamento (Demangeon, 1942). Seu sistema classificatório de aglomerado, aldeia e cidades e seu índice estatístico de dispersão são utilizados ainda hoje pelas agências censitárias em suas tarefas  pré-definidoras ao planejamento de logística de coleta de dados ( delimitação das unidades territoriais de coleta ). Para maiores detalhes ver Buttimer (1980) e Derruau (1964). Sua preocupação com os aspectos funcionais, indo além dos puramentemorfológicos trabalhados pelos geógrafos alemães com Schlüter, Gradmann e Meitzen, é percebida por suas reflexões sobre os efeitos da tecnologia nas atividades humanas e seus reflexos espaciais na distribuição, densidade e limites do povoamento em vários contextos geográficos.

Sorre (1880-1962) foi o que conseguiu sintetizar holísticamente as noções de gênero de vida e habitat como o resultado final de uma ampla gama de relações entre aspectos físicos, culturais, tecnológicos que rege a convivência humana.. Dos três, Sorre foi o que sentiu mais o poder da mundialização do progresso. Seus trabalhos sobre migrações modernas, turismo, difusão de doenças, espacialização de tecnologias e vida urbana dão um testemunho da grandeza de sua contribuição para a Geografia (Sorre, 1952).

O estabelecimento de relações mais ricas entre espaços sociais restritos ( casa, aldeias, ) e regiões, pode ser  verificado na obra de Armand Fremont, que faz uma interessante costura desses elementos, na segunda parte do livro denominada:  Da Casa à Região ( Fremont,1980).

É com esse pano de fundo que se deve avaliar a influência dessas concepções da escola francesa de Geografia no meio acadêmico brasileiro, no que diz respeito aos estudos de gênero de vida e habitat. Muito embora, reconhecendo que não foi somente os franceses os que estudaram e orientaram os pesquisadores brasileiros no tema.

Os Geógrafos do Habitat no Brasil :  mestres introdutores  do  tema  e seus seguidores

Segundo Grabois (1993), o período de ouro dos estudos sobre habitat no Brasil, se dá entre meados da década de 40 e a de 50. Isso se explica em função do início dos trabalhos geográficos do Conselho Nacional de Geografia em 1937, órgão federal criado no contexto de centralização política e de planejamento do Estado Novo de Getúlio Vargas ( Penha, 1993) e da consolidação das Faculdades de Geografia de São Paulo em 1934, sob a orientação de Pierre Defontaines, Pierre Monbeig, Emmanuel De Martone, Maurice Le Lannou, Pierre Gourou entre outros,  e a da Universidade do Distrito Federal em 1935, embrião da futura Universidade do Brasil, no Rio de Janeiro , sob a orientação também de Defontaines e Mobeig, Philippe Arbos e André Gilbert.

No contexto do Conselho Nacional de Geografia do IBGE, as figuras mais importantes, além do próprio Deffontaines entre 1935 a 1939, foram durante o início dos anos 40, as do francês  Francis Ruellan,  dos alemães Leo Waibel e Gottfried Pfiffer , além dos americanos Robert Platt, Lynn Smith, Clarence F. Jones e Preston James ( Pereira, 1994: 440).

No caso dos franceses a quase totalidade, eram lablacheanos e conheciam muito bem  os métodos de pesquisa de gênero de vida e habitat.  O mais importante trabalho dessa linha foi publicado por Pierre Mombeig – Pionniers et Planteurs de São Paulo em 1952.  A influência de  Demangeon e Sorre  pode ser sentida por toda a obra.

Outro fato importante foi a vinda de Leo Waibel em 1946, trazido por influência de Cristóvão Leite de Castro, em virtude de ótimas recomendações dadas por Fábio de Macedo Soares Guimarães e Orlando Valverde, seus alunos em Winsconsin (Valverde 1991-2, entrevista) Seu trabalho sobre habitat rural e núcleos de população é parte de um artigo clássico, incluído no número especial de 50 anos da Revista Brasileira de Geografia em 1988. A perspectiva morfológica da escola alemã é perfeitamente sentida   ( Waibel 1949).

Dos americanos, Clarence Jones e Preston James foram os que mais trabalharam com o tema colonização, por ocasião de suas estadas no Brasil       (1948 e 1949 respectivamente). Jones foi o orientador de um trabalho de campo no Pantanal Mato-grossense e escreveu o artigo “A Fazenda Miranda  em Mato Grosso” publicado na RBG 12 (3), jul./set. 1950   ( por sinal um número muito importante para o tema, pois além do artigo de Jones, estavam lá também os trabalho de Nilo Bernardes sobre a colonização do município de Santa Rosa -RS e o artigo de Waibel em que ele avalia sinteticamente os seus estudos no Brasil, além de um relatório de uma expedição, feito por José Veríssimo da Costa Pereira aos estados de São Paulo, Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais).

Preston James já havia estudado o problema de colonização, uso da terra e gênero de vida no sul no final da década de 30 ( RBG 1 [4] out./dez.1939) e durante sua estada no Brasil publicou um importante trabalho sobre o uso da terra e processo de ocupação no vale do rio São Francisco, (RBG 11[1] jan./mar. 1949) e ao voltar ao Estados Unidos escreveu um artigo sobre os tipos de uso da terra no Nordeste brasileiro no Annals of the Association of American Geographers , que posteriormente foi transcrito no Boletim Geográfico ( James, 1960).

Essas matrizes de pensamento e de métodos de estudo, somadas ao trabalho de orientação que esses geógrafos organizaram junto aos seus alunos brasileiros, criaram uma geração de geógrafos do habitat e do gênero de vida, encarada aqui em seu sentido mais amplo, pois nesse grupo encaixam-se os que trabalharam com o processo de colonização, alguns geógrafos regionais, os agrários e alguns urbanos que se preocupavam com processos de ocupação em periferias urbanas.

O Trabalho Precursor de Euclides da Cunha

Os comentários de José Veríssimo da Costa Pereira em sua análise retrospectiva sobre os primórdios da Geografia brasileira (Pereira, 1955) levantam uma tese interessante sobre a importância das análises de Euclides da Cunha  sobre a terra e os seres humanos da área de Canudos em seu livro Os Sertões publicado pela primeira vez em 1902. Na opinião de Pereira…

“À luz da geografia moderna, o trecho referente ao exemplo destacado ( diferença entre gaúcho e jagunço ) demonstra que, em sua orientação básica Euclides precedeu ao conceito lablacheano de gêneros de vida, aparecido em 1911. Tal conceito lablacheano é, aliás, persistente em Euclides da Cunha. Os princípios metodológicos de geografia humana formulados por Demangeon em 1947, foram espontaneamente aplicados por Euclides em os Sertões, conforme já ficou demonstrado.” ( Pereira – 1955 : 424 ).

No contexto desse trabalho sobre habitat e gênero de vida, é de grande importância ler o capítulo  V  da obra de Euclides da  Cunha (1982 : 112- 143 ), para se ter uma impressionante sensação de que o autor, efetivamente, conhecia o método de avaliação de uma forma de habitat conforme Demangeon e Sorre ensinariam no final da década de 40.

O Amplo Contexto dos Estudos de Habitat  e  Gênero de Vida no Brasil

Embora reconhecendo que a abordagem escolhida, de estabelecer uma classificação de 69 trabalhos publicados, em sua maioria pelo IBGE, deixe de fora muitos estudos que, possivelmente, iluminariam muito mais a questão do habitat no Brasil. Objetiva-se com ela, considerar esse trabalho como um exercício de pesquisa, não tendo, por isso, a presunção de um improvável esgotamento do assunto.

Restrição de natureza semelhante, também se estabelece no procedimento classificatório, pois reconhece-se que, haverá sempre uma tipologia melhor, dependendo do empenho e da perspicácia do pesquisador, na análise das ocorrências das diversas combinações de enfoques desses inúmeros trabalhos. Os Estudos Clássicos sobre Habitat

Se levarmos em consideração o escopo dessa pesquisa, é possível reconhecer que foram poucos os trabalhos que,  explicitamente, trataram do tema, tanto no título quanto no conteúdo.

Nesse grupo, um dos que mais se enquadram é o de Antônio Teixeira Guerra, fruto de seus trabalhos de campo no antigo Território do Rio Branco (atual Roraima) e que descreve os diferentes tipos de habitação rural  daquela região (Guerra, 1955).

Merecem também destaque os trabalhos de Nilo Bernardes (1957) e de José Grabois (1993). O primeiro, por estabelecer os principais parâmetros para os futuros estudos, discutindo sistematicamente as principais formas espaciais de habitat no contexto brasileiro. O segundo, pela coragem em resgatar o tema na década de 90, resgate este, feito com maestria, pois como Max Sorre, o autor estabeleceu vínculos históricos, econômicos e culturais das formas de habitat rurais e urbanas com o processo de subordinação dos pequenos produtores das terras altas da transição Agreste-Mata do norte de Pernambuco aos grandes produtores de cana. Além de detectar uma forma própria de habitat urbano a “ponta de rua”, verdadeiro obstáculo de classe a separar os que já são “urbanos”, dos que estão chegando, após uma expulsão da área rural.

Nos anos 60 foi traduzido e publicado no Boletim Geográfico (Nash, 1961) o capítulo Habitações do Brasil Rural,  do Livro de Roy Nash  A Conquista do Brasil. Esse mesmo capítulo já havia sido publicado em 1923  numa revista de geografia americana e descrevia os sete principais tipos de casas que eram construídas nas áreas rurais brasileiras, sob a ótica dos materiais empregados nas paredes ( folhas de palmeiras, barrote ou taipa, pedra, fibras ou esteiras, turfa, madeira e tijolos). Nash também descreve alguns padrões de concentração  das habitações rurais brasileiras comparando-os com o padrão mediterrâneo, além de tecer considerações sobre o problema  de higiene e doenças tropicais.

Na década de 70, o trabalho de Írio Barbosa & Helena Mesquita (1978) identificou e sistematizou visualmente os principais tipos de habitação rural no Brasil, sendo pois, um guia de referência importante até hoje.

Os Estudos de Habitat em Antropologia, Sociologia e Arquitetura

Foram selecionados cinco trabalhos publicados entre os anos 70 e 90, sendo que apenas um deles era de autoria de uma  pesquisadora do IBGE, antropóloga do Departamento de Indicadores Sociais Maria Helena Beozzo de Lima (Lima, 1977) o segundo, de uma antropóloga do Departamento de Comunicação da Universidade de Santa Catarina (Rial, 1992), o terceiro, de um geógrafo francês sobre o significado das cercas em pequenas comunidades rurais, transcrito de um periódico regional da França (Bonnaud, 1970),  o quarto,  de um dupla de arquitetos que exploraram a arquitetura Kitsch na área suburbana e rural do Rio de Janeiro (Guimaraes & Cavalcanti, 1982) e o quinto, de uma dupla de arquiteto/antropólogo (Santos  & Vogel, 1981) sobre o habitat urbano do ponto de vista antropológico em dois bairros do Rio de Janeiro: Catumbi (antigos quarteirões remanescentes de um processo de renovação urbana) e Leblon        ( um conjunto habitacional de classe média conhecido como Selva de Pedra ).

Sob o ponto de vista geográfico, o estudo mais marcante é o de Beozzo de Lima,  que mostra o processo de ocupação das áreas periféricas da RMRJ por uma população de baixa renda, explicando  os mecanismos de construção das casas e suas lutas contra as duras condições de vida a que são submetidos os que sonham em construir uma casa própria em áreas tão abandonadas pelo poder público. O livro de Carlos Nelson e Arno Vogel oferece um importante contraponto sobre o viver em espaços urbanos distintos. Para fins mais especulativos, o livro de Guimaraens & Cavalcanti (1982) pode ser uma referência interessante para análises de habitat em áreas urbanas, ainda não conquistadas pela onda dos edifícios multifamiliares. Uma combinação entre o trabalho de Barbosa & Mesquita (1978) sobre habitações rurais e esse, que cobre a área peri-urbana, poderia gerar questões inusitadas para o avanço do tema..

Os Estudos de Colonização e de Povoamento com Ênfase no Habitat e no Gênero de Vida

Esse conjunto de 14 títulos congrega os trabalhos dos especialistas em processos de povoamento em geral e de colonização em particular. Sem sombra de dúvida, o trabalho mais importante é o de Leo Waibel, que explica o processo de colonização por europeus no Sul do Brasil (Waibel, 1949).

Do mesmo período estão os artigos de Wagemann (1949) sobre a colonização alemã no Espírito Santo e o primeiro trabalho de Speridião Faissol (1949) sobre uma colônia alemã -Uvá- na Região do Mato Grosso de Goiás, artigo que iniciou uma série de mais quatro sobre o tema colonização (Faissol 1951, 1952 a, b, c ), incluindo um, de cunho didático, que explica os principais aspectos do processo de colonização (Faissol, 1952c), além do livro O Mato Grosso de Goiás, que será tratado no próximo conjunto.

Nilo Bernardes também aparece com três títulos (Bernardes,1950, 1952, 1967) sendo que um deles (1952), tratando do mesmo assunto – colonização européia no Sul do Brasil – que Leo Waibel havia estudado em 1949. O anterior (1950) tratou da colonização no município gaúcho de Santa Rosa e o último, mais recente (1967), analisou o processo de colonização em  Alagoas.

Roberto Lobato Corrêa iniciou sua carreira profissional com um trabalho sobre a colônia alagoana de Pindorama (Corrêa,1963) e na década seguinte (Corrêa, 1970), escreve um trabalho de resgate histórico e geográfico de uma área antes do processo de colonização – o sudoeste paranaense.

Neste conjunto, também estão duas transcrições de autores estrangeiros que escreveram em periódicos do exterior, em períodos diferentes, Jean Roche no Les Chiers D’Outre Mer em 1959 ( Roche, 1960) e Keith Derald Müller no Migration News de 1973 (Müller, 1975). Roche abordou a vida rural nas colônias alemães do Rio Grande do Sul e Müller, utilizando o exemplo do município de Toledo, no oeste paranaense estudou os mecanismos do planejamento de colonização que se estruturaram na região sul do Brasil.

O padrão clássico dos trabalhos sobre colonização enfatizando o Gênero de Vida, geralmente consta de bons mapas de distribuição dos povoados e sedes de fazendas, aliado à boas interpretações sobre as condições naturais e sobre os processos econômicos emuladores do povoamento, além de algum resgate histórico que caracterize o espaço estudado.

Estudos Regionais com Ênfase no Gênero de Vida e Economia

O grande grupo dos estudos regionais contém 25 títulos e é o mais eclético e amplo de todos. Abarca praticamente todo o território nacional e trata de uma vasta gama de assuntos geográficos, mas mostra uma clara tendência para a geografia agrária, com os processos de povoamento  e de estruturação econômica que a acompanham.

O típico estudo regional pode cobrir vários aspectos de um determinado espaço e alguns dos aqui escolhidos são hoje considerados clássicos por sua abrangência e minudência dos assuntos tratados.  O artigo de  Leo Waibel sobre as zonas pioneiras ( Waibel,1955),  o livro de Speridião Faissol sobre o Mato Grosso de Goiás (Faissol,1952), o artigo de Preston James no Annals of the Association of American Geographers  de 1953, transcrito no Boletim Geográfico (James, 1960), o guia de excursão de Orlando Valverde sobre o Planalto Meridional do Brasil, para o XVIII Congresso Internacional de Geografia de 1956 realizado no Rio de Janeiro (Valverde,1957), o artigo de Nilo Bernardes sobre as bases geográficas do povoamento do Rio Grande do Sul (Bernardes,1962), o livro de Manoel Correia de Andrade sobre a formação geográfica física e humana do Nordeste (Andrade,1963), o artigo de Bertha Becker  sobre o norte do Espírito Santo, que foi sua tese de Livre Docência na UFRJ (Becker,1973) são alguns exemplos representativos desses clássicos.

Destaque-se também a grande produção de Orlando Valverde ( oito títulos) abrangendo praticamente todas as regiões do país, com trabalhos de alta qualidade e detalhamento.

Percebe-se neste conjunto de trabalhos uma concentração espacial na região nordeste, com 11 títulos (Andrade, 1963), (Barros, 1964), (D’Älmeida, 1944), (Grabois & Silva, 1991), (Grabois, Marques & Silva, 1991), Grabois, Silva & Maciell, 1991), (James, 1953), (Prost, 1968), (Valverde, 1955, 1957) e (Valverde & Mesquita, 1961). A região sul aparece com cinco títulos (Bernardes Lysia, 1953), (Bernardes Nilo, 1952, 1962), (Pebayle, 1968), (Valverde, 1957), além de ter uma forte participação nos exemplos de Leo Waibel em seu artigo As Zonas Pioneiras do Brasil (Waibel, 1955).

Os Estudos sobre Gênero de Vida com Enfoque Econômico ou Sociológico

No contexto da tipologia seguida, indubitavelmente, esse foi o grupo que mais causou dúvidas, devido às amplas possibilidades de se classificar um trabalho tanto como estudo de habitat, quanto como regional. Na medida do possível, foi dado como preponderante para sua inclusão no grupo, que o trabalho se orientasse por  um tema que o enquadraria nos estudos de gênero de vida, como por exemplo:  um espaço produtivo e o tipo de vida de seus ocupantes, uma atividade rural, os valores e influências de determinadas culturas modificando ou sendo modificadas pelo espaço estudado, além dos artigos de cunho didático/informativo a respeito do tema.

Os títulos de maior destaque foram: a transcrição de um artigo de Max. Sorre (1948) sobre a noção de gênero de vida, os artigos de Valverde, um explicando o que é Antropogeografia (Valverde,1957), além do clássico trabalho sobre a fazenda escravocrata de café (Valverde, 1967) e o livro de Antônio Cândido (1964) , tratado de sociologia sobre o gênero de vida do caipira paulista e sua transição para o mundo urbano, pesquisa realizada no município de Bofete (SP).

Além desses, também aparecem trabalhos que, ao estudarem um determinado espaço regional orientaram suas pesquisas para um determinado setor produtivo ou atividade. Como nos casos,  do trabalho de Florêncio de Abreu ao escrever sobre a Antropogeografia do Rio Grande do Sul, vinculando-a à pecuária de corte (Abreu, 1940), do artigo de José Almeida sobre os pioneiros do Vale do Rio São Francisco, onde a ligação com a pecuária também foi preponderante (Almeida, 1959). No contexto da produção açucareira, os trabalhos de Vivaldo Coaracy sobre os antigos engenhos cariocas (Coaracy, 1957), o de Miguel Costa Filho sobre os engenhos mineiros (Costa Filho, 1962) são os mais significativos. Ainda nesta linha o artigo de Walter Alberto Egler sobre a cultura fumageira do Recôncavo Bahiano ( Egler, 1952) completa o subconjunto.

Existe ainda um interessante artigo de Orlando Valverde que trata da influência da imigração italiana nas modificações dos processos agrícolas em alguma regiões brasileiras e suas implicações no crescimento econômico do país (Valverde, 1959).

Estudos de Periferia Rural/Urbana

A principal razão da inclusão desse grupo de estudos, está nas preocupações de Max Sorre (1948) sobre a necessidade de se criar uma nova tipologia de gêneros de vida, baseada nas novas realidades da vida urbano-industrial.

Alguns dos pesquisadores que escreveram esses trabalhos, talvez não estivessem preocupados, com esteve Sorre, com as questões ligadas à transição rural-urbana que estava tomando velocidade e ampliando sua escala, no pós-guerra, mas mesmo assim, deixaram suas contribuições para o que deveria ser o novo espaço de entendimento do gênero de vida e das novas formas de habitat – a área periférica das metrópoles.

Do conjunto de 10 títulos, destacam-se os trabalhos de Pedro Geiger  e de alguns colaboradores sobre a Baixada Fluminense (Geiger, 1952 e 1956, Geiger & Coelho,1956, Geiger & Santos, 1954), o de Nilo Bernardes sobre atividades rurais em área montanhosa na cidade do Rio de Janeiro (Bernardes Nilo, 1959), o de Lysia Bernardes sobre uso da terra na periferia de Curitiba ( Bernardes Lysia, 1956). Além desses, pode-se citar também o trabalho de Henrique Sant’ Anna sobre a ocupação humana na atual região dos lagos no Estado do Rio de Janeiro (Sant’Anna, 1968),  e o artigo de Edmon Nimer e Jacob Binsztok sobre o espaço rural periférico à cidade capixaba de Castelo (Nimer & Binsztok, 1967).

As questões sobre loteamentos, mudanças de atividades agrícolas,  cristalização de hábitos rurais e resistências às  mudanças são mais ou menos percebidas nesses trabalhos. As preocupações de caráter social levantadas por Pedro Geiger e colaboradores ao estudar as articulações econômicas que envolviam processos fundiários que já estavam ocorrendo na Baixada Fluminense no início da década de 50 foram de grande relevância, ao anteverem espacialmente os problemas que marcariam a área periférica da atual região metropolitana do Rio de Janeiro.

As Novas Formas de Habitat no Brasil

As palavras de Grabois (1993 :10) serão o principal parâmetro de referência desta seção, pois ao se abstrair a palavra rural de seu texto, todo o resto encaixa-se perfeitamente neste contexto…

“Assim, a forma pela qual percebemos o habitat identifica-se com a concepção de que a sociedade rural é um conjunto de relações organizadas de trabalho e convívio social, incluindo formas mais ou menos elaboradas de consciência coletiva. Estruturada em classes sociais, esta sociedade se sustenta num determinado meio natural, o qual é modificado e aproveitado pela população, através de técnicas e formas de produção e intercâmbio, historicamente condicionados.”

Além das formas de habitat clássicas já conhecidas, tanto pela escola francesa, quanto pela alemã é possível exemplificar algumas formas novas, que estão ocorrendo no território brasileiro, tanto em áreas desenvolvidas, quanto em áreas deprimidas, tanto no contexto rural , quanto no urbano.

Habitat dos Bóia-frias e dos Sem Terra

O primeiro exemplo dessas formas pode ser percebido pela evolução do habitat dos bóia-frias do interior de São Paulo. O trabalho de Mello (1976 : 67-84 ) quando descreve o processo migração campo-cidade na região da Alta Sorocabana explica  em linhas gerais que a modernização do campo expulsa os pequenos sitiantes, trabalhadores de parceria e peões e que paralelamente, a cidade atrai o migrante rural com …

”empregos domésticos para os elementos femininos da família e alguns serviços urbanos, como escola e assistência médica. Para o homem do campo, a possibilidade de trabalhar na cidade apresenta-se como algo bastante indefinido. Isto faz com que ele já ingresse na vida urbana, na categoria de trabalhador disposto a vender a sua força de trabalho por qualquer preço, realizando qualquer serviço.”( p.74).

Nos anos 70 a principal forma de habitat que caracterizava os bóia-frias eram as favelas lineares ao longo das estradas, geralmente nas proximidades das cidades médias paulistas do oeste. Nos anos 80, na área da cana de açúcar       ( região de Ribeirão Preto ), em função do movimento de reivindicações de Guariba, essa forma de habitat mudou para a formação de núcleos habitacionais concentrados em alguns pontos entre a estrada e o canavial, não necessariamente próximos das cidades. O nucleamento, ou é de casas unifamiliares, ou de edifícios de quatro pavimentos, geralmente em grupos de 10. Nesses nucleamentos formam-se embriões de vilas com os principais serviços básicos, que garantem a demanda dos moradores. No pontal do Paranapanema, nos anos 90, o  nomadismo dos sem terra ainda é forte e o  seu padrão de habitação improvisada ainda é característico.

Grabois (1993) em sua pesquisa de habitat no norte de Pernambuco, constatou a forma “ponta de rua” estruturação de habitações nas periferias de povoados ou de pequenas cidades, de antigos moradores expulsos das terras de cultivo de cana. O fenômeno da “ponta de rua”  é a mesclagem entre o nosso entendimento de favela (considerando aqui a baixa qualidade do imóvel) e a formalização de uma aparência de urbanização muito precária ( levando-se em consideração a aceitação do alinhamento dos imóveis na rua tradicional).

No Maranhão, desde a década de 70, a forma linear ao longo das estradas, e que se movimenta tal qual um enxame de abelhas, exemplifica o tipo de habitat de alto dinamismo que ocorre nas áreas de frentes pioneiras que acompanham as vias de penetração.

Essa população não pode ser caracterizada como o bóia – fria do interior de São Paulo, pois sobrevive de trabalhos prestados às fazendas ao longo das estradas, o peão de trecho, além da coleta do coco de babaçu, geralmente feita por mulheres e crianças. Alguns desses núcleos se cristalizaram em povoados ao longo de algumas encruzilhadas no Maranhão e no Pará.

Habitat dos mineradores e dos garimpeiros e de alguns trabalhadores especializados

Um outro tipo de habitat previamente planejado é o das “Company Towns” que, no norte do Brasil, geralmente abriga trabalhadores de mineração, e no caso específico do projeto Jari, um conjunto mais heterogêneo de trabalhadores, indo da mineração à agricultura e reflorestamento.

O nucleamento se dá próximo da atividade principal, ou junto ao ponto de transbordo    ( geralmente porto fluvial ). A forma concentrada é uma imposição do tipo de trabalho realizado. A estrutura hierárquica é perfeitamente percebida, com as  alas de residências do pessoal de nível superior, as dos quadros técnicos e as  dos trabalhadores braçais. Recentemente a economista / planejadora urbana Rosélia Piquet lançou um livro sobre o assunto (Piquet, 1998) exemplificando cinco cidades que foram criadas para darem suporte a grandes projetos empresariais, tanto governamentais, quanto privados ( Volta Redonda [RJ] e Ouro Branco [MG] na siderurgia, Telêmaco Borba [PR] e Aracruz [ES] na fabricação de papel e no florestamento e Carajás [PA] na mineração de grande porte). O trabalho de Piquet ,apesar de ser voltado muito mais para aspectos econômicos e históricos do que para a questão do habitat, agrega muito conhecimento ao tema.

Em algumas dessas áreas,  coexistem “invasões” mais ou menos legais de uma população que vive às custas de oferecer produtos e serviços para os diferentes extratos desses trabalhadores. Os exemplos do “Beiradão” no Jari, na divisa entre Pará e Amapá, as concentrações humanas, junto aos portões de Carajás até Paraopebas no Pará e algumas concentrações junto aos acessos de algumas mineradoras de estanho em Rondônia são os exemplos mais característicos dessa forma nova de habitat.

O caos aparente dessas habitações, apresenta sua lógica espacial interna própria, visando facilitar o acesso dos usuários dos  bens e serviços, mesmo em detrimento dos moradores. Casas de prostituição, pensões, bares e lojas de produtos de alimentação e material de caça e pesca e compra de ouro, são as mais freqüentes nesses aglomerados.

Nas áreas de garimpo, a extrema mobilidade da população cria formas de habitat inusitadas, que vão desde o aparecimentos de bairros garimpeiros na periferia imediata de Boa Vista, que garantem a logística dos seus habitantes que, temporariamente vão para a região dos Ianomamis em busca de ouro, até comunidades “estáveis” em Itaituba, no Pará, que dão sustentação aos garimpos das regiões dos vales do Jamaxim e Crepori na bacia do Tapajós. Além das comunidades de balseiros que proliferam ao longos dos rios Madeira e Mamoré em Rondônia e do Oiapoque, que faz fronteira do Amapá com a Guiana Francesa.

A visão apocalíptica dos carregadores de rejeitos em Serra Pelada e suas concentrações habitacionais em Curionópolis ( PA)  deu, nos anos 80, uma noção muito verdadeira da miríade de formas de habitat, que é a principal marca do Brasil atual.

A Importância do Habitat no Planejamento dos Censos

A principal tarefa geográfica numa operação de censo demográfico insere-se na etapa de planejamento e execução da base geográfica operacional. Isto é, a delimitação dos setores censitários, passíveis de serem trabalhados pelos recenseadores ( agentes de coleta ).  Nesse procedimento, está embutido o estudo de Demangeon que levou à definição de um sistema classificatório de aglomerados humanos e ao índice estatístico de dispersão das habitações, ver Derruau (1964: 384-87)

A maior dificuldade desse planejamento é justamente uma conceituação objetiva de aglomerado e assentamento que se situam em áreas rurais, já que na área urbana contínua, a delimitação dos setores censitários é amarrada à existência de quarteirões e ao tamanho médio dos edifícios multifamiliares.

No âmbito do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que é a principal agência do governo federal encarregada das operações censitárias no país, a tarefa de conceituar e testar a operacionalização das categorias de aglomerados rurais, para a otimização das operações de coleta de dados nos respectivos domicílios, é sempre passível de alterações de censo para censo.

O trabalho de Fredrich ; Brito  &  Rocha (1983), publicado na principal revista de estudos estatísticos do IBGE, dá uma idéia da complexidade desse problema vivido pelos recenseadores do censo demográfico de 1980 e três anos após o encerramento dos trabalhos de apuração, coloca em discussão o tema, para que os planejadores dos próximos, possam se utilizar dos resultados dos estudos e dos debates técnicos .

A principal questão em pauta no artigo é a sugestão de modificação da definição de aglomerados rurais para fins censitários, por que nas palavras das autoras :

“… a conceituação  adotada para o Censo de 1980 tem limitações que impedem uma melhor caracterização do fenômeno pesquisado. Uma primeira limitação, que está relacionada ao fato da definição legal de urbano e rural respeitada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, nos levantamentos censitários, nem sempre retrata a realidade da ocupação urbana, se refere à não identificação entre os chamados aglomerados rurais, dos assentamentos que são, na verdade, de natureza urbana, ou seja, de áreas urbanizadas situadas fora dos perímetros urbanos definidos por lei. O problema alcança maior expressão na periferia das cidades de maior tamanho e dinamismo, cuja expansão ultrapassa, muitas vezes, os limites do perímetro urbano legal.”

Outras limitações referentes às instruções para a conceituação de aglomerados rurais foram também avaliadas: definição correta de tamanho e distância entre “casas de moradia”, dúvidas quanto a definição de setor especial ( presídios, canteiros de grandes obras, etc. …) e critérios de composição da população envolvida ( sexo e percentual da População Economicamente Ativa – PEA ).

A proposta deixada no artigo pelas autoras, vai desde os critérios de definição de cada tipo de aglomerado por tamanho, densidade, repartição da PEA segundo setores de atividade. Além de apresentar testes de campo no Estado do Rio de Janeiro e no Maranhão.

Nas justificativas as autoras colocam que…

“… No caso dos aglomerados isolados, o tamanho mínimo de 51 domicílios permitirá que não se deixe de reconhecer e registrar a especificidade de adensamentos demográficos que tem importância como ponto de convergência da população rural para a comercialização de produtos e realização de serviços. Para o planejamento, é imprescindível a identificação desses pontos que servem eficientemente, por exemplo à logística de implantação de programas educacionais e de saneamento”.

Trabalhos como esse devem ser entendidos como uma das múltiplas faces do tema habitat, pois gera subsídios para um entendimento melhor da distribuição espacial da população urbana e rural.

Conclusões

A razão principal desse trabalho é tentar modificar o cenário de abandono por que tem passado os estudos de habitat na Geografia e reagir  positivamente contra as considerações que vinculam os estudos do habitat à “peças de museu” ou “temas ultrapassados”

O objetivo é didático, pois deve  ser associado à escolha de temas de pesquisa que visem um revigoramento do assunto, principalmente, através de vinculações com os estudos de outros profissionais como arquitetos, antropólogos e  sociólogos. Mostrar também, que não há ( ou pelo menos não deveria haver ) assunto ultrapassado ou fora de moda, pois uma área de conhecimento tão heterogênea como a Geografia, não deveria se amarrar à modas hegemônicas, como infelizmente tem ocorrido com relativa freqüência no Brasil.

As novas formas de habitat estão à nossa volta, é só saber procurar.  Os velhos mestres europeus que vieram ensinar os geógrafos brasileiros nas décadas de 40 e 50, tinham uma constante pergunta, que não pode ser esquecida :

 O que estamos vendo?

Devemos continuar a responder a essa pergunta, pois com isso, a Geografia avança. A visão das modificações espaciais e as explicações dos seus processos criadores, nunca abandonarão os estudos geográficos sérios.

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Summary

To introduce again in the line of debates of the Brazilian Geography of the nineties the subject of the studies on the habitat and to discuss your relevance in the current context is the principal objective of that work. Initially, it was related the works of some professionals that began the studies on the habitat in Brazil and that they became classic reference on the subject, mainly the relationships among the foreign professionals that came to work in Brazil, and your disciples, that your respective legacies continued. The recognition of a synthetic typology on those habitat studies and of life gender, starting from a group of 69 works, it was the second task, and that here should be faced, as a research exercise for didactic ends and I don’t eat an attempt of exhaustion of the subject: geographers’ classic studies; the anthropologists’ works, sociologists and architects; the studies on colonization and settlement; the regional studies that emphasized the habitat; the one of economist focus; and the ones that emphasized the relationships among rural periphery and  space / urban they were some of the countless possibilities of classification of the theme. As challenge for the news researchers, they were also exemplified some news habitat forms that are happening now in Brazil, so much in the rural context, as in the urban. The work concludes showing the importance of the study of the habitat in the planning of the operational geographical base of the demographic censuses.

Resumo

Recolocar na pauta de debates da Geografia brasileira dos anos noventa a questão dos estudos sobre o habitat e discutir sua relevância no contexto atual é o principal objetivo desse trabalho. Inicialmente, historiou-se os trabalhos de alguns profissionais que iniciaram os estudos sobre o habitat no Brasil e que tornaram-se referência clássica sobre o assunto, principalmente as relações entre os profissionais estrangeiros que vieram trabalhar no Brasil, e seus discípulos, que prosseguiram seus respectivos legados. O estabelecimento de uma sintética tipologia sobre esses estudos de habitat e de gênero de vida, a partir de um conjunto de 69 trabalhos, foi a segunda tarefa, e que deve ser encarada aqui, como um exercício de pesquisa para fins didáticos e não como uma tentativa de esgotamento do assunto: estudos clássicos de geógrafos; os trabalhos de antropólogos, sociólogos e arquitetos; os estudos sobre colonização e povoamento; os estudos regionais que enfatizaram o habitat; os de enfoque economicista; e os que enfatizaram as relações entre periferia rural e espaço urbano foram algumas das inúmeras possibilidades de classificação do tema. Como desafio para os novos pesquisadores, foram também exemplificadas algumas novas formas de habitat que estão ocorrendo atualmente no Brasil, tanto no contexto rural, quanto no urbano. O trabalho finaliza mostrando a importância do estudo do habitat no planejamento da base geográfica operacional dos censos demográficos, revisados decenalmente.